tempus non prohibere - ou sobre o FEBAN, Contato, e outras coisas que acontecem a todo momento
October 12, 2010 - No comments yet
"o Tempo não pára", bradou um sem-número de vezes o jovem Cazuza, antes de o Tempo parar para ele passar.
e realmente: enquanto Araraquara assistia ao festival de bandas da UNESP ("feban", para os íntimos, com cobertura completa no blogue do Colméia Cultural), São Carlos sentia-se bem com mais uma edição do festival que reúne todas as mídias em uma embalagem só, o IV Contato. em escala nacional, Uberlândia (MG) começava a se preparar para sediar o congresso nacional dos fora-do-eixenses. o Tempo, além de ser relativo, não pára. e isso é uma certeza!
um resumo do sábado, dia 09 de outubro de 2010. depois de alguns dias hospedado em Araraquara, estava começando a ficar perigoso andar pelas ruas arborizadas da cidade: o INTERUNESP estava começando, evento que se pressupõe a reunir os estudantes da faculdade em eventos esportivos, mas que na verdade, é apenas uma desculpa para um monte de bêbados mirins encherem a lata (alguns, pela primeira vez na vida). aqui em São Carlos mesmo, eu descobri algo bem parecido acontecendo: o INTERMED, que reúne todos os estudantes dos cursos de Medicina, corria livre leve e solto pelos gramados da UFSCar. nunca se está a salvo, em qualquer lugar que esteja.
Vi Maria Butcher, assisti aos Rélpis e suas performances acrobáticas, conferi Flavião e o retrofuturismo, mas o que me deixou mesmo embasbacado foram as projeções ao ar livre em plena praça coronel Salles (centrão da cidade, mais conhecida como "praça dos pombos"), onde foi armada a praça principal do Contato. faça uma pausa na leitura, e além de conferir o "Coração tremilique" dos araraquarenses, veja com seus próprios olhos uma palhinha do que foi o IV Contato, em:
http://www.youtube.com/watch?v=YNimnje5318
foram projetados videografismos nos prédios que circundam a praça. notaram o tamanho da projeção? daí eu comecei a folhear o caderninho de programação dos seis dias do evento. logo na primeira página, salta aos olhos:
"CONTATO VERDE - BICICLETAS
se você quiser dar uma volta por São Carlos de bicicleta, fique à vontade! é só ir ao ponto de informações do CONTATO (que o Duzeira e os outros animadores chamavam de "tendinha amarela" , e era realmente a ÚNICA tendinha amarela, em meio a centenas de tendinhas brancas) e pegar emprestados uma bicicleta e um mapa turístico da cidade! eles ficarão disponíveis entre os dias 9 e 11 de Outubro, das 18hs as 24 hs..."
eu emprestei uma bicicleta, e conferi no mapa que o lugar que precisava chegar, só para não fugir à regra de como as coisas nomalmente acontecem comigo, estava fora do mapa. fora do mapa? ou fora do eixo? que trocadilho horrível... mais tarde, eu devolveria a bicicleta, mas o mapa ficaria comigo, guardadinho de lembrança. e daí, lá vai eu, esse 846r3 que vos escreve, correndo tão livre, leve e solto pelas ruas da cidade da minha infância.
cheguei até o Teatro Municipal Alderico Vieira Perdigão. reformado desde o comeco do ano passado, ainda não tinha me sobrado muito tempo para entrar e ver o que mudou. eu parei a bike, estacionei, e fui até a portaria. estava cheia, com um evento acontecendo: "Festival Parlapatões", dizia a portaria. me identifiquei como fora-do-eixense, expliquei como funcionam as coisas quando se lida com conteúdo livre, e eles me deixaram entrar para assistir de perto ao "Proibido para menores". já conto sobre a peça: primeiro, sobre o lugar. inteiramente reformado, o Teatro Municipal da cidade agora está mais moderno. a fachada externa não mudou em nada, à não ser que antes, onde existia cimento, agora é vidro. o pé direito do prédio foi às alturas (calculo, pelo olhômetro, uns 12 metros), as poltronas ficaram confortáveis e pararam de ranger durante os espetáculos. e isso, para os atores, deve ter sido o grande ganho. imagina como que ficava sua cara, durante a declamação do "Hamleto" shakesperiano, em pleno 3o. quadro do terceiro ato, e, além do celular dos espectadores mal educados, você ter que se abstrair também das cadeiras rangentes!

o espetáculo, "Proibido para menores", é uma peça infantil para adultos, dividido em quadros, em esquetes. inclusive, o que abre como intróito à peça, dura cerca de vinte minutos e é um bom resumo do que se vai ver. a peça dura 88 minutos, e tem a participação especial de Branca de Neve, o camundongo estadunidense Mickey, o cachorro Pluto e, a melhor, a cantora Eliana com a famosa canção de apresentação dos dedos das mãos. Michael Jackson e Elvis fazem aparições especiais, no meio de gritos histéricos de personagens da mítica infantil, reunidos em uma congregação discutindo seus direitos trabalhistas. eles todos concordam em um ponto: "abaixo a festa infantil, brigadeiro à p*t* que o pariu!".
o texto é mordaz, e de autoria de um dos integrantes do grupo, Hugo Possolo. sensacional, eu chego até a dizer genial. rachei o bico de risada. os caras são bons. é bom ver gente boa fazendo bem aquilo que faz. eu pedi cinco minutos para a producão, e veio falar comigo Claudinei Brandão, jundiaiense que há 15 anos excursiona junto dos Parlapatões. foi aí que eu descobri quem era o grupo. famosos eles já me eram, eu não sabia que eram bons assim. Claudinei me explicou suas origens, e eu perguntei como que isso o levou aos Parlapatões. o nome de Hugo foi citado várias vezes: ele, junto de Alexandre Roit, começaram nos idos dos anos 90 em peças mambembes, em plena Praça Roosevelt, Parque do Ibirapuera, Praça da República e onde mais acomodasse o estilo artista-com-maleta itinerante. Hugo Possolo referencia como embrião do grupo "Parlapatões, Patifes e Paspalhões" estas apresentações na cidade paulistana de São Paulo. de lá para cá, muita coisa mudou: o grupo está quase com 20 anos de atividades, e com 32 espetáculos em seu cardápio. para mim, me parece que eles estão prontos para mais 20 anos, e para os outros 20 que virão (se vierem, mesmo), depois destes.

de volta a Claudinei, ele sentia-se honrado de estar ali na cidade. a mostra Parlapatões estava fora do caderninho de eventos dos realizadores do Contato - uma pena! - e ficou na cidade de sexta a quarta apenas, com apresentações para o público infantil e outras para o público adulto. esta mesma mostra ainda se apresenta em Pindamonhangaba, Araras e Jundiaí. Claudinei tinha se juntado com o grupo em "Û fabuliô", a primeira peça que conferiu ao grupo o status de "artistas", e pisado no palco em 1997 com a homenagem ao célebre palhaço da década de 20, "Piolim". e tinha sido ali, no mesmo teatro Alderico Vieira Perdigão que estávamos, e que agora estava completamente mudado, mas ainda assim o mesmo teatro. "sobre as dificuldades na arte?", eu pergunto. ele me pede que acesse o blogue dos parlapatões, em http://www2.uol.com.br/parlapatoes/home/index.html, e reformule decentemente esta pergunta. eu agradeço a entrevista, convido o artista e seu grupo para se juntar a nossa festa, destranco minha bicicleta e pego rumo na estrada, de volta à praça principal, desejando que em breve nos encontremos novamente.
lá, já estava quase tudo acabado. e as pessoas se dirigiam ao Armazém, um aconchegante boteco numa das mais badaladas ruas da cidade de São Carlos, capital do clima, da tecnologia e por aí vai. eu entrei na balada porque a banda Malditas Ovelhas! iria se apresentar junto dos argentinos dos Falsos Conejos. os Ovelhas, eu já conheço desde o embrião - senhor Djalminha Nery que me diga, enquanto tocava violão nas madrugadas da nossa antiga república estudantil, em Araracrazy, me impedindo de dormir ou me concedendo um sono ainda mais tranquilo. os Conejos, conversei bastante durante o primeiro dia do FEBAN (uma parte desta conversa está disponível em http://www.youtube.com/watch?v=lcERWROJGCQ), e inclusive sinuquei com eles no Esperanza na nossa balada pós-show. mas ainda não tinha ouvido nada, nem uma nota, do que eles faziam ao vivo. era essa a chance!
lá dentro, um pouco de espera. e muita muita gente. quando o show dos argentinos começou, deu pra descobrir porque se chamam de coelhos: eles saltitam, no mesmo lugar e a cada nota. os três, batera, baixo e guitarra, saltitantes, legítimos coelhos. a música que Conejos e Ovelhas dividiram o palco, eu hospedei aqui, ó:
http://www.4shared.com/account/audio/_7l-pfao/conejosovelhas.html


pior do que morrer jovem é chegar à velhice sem lembranças. acho que isso resume bem o que todos fazemos, nós do lado de cá do eixo, do sistema estabelecido, e a galera que está incorporada à máquina, mas que nem por isso se tornou cínica e aparvoada pelas oportunidades.
daí, foi o fim. eu montei na bicicleta e estava indo embora, fazer minhas coisas. "Já vai, Bagre?" me pergunta um amigo. "Sim." "Pro infinito e além, desta vez?" ele estava começando a me dar nos nervos. "Não, rumo à represa do Broa, desta vez. o Guilherme Negaum tá passando mal e eu vou lá dar uns tapas na cabeça dele, pra ver se melhora. mas amanhã eu tô de volta."
e assim é que foi.
Quem é contra o debate público sobre a reforma do direito autoral?
August 24, 2010 - No comments yet
Iniciamos esse documento destacando a iniciativa do Ministério da Cultura de submeter a toda a sociedade brasileira, a proposta de reforma da legislação autoral. O debate deve ser pressuposto para qualquer sociedade democrática. Ser contra o debate público é característica de quem não quer a transparência. Acesse e participe (http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/consulta_publica/DireitosAutorais.htm)
A lógica da indústria cultural naturalizou a idéia de que o acesso a bens culturais está ligado diretamente ao pagamento. Assim, quem pode pagar tem acesso, condições de divulgar, criar, produzir e quem não pode pagar está excluído. E é dentro dessa lógica que a prática do jabá é comum.
Não defendemos que tudo tem que ser gratuito, muito menos concordamos com a idéia de que quem baixa conteúdos culturais na rede é criminoso. A cultura livre, nos coloca um grande desafio nesse debate, que é equilibrar o acesso público à música/cultura e à remuneração justa do criador(a).
Ou seja, não se trata de dizer que o criador não tem que receber nada e que tudo tem que ser de graça, mas de perceber que o mundo mudou radicalmente e que a atual legislação que se aplica ao mundo físico das cópias escassas faz pouco sentido sentido no novo universo digital.
Por exemplo: hoje somos multidões de criminosos quando disponibilizamos ou baixamos músicas para uso privado e sem fim de lucro, somos criminosos quando copiamos mesmo aqueles livros em processo de destruição pelo tempo e manuseios. Vale perder o livro, mas jamais copiar. Somos também criminosos quando copiamos livros esgotados.
Esse sistema de acesso e produção cultural hegemônica é agora fortemente impactado pela chamada “sociedade da informação e do conhecimento”, pela “revolução da informação, da comunicação” e das “redes sociais”.
A lei tal como está hoje é péssima para a cultura e para a música, não permite a ampla divulgação de bens culturais na rede, nem muito menos a transparência no processo de arrecadação e repasse dos valores de direitos autorais.
As entidades representativas de autores tem manifestado-se contra, mas a reforma da legislação autoral é também sugerida pela CPI do Ecad em SP, de onde destacamos o trecho do relatório final: “O que é preciso lembrar é que nenhum Estado moderno concede monopólios sem prever instâncias administrativas de supervisão e regulação. É uma prevenção contra possíveis abusos no exercício do direito. Por isso a exigência mínima que encontramos na maioria dos países é que os regulamentos de cobrança e tabelas de preços devam ser submetidas a uma instância pública, que muitas vezes é o órgão responsável pela regulação da concorrência.” http://www.al.sp.gov.br/StaticFile/documentacao/cpi_ecad_relatorio_final.htm
Por isso tudo, entendemos que quem baixa música sem fins lucrativos não é criminoso nem pirata, é divulgador! Semeia gratuitamente a cultura à medida que partilha conteúdos culturais.
E assim nos manifestamos a favor da revisão da legislação autoral destacando os seguintes pontos necessários ao avanço:
1 – Permitir na internet cópia de obra integral para uso privado sem fins de lucro;
Artigo 46, aborda a possibilidade de cópia privada, mas não trata de troca de arquivos pela internet, ou seja as redes p2p continuarão ilegais no Brasil. Sabemos que o Brasil é signatário de diversos acordos internacionais que dificultam legalizar o p2p, mas com esse processo de consulta, cabe ao Brasil levar esse debate aos organismos internacionais.
Por isso defendemos que a reforma da Lei de Direitos Autorais leve em conta o processo de trocas na rede. Tanto a atual lei autoral quanto a proposta de reforma não levam em conta que os conteúdos culturais não são competitivos entre si, podem ser compartilhados amplamente, sem que haja a escassez. Legalizar a disponibilização dos materiais e cópias digitais integrais irá superar a concentração da produção cultural, desde que esteja evidenciado o uso privado sem fins de lucro. Dessa maneira o Brasil irá ampliar a disseminação cultural, promover artistas e autores e diversificar o acesso dos usuários. Ao contrário do que prega a indústria cultural, que irá diminuir suas margens de lucros com a nova realidade, a livre circulação de conteúdo cultural na internet é um ponto fundamental para a produção de conhecimento. A sociedade ganha como um todo.
Artistas, autores, produtores, intérpretes, investidores e o público. É isso que queremos: uma maior distribuição de recursos, incluindo também criadores iniciantes e independentes, na economia da cultura.
Ainda, nesse tema no artigo 46 – Inciso I e II, concordamos quando a proposta menciona que está autorizada a reprodução e a conversão de formatos para seu uso privado e não comercial, e notamos complexidade para regulamentar a parte: desde que “… obra legitimamente adquirida, desde que feita em um só exemplar e pelo próprio copista… “.
Como podemos saber se a obra foi ou não adquirida legitimante e se foi feita apenas 1 cópia e quem adquiriu? Propomos retirar desses dois artigos a parte: “legitimamente adquirida, desde que feita em um só exemplar e pelo próprio copista”
2 – Na I Conferência Nacional Comunicação, propomos e foi aprovada a seguinte proposta: “PL 401: Toda a produção de bens culturais financiados integralmente com recursos públicos deve ser distribuída utilizando licenças e formatos livres…” (Consulte aqui: http://www.secom.gov.br/sobre-a-secom/publicacoes/confecom/confecom-pdf). Na II Conferência Nacional de Cultura no SUB–EIXO: 2.3 – Acesso, Acessibilidade e Direitos Culturais, aprovou-se entre as 32 propostas prioritárias, a proposta (http://blogs.cultura.gov.br/cnc/files/2010/03/Propostas-32-finais.pdf): “124 – Criar dispositivos de atualização da lei de direitos autorais em consonância com os novos modos de fruição e produção cultural que surgiram a partir das novas tecnologias garantindo o livre acesso a bens culturais compartilhados sem fins econômicos desde que não cause prejuízos ao(s) titular(es) da obra, facilitando o uso de licenças livres e a produção colaborativa, considerando a transnacionalidade de produtos e processos de forma que se atinja o equilíbrio entre o direito da sociedade de acesso à informação e à cultura e o direito do criador de ter sua obra protegida, assim como o equilíbrio entre os interesses do autor e do investidor.”
Nenhum autor ou investidor será prejudicado se suas obras estiverem disponíveis digitalmente em formatos livres. Defendemos inserir adequadamente a proposta como um novo artigo na nova lei de direitos autorais. Entendemos que não é justo que conteúdos culturais/artísticos financiados com dinheiro público sejam comercializados a preços de mercado, disponibilizados em formatos fechados e sob os interesses do copyright. Todo o conteúdo produzido com financiamento público deve ser disponibilizado em formatos abertos para garantir a interoperabilidade, ou seja, utilizar por exemplo os padrões: SVG (Scalable Vectorial Graphics), PNG (Portable Network Graphics), Ogg, etc.
3 – Conversão de formatos: Concordamos parcialmente com o artigo 46 – II, propomos a retirada da seguinte parte: “legitimamente adquirida”. Fora essa questão a proposta possibilitará converter os formatos de arquivos e copiar para os diferentes dispositivos eletrônicos, como players musica digital, celulares e computadores.
4- Concordamos integralmente com o artigo 46 inciso XIII.
5- Fiscalização do ECAD – Artigos 98, 98A e 98B – Concordamos com o acréscimo. Concordamos plenamente com a proposta de tornar transparente todo o processo de arrecadação e repasse do direito autoral. Defendemos que todos os valores arrecadados e repassados sejam publicados em página eletrônica na internet em formatos abertos de banco de dados ou planilhas eletrônicas para facilitar a efetivação de cálculos e fácil fiscalização pela sociedade. Defendemos também a criação do Instituto Brasileiro de Direito Autoral, que terá a finalidade de regular e supervisionar as entidades de arrecadação de direitos, e inclusive, que o IBDA seja acompanhado por um conselho gestor eleito pela sociedade, de acordo com a experiência do Comitê Gestor da Internet no Brasil (Cgibr). A partir da experiência do CGIBR, pessoas de cada área da cultura solicitam cadastro para o colégio eleitoral, e após aceito o pedido, qualquer pessoa pode candidatar-se dentro de uma determinada área. Após os candidatos enviam os documentos para a comissão eleitoral e são homologados. Com um período para os candidatos apresentarem suas propostas. Depois a votação é feita pela internet. O processo eleitoral deve fornecer para cada candidato ou votante certificação digital, para dessa maneira a votação ser segura. E é claro, a sociedade civil deve na composição ser maioria que o governo. Dessa maneira o processo será público e com controle social e não apenas estatal ou privado, como se observa hoje no modelo praticado pelo ECAD.
6 – Combate ao Jabá – Artigo 110B – Concordamos com o acréscimo. A proposta torna a prática do jabá algo ilícito. O jabá é um dos principais crimes contra a diversidade musical e cultural brasileira. Devemos acrescentar a esse dipositivo, quais os possíveis praticantes do crime (artistas, produtores, gravadoras, rádios e tvs, etc) e prever punições para cada tipo de agente. O atual mercado da música funciona com sistema de monopólios sem qualquer transparência: o estado garante monopólio ao ECAD. Além disso, há o monopólio da comunicação (concessão pública), que determina quais e em que condições os conteúdos culturais serão executados. Mesmo em decadência as gravadoras ainda apropriam-se dos direitos patrimoniais dos fonogramas de artistas que assinam contratos obedecendo à lógica imposta pelo velho modelo. A saber, modelo arcaico que inclui o sistema de amostragem no tocante ao repasse de direito autoral, onde se apresenta ainda a amplamente executada e sobretudo nefasta prática do jabá que privilegia os grandes conglomerados também denominados “majors”.
Neste ponto, defendemos então:
a – O fim da amostragem para pagamento de direito autoral (já existe tecnologia permitindo aferição online de execução em rádio e televisão, por exemplo);
b – As emissoras de radiodifusão que praticarem o Jabá devem ter suas concessões públicas revogadas;
c – A criminalização de toda prática que, dentro da nova legislação, possa ser definida como jabá.
Também, por tudo isso, debater e propor a reforma do direito autoral é central para a diversidade musical e cultural em nosso país e sobretudo para que haja uma maior distribuição de recursos a um número maior de criadores, autores, músicos, intérpretes, produtores culturais, etc. Sejamos conscientes e participativos nesse processo pois a cadeia produtiva da cultura se beneficiará disso, dos avanços que estão em jogo nesse momento histórico. Por isso, manifeste-se, cobre, argumente e assine esse documento!
Assinam:
- Movimento Música para Baixar – MPB
- A Trupe d’o Teatro Mágico – MPB/SP
- Banda Bataclã FC – MPB/RS
- Banda infantil Zuando Som – MPB/RS
- Banda Mandala Soul – MT
- Banda Nuvens – MPB/PR
- Banda Sol na Garganta do Futuro – MPB/ES
- Banda Top Surprise – Juiz de Fora/MG
- Carlos Aquino dos Santos – Músico e Produtor cultural – coletivo lets rock (rio do sul – sc)
- Christian Garcia – Banda Bleffe MPB/RJ
- Cineclube Cinemando de Sola – Franca/SP
- Diego Lotin – Músico e Produtor cultural – coletivo lets rock (rio do sul – sc)
- Eme Calabar – Selo e portal micróbio grava sons (musinvest música independente)
- Everton Rodrigues – MPB/RS – Integrante do Colegiado de Música do Conselho Nacional de Políticas Culturais
- Fernando Anitelli – MPB/SP – Trupe o Teatro Mágico
- Gustavo Anitelli – MPB/SP – Trupe o Teatro Mágico – Integrante Rede Música Brasil
- Instituto Mandala – MT
- Israel do vVle – Jornalista e Produtor Cultural
- Izabela Freitas – MPB/SP e Jornalista
- Jaqueline Fernandes – MPB/DF – Grio Produções
- Jean Mafra – MPB/SC – Integrante do Colegiado de Música do Conselho Nacional de Políticas Culturais – músico e produtor cultural – coletivo de coletivos de música de santa catarina, scconectada (que representa aproximadamente 200 músicos em todo o estado).
- Jomar Silva – Músico e especialista em padrões abertos.
- Leoni – MPB/RJ – Músico e Compositor
- Lis Rodrigues – Clube Caiubi
- Osmar Ricardo Lazarinni (Sonekka) – Clube Caiubi
- Pedro Jatobá – Coordenador da Rede Colaborativa ITEIA / Diretor de Ações Culturais do Instituto Intercidadania
- Rapper Poeta GOG – MPB/DF – Conselho Nacional Políticas Culturais
- Thiago Pondé - Cantor e Produtor Cultural – CUCA DA UNE - Coordenador Artístico Nacional – Movimento Fanfarra das Artes.
- Ulysses Dutra – Músico e Jornalista
- Vinícius Neves Zimmerman – Músico e Produtor cultural – coletivo lets rock (rio do sul – sc) e presidente da Associação da cadeia produtiva de música de Santa Catarina – MUSICATARINA
#VoudeMercadante -Hoje: SP DE VOLTA PARA O FUTURO c/ @Mercadante
August 10, 2010 - No comments yet
#VoudeMercadante – Hoje: SP DE VOLTA PARA O FUTURO c/ @Mercadante
São Paulo não pode parar, mas esta cada vez mais devagar. Dezesseis anos de PSDB em São Paulo fizeram do Estado mais rico do país um dos mais pobres na Educação. Pagando um dos piores salários para os professores, os tucanos desvirtuaram a avaliação continuada e a transformaram em aprovação automática.
Crianças passam de ano sem aprender. São Paulo merece mais do que isso. São Paulo pode mais.
O Senador Mercadante tem dito que um governante deveria ser avaliado pelo sucesso dos alunos de suas escolas públicas. Se isto fosse efetivamente realizado, os governadores do PSDB paulista seriam todos reprovados.
Precisamos trazer São Paulo de volta para o futuro.
Precisamos de um Estado que pense em desenvolvimento econômico sem esquecer da sustentabilidade ambiental.
Precisamos de um governo que reconheça o talento de nossos artistas e produtores de cultura, que incentive as nossas manifestações mais autênticas e os movimentos culturais que ajudam a construir esta belíssima diversidade cultural. Precisamos de um governo que recupere a TV Cultura, desmontada e desgastada pelos gerentes do tucanato.
Precisamos de segurança com direitos civis. Queremos um governo que considere inaceitável que o crime organizado imponha o terror à nossa população. Que atue para impedir que jovens sejam recrutados pelos olheiros do tráfico.
Precisamos trazer para SP a perspectiva que Lula trouxe para o Brasil. Queremos telecentros, cidades digitais, investimentos no uso e desenvolvolvimento de #softwarelivre e espaços para que nossos jovens ajudem a trazer SP de volta para o futuro.
Como começar esta ação? O primeiro passo é trocar o atual governo. Ele já deu o que tinha que dar. Sua continuidade é o marasmo, a mesmice e um bando de conservadores cansados. Vamos prá frente. Vamos trazer o futuro de volta.
PARTICIPE DA AÇÃO DIGITAL “São Paulo de volta para o futuro com @Mercadante Governador”
Quarta-feira, 11 de agosto: utilize a hashtag #VoudeMercadante
Primeiro horário – 12h às 14h
Segundo horário – 17h às 19h
Melina Rombach
Everton Rodrigues
Tiago Pimentel
Reforma da lei de direito autoral: Já pensou sobre? Ou não precisa?
June 30, 2010 - No comments yet
Quero iniciar este post parabenizando o deputado federal Paulo Teixeira pela coragem, compromisso e iniciativa de publicar o texto: “Reforma da lei de #DireitoAutoral: melhor para a sociedade, melhor para os autores”- http://www.pauloteixeira13.com.br/?p=6167.
Parabenizo também o Ministério da Cultura pela iniciativa e, principalmente, pela condução do processo. Consultar/ouvir (http://www.cultura.gov.br/consultadireitoautoral/consulta/) a sociedade deve ser obrigação do poder público, e devemos fortalecer essa prática a cada dia.
Essa consulta pública nos permite viver e experimentar um momento inédito no Brasil. Ao mesmo tempo que a sociedade brasileira irá deliberar quem serão seus representantes no Parlamento e no Poder Executivo federal, poderão também saber e conhecer o que pensam seus possíveis representantes sobre um dos assuntos mais importantes para o acesso à arte e à cultura no Brasil, bem como para a produção delas.
Por isso, deixo aqui uma questão: você sabe qual a opinião dos seus candidatos sobre o tema Direito Autoral? E você o que pensa? Está bom como está?
O resultado do fórum nacional de direito autoral mostrou total inconformidade por parte de muitos artistas e criadores que participaram dos seminários. Entendo que, para o Ministério da Cultura, foi inevitável propor mudanças na lei diante de tantas reclamações.
Ao ler o texto de Paulo Teixeira e a proposta de reforma da lei, quero aqui destacar 3 questões: Primeiro, concordar plenamente com Paulo quando este aponta, no item 5, a questão do jabá (Artigo 110B). Muito importante a visão, porque o atual mercado da cultura é composto por diversos monopólios.
O mercado da cultura funciona com sistema de monopólios sem qualquer transparência: o estado garante monopólio ao ECAD e sua assembleia geral, composta por 10 entidade representativas de autores. Aliado a isso, há o monopólio de grandes veículos de comunicação, que determinam o que as pessoas devem ou não consumir e sem qualquer controle público. Há também as grandes gravadoras que, na maioria das vezes, por meio de contratos-padrão, obrigam artistas a cederem os direitos patrimoniais de suas obras. Quanto mais esses conteúdos artísticos forem executados, mais os detentores dos direitos ganharão. Fechando o ciclo do sistema, a amostragem e repasse de direito autoral cria a necessidade de existir a normalizada conhecida e amplamente prática do jabá.
Por isso, para diminuir a prática do jabá (alias, o que mesmo funciona 100% no capitalismo? Nada), é preciso instalar um sistema de transparência, e estou totalmente de acordo com proposta do deputado federal Paulo Teixeira, que destaco aqui: “Proponho que todos os valores arrecadados e repassados sejam publicados em página eletrônica na internet, para fácil fiscalização pela sociedade. Além disso, é muito importante que essa fiscalização tenha, inclusive, um conselho gestor eleito pela sociedade. Nesse sentido, devemos considerar a experiência do Comitê Gestor da Internet no Brasil (Cgibr). O processo deverá ser público e não apenas estatal.” (consulte aqui: http://www.pauloteixeira13.com.br/?p=6167)
Em segundo, no item 1 do texto, fala-se da questão da cópia privada. Assim como Paulo, penso que devemos aprovar a cópia privada para uso sem fins comerciais. Dessa maneira, podemos tornar as redes P2P (http://pt.wikipedia.org/wiki/P2P) completamente legais, como defende Sergio Amadeu: “O compartilhamento não deve ser baseado no pagamento”.
Para finalizar, em terceiro, quero acrescentar outra questão: Na Conferência Nacional de Comunicação, a seguinte proposta foi aprovada: "PL 401: Toda a produção de bens culturais financiados integralmente com recursos públicos deve ser distribuída utilizando licenças e formatos livres que não têm direitos autorais." Penso que nessa proposta a parte "que não têm direitos autorais" é desnecessária. (Consulte aqui: http://www.secom.gov.br/sobre-a-secom/publicacoes/confecom/confecom-pdf). Essa proposta deve ser inserida na lei de direitos autorais. Quantas obras são financiadas com dinheiro público e são comercializadas a preços de mercado? Penso que isso não é justo com a sociedade como um todo.
E você, o que pensa?
Everton Rodrigues - Movimento Música para Baixar - MPB e Projeto Software Livre Brasil
O que você gostaria de ver no Noosfero?
June 1, 2010 - 10 commentsNoosfero é o nome da plataforma livre usada na rede social do Fora do Eixo. É uma plataforma desenvolvida pela Colivre (http://colivre.coop.br/).
Poste na seção de Comentários idéias, sugestões, etc que gostarias de ver aplicada aqui na rede social do CFE. Aguardamos!







