limite de toques?

September 3, 2010, by Rodrigo Leme de Almeida - No comments yet

tava querendo descobrir quanto toques suporta um post. daí, vai que vai, acabei de verter para a língua de Luis Vaz de Camões um romance de Bukovski, e vou colar aqui o hyperlink para download logo em breve, mas só para mostrar um pouco das diferenças (nada sutis!) entre a versão que existe no Brasil e a minha, pensei em colocar um capítulo para conferir se cabe ele inteiro enquanto escrevo este pergaminho interminável.

som na caixa, dj!

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26.

Não aconteceu muito por uma semana ou mais. Eu brincava com um dos gatos no carpete quando o telefone tocou. Sarah o atendeu.

“Sim? Ah, olá Jon. Sim ele está aqui. Não tem corridas de segundas e terças. O quê? Meu deus, que bagunça...Olha, eu vou chamar Hank...”

Me levantei do carpete e peguei o telefone.

“Olá, Jon...”

“Hank, foi uma cilada...”

“O quê?”

“O negócio de Edleman. Eles estavam andando por aí tentando vender A dança de Jim Beam por 7 milhões escondidos da gente. As pessoas que eu tinha contratado para encontrar outro financiador em segredo por aí, enquanto estávamos com a Poderdefogo, acabaram de me dizer que o grupo Edleman ofereceu para eles os direitos do filme por 7 milhões.”

“Mas eles não possuem os direitos, ainda...”

“Eles afirmam que têm. Eles apresentaram todo o pacote: o roteiro, os atores, o orçamento. Pelo direito de produzir o filme eles estavam pedindo 7 milhões. Eles iam comprar esses direitos da gente por menos depois de terem feito um lance em segredo...”

“Jesus...”

“Fomos novamente vítimas de uma cambada de cretinos. Assim acabou. O negócio de Edleman está finalizado. Agora, vamos tentar encontrar outra produtora. Eu não queria te incomodar com tudo isso mas achei que seria melhor deixar você saber.”

“Mas é claro. Então, como vai indo?”

“Chegamos às pessoas pelo telefone. Apresentamos o filme pelo telefone e todos sempre dizem, ‘otimo, ótimo, nós faremos.’ Daí quando eles vêem o roteiro eles dizem ‘não.’ Temos aqui um filme com 2 grandes atores e de orçamento tão baixo que não tem como esse filme não fazer dinheiro. Ainda assim a cidade inteira diz ‘não’. É um fato inédito.”

“Eles não gostam do roteiro,” eu disse.

“Eles não gostam.”

“E eu não gosto deles. Não gosto nem um pouco deles.”

“Bom, vamos continuar trabalhando. Deve ter alguém em algum lugar que não procuramos.”

“Me parece nebuloso.”

“De algum jeito vamos fazer isso.”

“Eu gosto da sua fé.”

“Não se preocupe.”

“Tudo bem...”

Eu voltei para baixo, no carpete, e brinquei com o gato. O gato gostava de perseguir esse pedaço de corda.

“O filme voltou para estágio zero,” eu disse a Sarah. “Ninguém gosta do roteiro.”

“Você gosta?”

“Eu acho que é melhor do que muitos dos roteiros que já vi, mas eu posso estar errado. Sinto demais por Jon.”

O gato errou a corda, mas afundou uma garra dentro do alto da minha mão. O sangue saiu. Eu andei até o banheiro e dosei sobre o machucado hidrogênio peróxido. Lá estava meu rosto no espelho: só um velhote que tinha escrito um roteiro. Que merda. Eu fui embora dali.

Quando os cavalos estavam correndo eu nunca recebia nenhuma notícia ruim, porque não estava em casa e ninguém podia me encontrar.

 

Bom, a pista voltou de novo e eu ia todos os dias, me saia bem, voltava, como era minha vontade, comia, assistia um pouco de tv com Sarah, ia para cima para a garrafa de vinho e a máquina de escrever. Eu estava trabalhando em poesias. Não tinha muito dinheiro na poesia, mas com certeza era um grande parque de diversões para se chafurdar.

Dentro de algumas semanas depois de seu último telefonema, teve mais um de Jon.

“Tudo está um inferno de novo,” ele disse. “Estamos mais desligados do que nunca!”

“O quê?”

“Ouça, encontramos um produtor, ele disse que tudo bem, que tinha gostado de tudo, até mesmo do roteiro. Ele me disse, ‘Tudo bem, nós vamos fazer, traga a papelada que eu assino e entramos de cabeça nessa produção’. Assim, marcamos uma hora para assinarmos a papelada, mas antes que eu pudesse chegar nisso ele me ligou. Ele disse, ‘Eu não posso fazer o filme.’ Aparentemente existe um diretor de renome que afirma ter os direitos dramáticos para todos os trabalhos de Henry Chinaski. ‘Não há nada que eu possa fazer,’ ele me disse. ‘O trato está cancelado.’

Henry Chinaski era o nome que eu usava para o meu personagem principal em muitos de meus romances. Eu tinha usado o nome novamente dentro do roteiro.

“Que merda de vaca é essa?”

“Não é merda de vaca, nem de boi. Você vendeu os direitos da personagem Henry Chinaski.”

“Não há verdade alguma nisso,” eu disse, “mas mesmo se tivesse, tudo que teríamos de fazer era trocar o nome.”

“Não, o contrato diz que ele é dono da personagem, sem importar que nome você use. Para sempre!”

“Isso não pode ser verdade...”

“Temo que quando você vendeu o romance O balconista emborcado ao diretor Hector Blackford, você também deva ter vendido estes direitos dramáticos.”

“Sim, eu vendi os direitos do filme. Foi por apenas 2 mil dólares. Eu morria de fome. Me pareceu uma dinheirama na época. Blackford nunca fez um filme sair do Balconista emborcado.”

“Isso não importa. Diz no contrato que ele é dono da personagem para sempre.”

“Ouça, como você ouvi de tudo isso?”

“Bom, tem esse advogado, Fletcher Jaystone. Ele está na cama com uma montadora de cinema. Eles acabaram as coisas deles e o advogado vê o roteiro sob o criado mudo. Ele agarra o roteiro. É A dança de Jim Beam. Ele passa umas páginas, coloca de volta e diz, “HENRY CHINASKI! MEU CLIENTE É O DONO DESE CARA! EU MESMO QUEM DESENHEI O CONTRATO!” E partindo daí a palara corre a cidade. A dança de Jim Bean está morto. Agora ninguém encostará nele porque Blackford e seu advogado possuem Henry Chinaski.”

“Isso não é verdade, Jon. Eu Não venderia estes direitos eternidade adentro por míseros 2 mil. Isso não faria sentido algum.”

“Mas está no contrato!”

“Eu li o contrato antes de assinar. Eu nunca vi nada assim.”

“Veja seção VI.”

“Eu não acredito nisso.”

“Eu liguei para esse advogado. Ele é um cara difícil. ‘Nós somos donos de Henry Chinaski,’ ele me disse. ‘Eu investi 15mil de meu próprio dinheiro na época, e era uma dinheirama na época. Ainda é uma dinheirama.’ Eu comecei a ficar nervoso, eu comecei a gritar com ele. ‘Espere,’ ele disse, ‘não fale comigo desse jeito. Você que não fale comigo desse jeito.’ Não consegui chegar a lugar algum com ele. Eu não descobri se ele quer um monte de dinheiro ou seja lá o quê, mas por hora Jim Beam está morto, mais morto do que qualquer coisa por aqui. Ele está liquidado.”

“Jon, eu te ligo de volta.”

Eu procurei pelo contrato e conferi seção VI. Aos meus olhos, não conseguia ver nenhuma venda direta ou implícita dos direito da personagem. Eu li seção VI de novo e de novo, mas não conseguia enxergar.

Liguei para Jon.

“Não existe nada em seção VI que diga nada sobre entregar a personagem para sempre. Que tipo de doença é essa? Será que todo mundo enlouqueceu?”

“Não, mas é o que significa.”

“O que significa?”

“Seção VI.”

“Você tem o contrato aí, Jon?”

“Sim.”

“Poderia ler para mim onde é que declara que esse cara pertence Henry Chinaski?”

“Bom, está subentendido nele.”

“Isto é DOENÇA! Eu não vejo nem um entendimento!”

“Se tivermos que ir a tribunal, isso pode lever 3, 4, 5 anos...Enquanto isso, Jim Beam estará morto. Ninguém encostará nele!”

“TODOS NESSA CIDADDE ESTÃO TÃO AMEDRONTADS ASSIM? NÃO EXISTE NADA NESSA SEÇÃO VI QUE DECLARE NADA, DA MAIS VAGA MANEIRA, SOBRE VENDER A PERSONAGEM CHINASKI PARA ESSAS PESSOAS!”

“Você assinou um papel vendendo os direitos de Chinaski para sempre,” disse Jon.

Ele também estava doente. Eu desliguei.

 

Eu encontrei o número de telefone de Hector Blackford. Estava na lista telefônica como sempre esteve. Eu conhecia Hector desde que ele saíra da escola de cinematografia em USC. Um dos seus primeiros filmes foi um documentário sobre mim. Ele foi exibido na PBS uma noite. Na manhã seguinte 50 pessoas ligaram para cancelarem suas assinaturas.

Hector e eu tínhamos ficado bêbados juntos algumas vezes. Ele demonstrara algum interesse em fazer Balconista emborcado e até me entregara um roteiro, mas era tão mal feito que eu disse a ele para esquecer disso. Enquanto isso, ele seguiu seu caminho e eu segui o meu. E ele ficou rico e famoso, dirigindo um monte de grandes sucessos. Eu brinquei com a poesia e esqueci do Balconista emborcado.

O telefone tocou e ele estava lá.

“Hector, aqui é Hank...”

“Ah, olá, Hank. Como vão as coisas?”

“Nada bem.”

“Qual o problema?”

“É sobre Jim Beam. Tem um cara andando pela cidade dizendo que você e ele são donos de Henry Chinaski. Você o conhece.”

“Fletcher Jaystone?”

“Sim. Agora, Hector, você sabe que eu não venderia meu rabo e minha alma por malditas 2 mil pratas.”

“Fletcher diz que você já...”

“Não está na Seção VI.”

“Ele diz que está.”

“Você leu o contrato?”

“Sim.”

“E está?”

“Eu não sei.”

“Ouça, neném, você não vai capar minhas bolas por causa de um palavreado vago que ninguém consegue entender, vai?”

“O que você quer dizer?”

“Eu quero dizer que nós temos um bom filme a caminho e isto vai matá-lo para sempre. Será que você não se lembra de todas aquelas noites em que ficamos bêbados juntos e falamos toda aquela conversa boa?”

“Sim, aquelas foram boas noites.”

“Então converse com o seu cara e tire-o da nossa bunda. Só queremos respirar e suar. É só isso.”

“Hank, eu te procuro de volta.”

 

Eu sentei do lado do telefone e esperei. Eu esperei 15 minutos.

O telefone tocou.

Era Hector. “Tudo bem, Jaystone vai levar em consideração.”

“Obrigado, cara, eu sabia que você tinha um bom coração. A indústria não te matou ainda.”

“Jaystone vai imediatamente te mandar uma liberação.”

“Ótimo! Ótimo! Hector, você é maravilhoso!”

“E Hank...”

“Sim?”

“Eu ainda vou fazer um filme sair do Balconista emborcado, algum dia.”

“É isso aí, neném! Lembranças à esposa!”

“Lembranças a Sarah,” disse Hector.

 

Nove décimos desse tipo de ação é resolvido pelo telefone; a outra fração refere-se a assinar a papelada.

Eu liguei para Jon.

“Hector está cancelando Jaystone. Ele vai nos mandar uma liberação.”

“Ótimo! Ótimo! Agora podemos ir em frente! Hector era um camarada seu, não era?”

“Bom, acho que ele acabou de provar isso.”

“Assim que tivermos a liberação eu volto ao nosso novo produtor...À propósito, ao invés de esperar por isso vir pelo correio, será que não posso ir até o escritório de Jaystone?”

“Claro, ligue para ele e faça os preparativos.”

“Bom, voltamos aos negócios de cinema,” disse Jon.

“Com certeza. Talvez devêssemos almoçar no Musso’s.”

“Quando?”

“Amanhã. Uma e meia.”

“Te vejo lá,” disse Jon.

“Te vejo,” eu respondi.

*.*.*.*.*.*.

 

e com isso, eu me dou por contente.

este é realmente um pergaminho!

 

 

 

 



dias dois e três

August 22, 2010, by Rodrigo Leme de Almeida - No comments yet

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eu matei a manhã do quarto dia.

tivemos as apresentações dos coletivos presentes, e um papo sobre ferramentas livres de captação e edição de imagens, no audiovisual. foi louco demais, e de acordo com o Dudú, Massa Coletiva, estamos quase no final do período de testes dum programa de captura e manipulação de vídeo de alta definição. estamos quase lá, pelo jeito.

massa!



terceiro congresso, dia primeiro

August 22, 2010, by Rodrigo Leme de Almeida - No comments yet

terceiro congresso fde - etapa regional sp/rj

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Dia1-f2

Dia1-f3

 

 

no final,

ChoppChoppChoppChoppChoppChoppChopp

porque ninguém é de ferro.



Fora do Eixo internacionalizado

August 21, 2010, by Bianca Riet Villanova - No comments yet

Intercâmbio, transversalidade e delegação. Um dos tópicos da Carta de Princípios do Circuito Fora do Eixo, que será revista nos Congressos Regionais, traz um pouco da essência do Circuito: troca de experiências, de informações, de cultura.

No Congresso Regional Sul, a necessária fusão de conhecimentos é buscada. Além dos coletivos do Rio Grande do Sul, o Congresso conta com dois integrantes do Sintomatica, coletivo de Buenos Aires, Argentina, que integra o Circuito Fora do Eixo desde junho de 2010.

Sintomatica

Cartaz de divulgação da Fiesta Sintomatica

A possibilidade de integração artística entre países vizinhos é um dos motivos pelos quais o Sintomatica passou a fazer parte do Fora do Eixo. Apesar da forte cena cultural argentina, não há uma associação que reúna os diversos artistas e produtos culturais do país.

O primeiro coletivo estrangeiro a fazer parte do Fora do Eixo surgiu de um festival de mesmo nome, que reúne música, dança, performances e intervenções. Nos dois anos de existência, já foram produzidas duas edições do festival e 10 festas.

Além dos debates do Congresso, as noites também serão de compartilhamento. Proyecto Gomez, banda solo do fundador do Sintomatica, Rodrigo Gomez, vai tocar na madrugada do sábado no Macondo Lugar, completando a troca de experiências e ideias com um intercâmbio musical.



Congresso Regional Sul - "Um espaço para trocar experiências"

August 21, 2010, by Bianca Riet Villanova - No comments yet

Congresso

Na manhã desta sexta feira, dia 20 de agosto, tem início o III Congresso Regional Sul do Circuito Fora do Eixo que acontece no SESC Santa Maria. O objetivo desse encontro é proporcionar uma verdadeira troca de informações entre os coletivos culturais do sul do país, assim como, preparar as discussões pertinentes a serem levantadas no encontro nacional.

“O congresso é para ser uma articulação da regional, mas também um momento de mobilização dos agentes culturais. O Brasil está vivendo um momento muito especial de manifestação de pontos de cultura que vem a se articular em encontros como o que ocorre neste final de semana”,  disse Lúcia Dalmaso em entrevista para o Onda Anomala, programa da web-rádio Macondo.

Atílio, do coletivo Macondo, anfitrião do evento, aposta que essa regionalização dos encontros, que antes só aconteciam de modo nacional, será uma oportunidade de fazer uma conexão de fato entre os coletivos da região sul que ainda se encontram de maneira muito fragmentada. Segundo ele  “é um momento muito importante para firmar relações e promover o diálogo entre os agitadores culturais do sul do país”.

Os promotores culturais dos demais coletivos participantes do congresso também seguem a linha do intercâmbio de idéias para gerar o desenvolvimento de soluções no sentido de promover a cultura alternativa no país.

Valdir, um dos agitadores culturais do coletivo Satolep de Pelotas, pensa que “a etapa regional antes de mais nada é um espaço para trocar experiências”.

Leon Brawl do Extremo Rock Sul de Porto Alegre, também compartilha da opinião de que a etapa regional do congresso “ funciona como um verdadeiro senso regional, além de ajudar a nivelar o entendimento das nossas ações, para que, no próximo congresso nacional, seja possível evoluir de forma ainda mais plural e rizomatica”.