Baliu

November 9, 2010, by Roberta Henriques - 3 comments

 

 

 

Na hora da festa, exatamente na primeira cerveja ouvi: “A gente precisa muito de vocês aqui”. Essa foi uma das frases de impacto que ouvi em Ipatinga no Festival Balido realizado pelo coletivo Pé de Cabra. Neste momento o Candeeiro Encantado tinha acabado de tocar e mandou tão bem que fez até alguns membros sérios e reservados do Pegada mostrarem todo seu gingado no meio do salão.

 

Ali conheci uma galera muito a fim de trabalhar, de conhecer o Circuito e de oferecer à cidade mais que os eventos com “grandes” nomes pops como foi dito por alguém no debate que deu início ao festival. Inclusive o debate foi um bom momento pra avaliar o que aconteceu em Ipatinga: ele foi pensado de forma bem espontânea como disse o Wellder do Pé de Cabra, eles juntaram algumas pessoas que consideravam boas para dar um caldo na discussão. O debate rolou enquanto as pessoas compravam e bebiam cerveja, muitas conversavam ao fundo do “salão” do clube, várias se empolgavam com as conversas entre amigos, e riam e falavam alto. E a mesa empenhada em cumprir seu papel, impassível, prosseguiu a discussão que conseguiu prender a atenção de alguns que fizeram intervenções interessantes ao final, coisa de quem se atentou ao que era dito. Aqueles poucos que valem muito a pena.

Balido

Ao final do debate, fim também dos dois ambies criados ali, virou tudo festa. Entre covers e autorais, a galera não polarizou nada, queria se divertir. Mas a vizinhança se incomodou com a diversão, a polícia chega no meio do show do El Efecto e Xyku que tava empolgadão teve de segurar a onda e ir conversar com os policiais. Algumas reclamações da altura do som, mais uma e levariam o cara preso. Água fria na galera, nem me fala, o show do El Efecto estava incrível! Na rodinha que se fez na entrada do salão, o pessoal do coletivo, os amigos exaltados e os policiais, no resto do salão, as pessoas reclamando e sugerindo “é só abaixar o som!”.

 

Fim da festa, lei do silêncio, precaução do pessoal do coletivo. Alguém ameaça uma revolta “quero meu dinheiro de volta!”. Mas, curiosamente, o clima de festa se manteve, do bar à banquinha do Pegada. O festival foi uma mostra do que pode ser feito na cidade com pessoas dispostas a trabalhar e se conectar. E que nada! Ipatinga não precisa tanto dos “de fora” como precisa dessa galera que está lá no dia-a-dia tentando a duras penas movimentar a cena, se conectando com o mundo e incluindo no debate essa nova forma de produzir e trabalhar cultura. Ipatinga precisa do Pé de Cabra e do Balido berrando bem alto!

 

 



Estão tocando o nosso samba duro

November 9, 2010, by Roberta Henriques - 4 comments

 

Daqui a um segundo já é futuro, “um passo a frente e você não está mais no mesmo lugar”.  Somos o futuro da geração de Gil? Quantos passos demos, em que lugar estamos? Quanto a geração de Gil teve de caminhar e retroceder pra que a nossa dissesse “a coisa já não pode ficar como está”?

 


Futurivel

 

O revólver do coração de Gil “atirava no que via, mas não matava o desejo do que ainda não existia”, Gil já era futuro, firme alicerce dessa moçada descontente que sente que seu “coração não quer nada no futuro, ele só quer pra já, já que está maduro”. Enquanto a geração de Gil assentava-se no “seguro de vida, no pecúlio” que era sua garantia, ele era um novo anjo do inferno que colocava “qualquer coisa em seu lugar”, até o que não tinha lugar – o desejo, a revolta, a náusea, o sonho.

 

Só uma galera que tinha “passado-futuro-presente fundido e confundido” em suas mentes poderia gerar um tempo onde o tempo é outro. A macacada hoje alardeia por aí:  fiquem espertos, “no futuro você vai tocar meu samba duro sem querer”. Isso já foi ontem, toca-se hoje esse samba duro e toca-se porque quer.



Isso ainda vai nos levar além

October 21, 2010, by Roberta Henriques - 4 comments

Foi na estrada onde meu pensamento começou, cheguei do congresso em Uberlândia no último domingo, foram algumas horas de viagem até BH. Estranhamente após 8 dias fora de casa, cheguei e já queria sair novamente, não sei pra onde. A urgência provavelmente veio da excitação do congresso e de alguns encontros vividos nele, mas principalmente, de vários momentos nos quais senti É ISSO! Não tenho convicção nenhuma, não sei qual o melhor caminho, sou um fracasso no uso de mapas, nunca sei muito por onde ir, raramente tenho certezas. Minto! Tenho uma certeza: a de que o caminho deve ser sempre experimentado e é aí que se descobre se era o correto. Este é meu caminho, minha única certeza no momento, é como valoro tudo o que experimentei em Uberlândia nos últimos dias.

Encontrei pessoas que fazem de seus projetos, projetos de todos. Pessoas que tem idéias incríveis e as tratam como nossas idéias. Pessoas que fazem dessas idéias projetos realizáveis, lúcidos, despertos pra tudo. Pessoas que se conectam porque assim se sentem amparadas e amparam as outras. Cara, seria a descoberta da roda? Ou o reconhecimento do modo de viver que tá no DNA humano e quase sempre silenciado: gostamos de viver em bando! Opto pela simplicidade da proposta, viver junto é o jeito que sabemos viver. As saídas e as tecnologias criadas não são simples, mas o embrião é: pessoas precisam estar juntas.

Acho Leminski foda: Isso de querer ser exatamente aquilo que a gente é ainda vai nos levar além.