Sobre congressos e tudo o mais...- um relato tardio

November 30, 2010, by Silvana Dalmaso - No comments yet

Pois, então...

Movida por uma curiosidade jornalística e também pelo interesse no assunto, em outubro, procurei o Atílio Alencar, integrante do Maconco Coletivo, para ouvi-lo sobre o III Congresso Fora do Eixo que ocorreu naquele mês, em Uberlândia.

A ideia era tirar dele um relato do Congresso, mas o texto produzido acabou ficando mais amplo e envolveu outras discussões também. Também resolvi escrevê-lo com a intenção de entender as dinâmicas do Circuito, já que, aos poucos, ou nem tão aos poucos, estou me integrando ao Macondo Coletivo.

Publico, então, aqui neste adequado espaço, o texto produzido que se configurou como um relato e um exercício de sitematização pessoal minha sobre o circuito e tudo que ele envolve. Minhas desculpas pela extensão demasiada.

 

Sustentabilidade. Esta tem sido uma das principais preocupações dos coletivos espalhados pelo Brasil, segundo relato do integrante do Macondo Coletivo, Atílio Alencar, que, juntamente com Cláudia Schulz, participou do III Congresso Fora do Eixo, ocorrido de 11 a 16 de outubro, em Uberlândia (MG). “É fundamental este debate sobre como manter os coletivos produzindo de forma autosustentável”, avalia Alencar.

Os coletivos já mostraram sua força como células produtoras e disseminadoras de práticas culturais. Mesmo assim, alcançar mais formas de financiamento e viabilização das diversas atividades mantidas por estes grupos ainda é um desafio Atualmente, grande parte dos recursos fomentadores dos coletivos vêm dos editais públicos e leis de incentivo à cultura. No entanto, além de ampliação dessas políticas, é necessário discutir e propor outras perspectivas de sustentabilidade. Foi para isso, entre outras demandas, que representantes de mais de 50 coletivos, de pontos fora do eixo de todo o Brasil, se reuniram no Campus da Universidade Federal de Uberlândia (UFU). O Congresso aconteceu durante o Festival Jambolada, filiado à Associação Brasileira dos Festivais Independentes – Abrafin.

Difícil é relatar a passagem por um Congresso que abarcava temas como políticas culturais, tecnologia social, autogestão, colaboratividade, redes, conhecimento, economia criativa, empreendedorismo, cultura digital, mercado musical, intercâmbio e artes. Para sistematizar essa diversidade, as discussões do evento foram divididas em temáticas: sustentabilidade, circulação, distribuição e comunicação; as mesmas frentes que vem guiando o trabalho dos núcleos dos coletivos. Destes grupos de trabalho formados no Congresso, saíram as propostas que irão orientar o Circuito Fora do Eixo a partir de 2011. “Além de integrar os coletivos, o evento serviu para atualizar os temas e propostas dos coletivos, debater as premissas gerais do Fora do Eixo”, resume Alencar, acrescentando que o Circuito se expandiu muito desde seu início, em 2005. O Macondo Coletivo se integrou ao circuito no final de 2008 e já em agosto de 2010 sediou o Congresso Regional Sul,que reuniu os coletivos do sul do País que integram o Circuito, e foi etapa preparatória para o evento nacional. O rápido crescimento do Fora do Eixo também é algo que tem surpreendido os agentes culturais envolvidos. Cada vez mais pessoas se integram à rede e ampliam-se as potencialidades criativas dos coletivos. E esta expansão se relaciona diretamente com a necessidade de encontrar meios que sustentem o tamanho do Circuito.

O III Congresso Fora do Eixo foi um dos projetos contemplados pela seleção pública de debates presenciais do Programa Cultura e Pensamento 2009/2010, realizado pela FAPEX e Ministério da Cultura, com patrocínio da PETROBRAS. Isso já mostra que o CFE é referência quando se fala em projetos para cultura. “O circuito hoje contribui para a forma como se pensa política cultural no Brasil”, avalia Atílio.

Além da cultura- O avanço das atividades do circuito para outros campos também foi discutido no Congresso. Há o entendimento de que a linguagem cultural é diversa e pode envolver também a ciência, a política e a economia. Por isso mesmo que a economia criativa e solidária foram temas de discussão. A moeda social é um exemplo desta expansão de atuação do FDE. Pelo menos, quatro coletivos já estão utilizando a moeda. No Congresso, houve a inauguração de duas: a LUMOEDA, do Coletivo Lumo, de Recife (PE), e o PALAFITA CARD, do Coletivo Palafita, do Macapá (AP). “A linguagem cultural é muito diversa e pode,sim, avançar para outros campos, por que não?”, questiona Atílio. Em razão disso, também foi pauta no Congresso o Partido da Cultura, o Pcult.

Internacionalização – O Fora do Eixo também pode atingir outros países latino-americanos. Em Buenos Aires, já existe um ponto fora do eixo que tem participado das discussões. Um exemplo dessa integração já aconteceu no Congresso da Regional Sul, em Santa Maria, e se intensificou ainda mais no Festival Macondo Circus, que ocorreu de 21 a 27 de novembro, contando com a presença de 13 integrantes do coletivo Sintomática, da capital argentina.

Integração - A integração e a colaboração entre os coletivos já se concretiza há alguns anos. O Festival Grito Rock, que neste ano teve a participaçao do Macondo Coletivo, e a 1ª Semana do Audiovisual (SEDA), também organizada pelo coletivo de Santa Maria, são exemplos de eventos do Circuito Fora do Eixo que ocorreram simultaneamente em vários cidades do País. Essas e outras iniciativas vem ao encontro de uma das bandeiras do Circuito: a democratização da cultura. Em Santa Maria, o Palco Fora do Eixo, que agrega grupos teatrais independentes de diferentes coletivos brasileiros, promove e divulga manifestações cênicas a baixo custo para a comunidade. O Clube de Cinema Fora do Eixo, que conta com mais de 30 cineclubes, também é outra iniciativa que se soma à formação de um público apreciador de cultura. Com apoio do Clube e do programa Cine Mais Cultura, os cineclubes dos coletivos e os núcleos de produção têm se fortalecido. O Fora do Eixo conta com uma distribuidora de filmes, a DF5, que apresenta um catálogo de produções que podem ser exibidas pelos cineclubes. Estes são apenas alguns exemplos da amplitude de atividades culturais produzidas pelos coletivos. “Estamos numa rede que a cada momento é potente. Saímos do Congresso com a certeza de que precisamos fortalecer cada vez mais o circuito aqui no Sul”’, aponta Atílio.

Mas a integração entre coletivos e a organização das ações não ocorre somente nos festivais e congressos. A troca de ideias e as reuniões de trabalho são uma constante na rede mundial de computadores. Reuniões dos grupos de sustentabilidade, circulação, comunicação, audiovisual, cinema, teatro e artes ocorrem quase semanalmente na internet por meio de ferramentas como Skype e IRC. O portal Fora do Eixo é a plataforma que congrega todas as ações e os integrantes do Circuito.Trata-se de uma rede social aberta a todos que quiserem. Ao se cadastrar no portal, os participantes podem administrar seus blogs, participar de comunidades e se informar sobre todas as atividades do Circuito Fora do Eixo.



"Quando fecho os olhos"

November 9, 2010, by Silvana Dalmaso - No comments yet

Que expectativa uma pessoa pode ter antes de assistir a um anunciado espetáculo de artes integradas?

Que vai ter teatro, música, dança, artes visuais e imagens? Como assim?

Os núcleos de diferentes artes do Macondo Coletivo decidiram se unir para montar "Quando fecho os olhos", peça que será apresentada nesta quarta-feira, dia 10, no Theatro Treze de Maio, às 20h30min.Cartaz_quando_fecho_os_olhos

Conforme o material de divulgação do evento, o "espetáculo surge da contaminação recíproca entre o conjunto de ações criadas pelos atores da Cia. Teatro de Bolso (Núcleo de Experimentação Teatral Indisciplinar) a partir dos textos dos blogs dos integrantes do Núcleo de Literatura, da trilha sonora composta e executada pela Banda Rinoceronte, do Objeto SD0.5 criado pela Sala Dobradiça – Núcleo de artes visuais – e das interferências imagéticas criadas pelo Núcleo de Audiovisual".

Música, dramaturgia, poesia, artes visuais e interferências imagéticas dialogando numa mesma peça.

Intrigante? Sim. Curioso no mínimo.

No Twitter, a coordenadora do núcleo de audivisual do Macondo Coletivo, Carolina Berger, já fez as provocações sobre o espetáculo:

"Sobre "Quando fecho os olhos"?! Uma peça de artes integradas! Artes visuais, música, artes cênicas, imagens em movimento... Um transe!!!!Um transe feito de arte! Diz-se que será um transe continuo"

Porque...

para continuarmos a viver, temos que morrer um pouco...

 

É no Treze, dia 10. E a entrada custa só dez reais . Para estudantes é cinco.

Mais informações no blog do Macondo Coletivo.

 



Envolta em múltiplos

October 4, 2010, by Silvana Dalmaso - 2 comments

Quero aqui registrar uma coisa legal que fiz durante a semana passada: ajudei a montar os múltiplos da Sala Dobradiça, a salinha de exposições de arte contemporânea (muito chique!) do Macondo Coletivo.

Então, deixei um pouco os estudos de lado para me dedicar aos trabalhos manuais de montagem dos múltiplos. Dobrar, colar, segurar a cola, furar a etiqueta, cortar o durex em pedacinhos, colocar o fiozinho...tudo tão delicado...Ficaram tão bonitos!

E neste processo todo eu fiquei querendo ter nascido com alguma habilidade manual, alguma vocação artística. Eu não sei desenhar, nem pintar, nem fazer coisas minúsculas com as mãos, nem costurar como a minha mãe, nem fazer coisas legais no computador. Falta criatividade! E falta senso estético também. O que eu faço meia boca é escrever de vez em quando. Escrevo textos para meu blog e (tento) escrever para a dissertação.

Só que ver um texto pronto não traz a mesma emoção de ver um múltiplo pronto. Óbvio que o múltiplo não é meu. Mas eu contribui para ele ficar da forma que tinha que ficar. E isso me trouxe um contentamento temporário.

Além disso, montar as caixinhas ao lado da Desiree, da Alessandra, do Kareka, da Bianca, do Atílio, da Pelúcia,etc,  foi bem legal. Legal também foi ver que todo mundo levou caixinhas para casa para montar. As caixinhas do Elias viajaram por diversos apartamentos, envolveram familiares, mobilizaram várias pessoas...Foi um trabalho coletivo mesmo, múltiplo, dos integrantes do Macondo Coletivo.

Meus parabéns à equipe da Sala Dobradiça. Meus parabéns ao trabalho do Elias. Ficou lindo! Meus parabéns aos artistas que participaram do projeto. Trabalhos interessantíssimos que eu nunca vou conseguir fazer, por isso os invejo. Sigo escrevendo..P1040072.