<?xml version="1.0" encoding="UTF-8"?><rss version="2.0"><channel><title>Raul Mariano's RSS feed</title><link>http://foradoeixo.org.br/raulmariano</link><description>Raul Mariano's content published at Fora do Eixo</description><item><title>Sobre disciplinar o ego...</title><description>&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Aqui estou eu mais uma vez com minhas elucubra&#231;&#245;es sobre o comportamento humano. As vezes me pergunto: por que n&#227;o entrei no curso de psicologia? Vai saber. Talvez pelo fato da ostenta&#231;&#227;o de se dizer "Jornalista" naquela &#233;poca ainda fazer algum sentido. A vaidade &#233; mesmo uma faca de dois legumes: faz a gente acreditar no que vai nos ridicularizar um segundo depois.&lt;/div&gt;
&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&#160;&lt;/div&gt;
&lt;div style="text-align: justify;"&gt;E por falar em vaidade, lembrei da aventura que &#233; estar permanentemente perto desses exemplares da esp&#233;cie humana que, cheios de si, se afogam na pr&#243;pria soberba. Passam-se os anos e os comportamentos s&#227;o sempre os mesmos. O cidad&#227;o passa gel no cabelo e pensa que &#233; Reinaldo Gianecchini, o fort&#227;o rebaixa o carro e coloca alto-falantes (mais caros que o pr&#243;prio ve&#237;culo) para sair acordando a cidade inteira madrugada adentro e se fazer notar, o advogado mente despudoradamente para o juiz e para o cliente e se acha um profissional exemplar, o "m&#250;sico" aprende a fazer meia d&#250;zia de acordes e se julga merecedor da fama. E a lista segue sem fim.&lt;/div&gt;
&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&#160;&lt;/div&gt;
&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Est&#227;o todos unidos no mesmo hall e assolados pela mesma car&#234;ncia dessa no&#231;&#227;o que vai muito al&#233;m da "falta de humildade". Uma incapacidade de olhar para si mesmo com mais honestidade. Quando n&#227;o h&#225; espa&#231;o para a auto-cr&#237;tica, a necessidade (inconsciente?) do ser humano de se tornar admirado por seus semelhantes vai se tornando uma meta que - por ser inating&#237;vel - corrompe o car&#225;ter.&lt;/div&gt;
&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&#160;&lt;/div&gt;
&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&#201; comprovadamente dif&#237;cil conviver com gente que n&#227;o consegue segurar as r&#233;deas. Gente que acaba, n&#227;o apenas alimentando o fogo, mas caindo de cabe&#231;a na fogueira do pr&#243;prio ego. Por isso, fica claro que a vaidade &#233; uma chama flamejante que n&#227;o se apaga nunca dentro de ningu&#233;m, mas que em alguns &#233; mais branda, e em outros, se me &#233; permitido o eufemismo, um pouco feroz.&lt;/div&gt;
&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&#160;&lt;/div&gt;
&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Dessa maneira, h&#225; quem pense, h&#225; quem aja e h&#225; quem n&#227;o pense nem aja, apenas fale. E a ret&#243;rica inflamada em prol da auto-promo&#231;&#227;o &#233; como um bicho-de-p&#233; que o sujeito percebe, mas finge n&#227;o ver s&#243; para curtir aquela coceirinha gostosa que d&#225; enquanto o bicho cresce. O problema &#233; que as vezes o bichinho cresce demais, se transforma em enfermidade e come o p&#233; inteiro. A&#237; n&#227;o tem sa&#237;da, s&#243; amputando.&lt;/div&gt;
&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&#160;&lt;/div&gt;
&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Ent&#227;o, se tiramos a viseira e olhamos ao redor com um pouquinho mais de aten&#231;&#227;o, notamos que tem "perneta" aos montes em cima de palanque fazendo discurso, em cima de palco cantando, conjecturando em importantes reuni&#245;es, dando serm&#227;o a frente de assembl&#233;ias em igrejas, em todo o canto em que haja gente.&lt;/div&gt;
&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&#160;&lt;/div&gt;
&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Mas a vaidade exacerbada &#233; o verdadeiro tiro que sai pela culatra. O vaidoso - cedo ou tarde - cai na realidade, cai do palanque, cai do altar. Seu tapete &#233; puxado pelo senso de desconfian&#231;a que povoa o inconsciente coletivo. Ele &#233; humano e fal&#237;vel. Pass&#237;vel de erro. E quem erra n&#227;o tem perd&#227;o.&lt;/div&gt;
&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&#160;&lt;/div&gt;
&lt;div style="text-align: justify;"&gt;A crueldade humana para atirar pedras nos que cometem falhas &#233; proporcional a sua imbecilidade para adorar os vaidosos.&lt;/div&gt;
&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&#160;&lt;/div&gt;
&lt;div style="text-align: justify;"&gt;E d&#225;-lhe pedrada!&lt;/div&gt;</description><pubDate>Mon, 26 Jul 2010 08:36:01 -0300</pubDate><link>http://foradoeixo.org.br/raulmariano/blog/sobre-disciplinar-o-ego...</link><guid>http://foradoeixo.org.br/raulmariano/blog/sobre-disciplinar-o-ego...</guid></item><item><title>LOUCURA QUE COMPENSA?</title><description>&lt;p&gt;&#160;&lt;/p&gt;
&lt;div&gt;
&lt;div style="margin-top: 0px; margin-bottom: 0px; text-align: justify;"&gt;(Primeiro post. S&#243; pra come&#231;o de conversa...)&lt;/div&gt;
&lt;div style="margin-top: 0px; margin-bottom: 0px; text-align: center;"&gt;&lt;strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div style="margin-top: 0px; margin-bottom: 0px; text-align: justify;"&gt;
&lt;div style="margin-top: 0px; margin-bottom: 0px; text-align: justify;"&gt;Poucas sensa&#231;&#245;es na vida podem ser t&#227;o legais e excitantes quanto a de se tocar em conjunto. E isso exclui a necessidade de se ter um p&#250;blico ouvinte. Tocar com uma banda j&#225; &#233; instigante no pr&#243;prio ensaio, quando apenas os integrantes s&#227;o a plat&#233;ia. Perder horas a fio com quatro marmanjos, trancado dentro de um c&#244;modo com isolamento ac&#250;stico fazendo m&#250;sica est&#225; entre as atividades mais prazerosas da vida desse nobre m&#250;sico que vos escreve. Mas, indo direto ao assunto, &#233; preciso considerar que um indiv&#237;duo desinformado quase sempre &#233; iludido. E que o indiv&#237;duo iludido quase sempre d&#225; com os burros n'&#225;gua. E quem d&#225; com os burros n'&#225;gua quase sempre &#233; infeliz.&lt;/div&gt;
&lt;/div&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;div style="margin-top: 0px; margin-bottom: 0px; text-align: justify;"&gt;Eu vejo amigos m&#250;sicos se consumindo com a frustra&#231;&#227;o de perceber, cada vez mais longe, as luzes dos holofotes e dos flashs, as noites em hot&#233;is cinco estrelas, a tietagem das f&#227;s hist&#233;ricas e os cach&#234;s (ah, sempre eles) exuberantemente altos. N&#227;o sinto a menor pena. Para o futuro idealizado por eles, &#233; mesmo de fazer sofrer o retrato da atual realidade. Muita gente que trabalha com m&#250;sica autoral - e deseja fazer disso um ganha p&#227;o - ainda pensa que, um dia, um produtor de uma major vai chegar sorridente, abrir um envelope e tirar de l&#225; de dentro um contrato milion&#225;rio garantindo tudo que &#233; preciso pra produzir e distribuir seu trabalho.&lt;/div&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;div style="margin-top: 0px; margin-bottom: 0px; text-align: justify;"&gt;R&#225;!&lt;/div&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;div style="margin-top: 0px; margin-bottom: 0px; text-align: justify;"&gt;Sei o quanto &#233; dif&#237;cil n&#227;o se render ao saudosismo e desejar que as coisas voltem a ser como eram h&#225; duas d&#233;cadas atr&#225;s, mas o mundo muda, as coisas andam (mesmo que para tr&#225;s) e &#233; preciso, ao menos, entender a atualidade. &#201; triste (ou feliz?) notar que n&#227;o d&#225; mais pra conceber a id&#233;ia de que basta ser talentoso para se chegar a um patamar de reconhecimento e valoriza&#231;&#227;o merecido. Se isso fosse o bastante n&#227;o haveria no mundo espa&#231;o para tantos artistas que podem ser definidos como "merecedores de aten&#231;&#227;o".&lt;/div&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;div style="margin-top: 0px; margin-bottom: 0px; text-align: justify;"&gt;Ent&#227;o digo aos meus amigos m&#250;sicos que &#233; preciso acordar para o presente. Fa&#231;o meu discurso acalourado sobre "a mola motriz dos homens: a produ&#231;&#227;o e o consumo". Insisto em tentar mostrar que a arte tamb&#233;m j&#225; foi, h&#225; tempos, apropriada por esse sistema no qual estamos inseridos enquanto sociedade. Proclamo que o caminho da independ&#234;ncia &#233; &#225;rduo e talvez mais long&#237;nquo do que eles possam imaginar, mas a &#250;nica sa&#237;da pontual para que seja poss&#237;vel externalizar, ainda nessa vida, todo o potencial art&#237;stico neles aprisionado. Tudo em v&#227;o.&lt;/div&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;div style="margin-top: 0px; margin-bottom: 0px; text-align: justify;"&gt;A vida da gente &#233; um eterna busca por reconhecimento e se descobrir um sonhador (no sentido pejorativo da palavra) pode ser, para muitos, doloroso demais. Se falta coragem para a encarar a verdade nua e crua pode ser hora de mudar os planos, mudar de rumo, levar a vida que seus pais sempre sonharam pra voc&#234;. Tradicional na medida do poss&#237;vel e organizada o bastante para que a fam&#237;lia se orgulhe de voc&#234;. Agora, se a necessidade de contribuir para uma mudan&#231;a maior, que talvez s&#243; seja percebida muito tempo depois, lateja dentro do seu peito o tempo todo, &#233; hora de arrega&#231;ar as mangas e dar a cara a tapa.&lt;/div&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;div style="margin-top: 0px; margin-bottom: 0px; text-align: justify;"&gt;A proposta da m&#250;sica independente n&#227;o &#233; minha nem come&#231;ou ontem, mas a vontade de v&#234;-la s&#243;lida e estabelecida sustentavelmente permite que eu me compare a Santos Dummont, ao come&#231;ar a divulgar suas primeiras id&#233;ias sobre a constru&#231;&#227;o de uma geringon&#231;a pesada que pudesse transportar pessoas pelo c&#233;u. A n&#227;o ades&#227;o dos meus amigos me faz pensar sobre o quanto somos domesticados pela maldita m&#237;dia que crescemos vendo e que dita como as coisas devem ser por muitos e muitos anos. Mesmo que as coisas j&#225; n&#227;o aconte&#231;am com aconteciam h&#225; d&#233;cadas, tem gente que ainda pensa do mesm&#237;ssimo jeito. E o pior: desperdi&#231;a todo seu esfor&#231;o de trabalho em prol de projeto que j&#225; nasce falido.&lt;/div&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;div style="margin-top: 0px; margin-bottom: 0px; text-align: justify;"&gt;J&#225; foi-se o tempo em que artista (mais especificamente m&#250;sicos) dispunha de regalias como se fosse um ser superior, dotado de poderes exclusivos que o fizessem inigual&#225;vel. Os que hoje ainda gozam desse tipo conforto n&#227;o s&#227;o naturalmente artistas, mas rob&#244;s humanos fabricados por uma multinacional do ramo da m&#250;sica que cria primeiro a moda para depois injetar nela seus &#237;cones. O m&#250;sico bem sucedido hoje n&#227;o se d&#225; ao luxo de "apenas" compor, gravar e tocar. &#201; preciso entender a reconfigura&#231;&#227;o do cen&#225;rio cultural - sobretudo no Brasil onde as coisas fervilham mais do que nunca - e estar ciente de que para estar tocando e vivendo efetivamente de m&#250;sica o sujeito tem que literalmente "botar a m&#227;o na massa".&lt;/div&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;div style="margin-top: 0px; margin-bottom: 0px; text-align: justify;"&gt;Viver de banda &#233; viver para a banda. No &#250;ltimo show dos M&#243;veis Coloniais de Acaj&#250; (que se autodenomina uma banda-empresa) em BH, vi com os pr&#243;prios olhos o que &#233; o processo de autogest&#227;o. Sim, muitas bandas t&#234;m, frequentemente, produzido seus shows. Os m&#250;sicos tem sido produtores, t&#233;cnicos de som e ilumina&#231;&#227;o, roads, motoristas, publicit&#225;rios, panfleteiros, em suma, pau pra toda obra. No caso do MCA, que possui nada menos que 9 integrantes, as atividades se dividem e d&#225; pra ver que, no fim das contas, o esfor&#231;o de cada m&#250;sico junto com a toda a equipe foi recompensado. Hoje a banda &#233; um expoente no cen&#225;rio independente brasileiro e um "case de sucesso" pra qualquer um que queira enveredar por esse caminho. O que d&#225; orgulho de ver &#233; que ningu&#233;m ali est&#225; rico com banda, mas pergunte a eles se eles est&#227;o insatisfeitos.&lt;/div&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;div style="margin-top: 0px; margin-bottom: 0px; text-align: justify;"&gt;Exemplos assim est&#227;o se tornando comuns Brasil a fora e isso entusiasma tanto que divulgar e tentar fortalecer a cena passa a ser uma obriga&#231;&#227;o, um projeto de vida. Ainda h&#225; muito (muito mesmo!) a ser feito por mim e por todos os que j&#225; se uniram em prol dessa causa. Mas esse &#233; um sonho em que acredito tanto que j&#225; me sinto realizado s&#243; por estar lutando.&lt;/div&gt;
&lt;/div&gt;</description><pubDate>Sat, 17 Jul 2010 09:05:41 -0300</pubDate><link>http://foradoeixo.org.br/raulmariano/blog/loucura-que-compensa</link><guid>http://foradoeixo.org.br/raulmariano/blog/loucura-que-compensa</guid></item></channel></rss>
