Por Uma Cultura Mais Democrática
November 29, 2010 - No comments yet
Não se vive só de arte. O artista, aquele ser que muitas vezes é pouco compreendido pela sociedade, precisa obviamente, como todos, sobreviver. Em meio a uma crise geral da arte contemporânea com a multiplicidade de linguagens, o artista ainda precisa buscar formas de ter uma renda – não são raras as vezes que ele trabalha como professor ou instrutor de oficinas. Mas há outros caminhos para que este artista realize seu maior sonho - viver de sua própria arte. Nos últimos anos, as leis de incentivo à cultura vieram para substituir o papel de mecenas, aquele pai que adotava um artista em troca de suas obras de arte.
Em Sete Lagoas, a Lei Municipal de Incentivo à Cultura foi aprovada e sancionada em 1998, ou seja, 12 anos atrás, da mesma forma que o Fundo Municipal de Cultura existe há 17 anos. Ambos, no entanto, nunca saíram do papel efetivamente e não cumprem, desta forma, seu papel de incentivadores culturais.
Com o objetivo de levantar a discussão sobre o tema, o Coletivo Colcheia e o vereador Dalton Andrade promovem em conjunto no dia 06 de dezembro, no Museu do Ferroviário, uma mesa de discussão com o tema “Novas formas e meios de fazer cultura”.
Para abordar o assunto, foram convidados o Secretário de Cultura de Sete Lagoas, Fred Antoniazzi, que vai tratar da realidade local, e um dos mentores da rede nacional Fora do Eixo, Talles Lopes, de Uberlândia, que tem uma vasta experiência com políticas públicas de cultura a ser compartilhada.
A expectativa geral com este encontro é que a partir do debate as leis municipais de fato passem a financiar projetos culturais de artistas e grupos de Sete Lagoas, tendo como base tanto a doação de empresas e pessoas físicas ao Fundo Municipal de Cultura quanto o patrocínio via a dedução do ISS (Imposto sobre Serviços) por contribuintes que optem por apoiar iniciativas culturais ao invés de recolher o imposto diretamente aos cofres públicos.

Serviço:
Observatório Fora do Eixo e Projeto Viva Voz apresentam:
Novas Formas e meios de fazer cultura
Dia 06/12, segunda-feira, às 19h30
Museu do Ferróviário
Será que o hoje era o que Gil esperava do futuro?
November 11, 2010 - No comments yetFuturível. Um futuro possível. Será que o hoje era o que Gil esperava do futuro?
Um show que reunirá Macaco Bong e Gilberto Gil em um mesmo palco, tocando juntos. Será um novo vocalista para o Macaco ou uma nova banda pra Gil? Nem um nem outro, uma mistura de sons, melodias e músicas totalmente inusitada.
Um marco para a história da música e cultural do país. Personalidades ativas do campo cultural, com articulação política bem estabelecida. Dois ativistas na cultura nacional, um da década de 60 e um dos dias de hoje, que lutam por uma cultura mais acessível e democrática, levada a mãos de "Artista Igual Pedreiro", que ao mesmo tempo que tocam carregam caixas e ajudam na produção.
O show não será apenas uma apresentação, mas a afirmação que não estamos tão "Fora do eixo" assim, pelo contrário, estamos mais dentro desse eixo do que nunca. Movimentamos a cultura independente do país. Fazemos girar o círculo produtivo da música, e não só da música, agora com novas frentes e novas tendências que possam abranger a cultura em si, nas suas mais diversas linguagens.

O Futurível chegou! É agora! É a luta de Gil realizada nos dias de hoje por Macaco Bong e o Circuito Fora do Eixo. É um encontro muito mais significativo do que estético, embora a estética impressione a todos pelo nível de qualidade.
É isso que quero pra vida!
October 22, 2010 - 4 commentsTudo começou quando Talles (Goma) e Lucas (Pegada) foram em Sete Lagoas para nos explicar melhor o que é o Fora do Eixo. Lá falaram de caixa coletivo e dedicação exclusiva. O que fizemos depois da reunião? Fomos para um bar e rimos daqueles caras utópicos e socialistas ao extremo.
Queria mostras como tudo isso foi sendo (re)ssignificado para mim, aos poucos.
Local:

Meu processo de ressignificação começou no Gramophone, festival do Colcheia que foi no início de setembro. Lá pude sentir na pele como é compensador promover a cultura e ver as pessoas interagindo com ela. Tudo que a gente queria nós conseguimos, com muita raça e trabalho. Eu fiz, desde faxina no QG a sangrias durante o festival, enfrentei a dificuldade de lidar com dinheiro na hora de acertar as contas...mas no final deu tudo certo, e como deu certo. No final eu só observava a movimentação com os olhos lacrimejados de tanta emoção. O festival foi um sucesso e agora o Colcheia tem muito mais visibilidade na cidade e até dentro do circuito porque provamos que não é porque entramos agora que estamos pra trás.
Regional:

Uma semana depois chega o Congresso Regional e o Transborda, experiências únicas que também contribuíram, e muito para o meu amadurecimento. Comecei participando da oficina de midialivristas, no primeiro dia com a participação da Mi (coletivo Pegada) e do Ney (Espaço Cubo). Lá percebi como o campo da comunicação é amplo e decidi em que vertente quero me entregar, nada de formalismos exagerados e censuras, quero ser livre para me expressar! Nos outros dias já começamos a produzir, porque além da teoria teríamos a prática, e que prática. Um dos fatos interessantes foi a equipe da oficina, gente que não conhecia o circuito e ao participar também do congresso pode ir aprendendo, cheguei a ouvit: "Mas isso que vocês fazem é totalmente contra a cultura capitalista né? Que legal! E esse tal de caixa coletivo, não dá briga?" e muitas dúvidas que com minha humilde experiência fui respondendo. Ver os olhos brilhando de gente que começava a ter contato com o circuito e já estava se interessando é um sinal que isso é, realmente, uma proposta inovadora e que atrai pessoas de todos os lados.
E o Transborda chegou, aí foi só mão na massa, trabalhar, trabalhar e trabalhar, de todas as formas que eu pude, ajudando o pegada e fazendo a cobertura colaborativa do festival e, no meio disso tudo, aprendendo, afinal de contas eu nunca tinha feito nada igual. Era texto atrás de texto, entrevista atrás de entrevista ajuda aqui, ajuda ali e os shows rolando. Tudo isso até a exaustão, porque no último dia meu corpo só queria banho e cama mas minha mente e coração aguentavam mais uma semana, quiçá um mês! E quando todos menos esperavam o show do BNegão começou e esse foi o primero presságio do fim. E acabou. Mas não para aqueles que lá restaram. Era possível ver nos olhos de cada um a paixão que entregaram pra aquilo tudo acontecer e ser como foi, um sucesso.
Esse foi outro momento de ressignificação, vi que o trabalho coletivo dá conta de tudo, enfrenta qualquer desafio e o tão falado sangue no olho existe. Me senti integrada em uma equipe que não era a minha e tive total liberdade para ajudar, trabalhar e até opinar quando preciso, isso sim é coletividade, estar integrando, independente de qualquer coisa.
Nacional:

Mais uma ou duas semaninhas pra colocar a vida em ordem e chega o momento mais esperado de todos, o momento em que eu realmente ia conhecer e entender o circuito do qual eu já fazia parte. O Congresso Fora do Eixo Nacional, onde estariam reunidas 300 pessoas com um mesmo objetivo que eu também compartilhava sem ao menos saber qual era. Impossível descrever tudo que vivi nessa semana. A cabeça o tempo todo a mil, assimilando e entendendo conceitos que eu só tinha tido contato de longe, as vezes beem longe. A metáfora da esponja nunca foi tão bem empregada, eu estala lá para absorver, o máximo que eu pudesse. Aos poucos a esponja vai desinchando pois os conteúdos vão sendo assimilados. Aprendi muito, entendi o processo. Pude ver estampado no rosto de cada um dos 300 presentes que aquilo tudo que estávamos vivendo em uma semana seria aplicado em uma vida inteira e foi aí que vi que eu também quero.
Depois de todas essas experiências pude, então, ter a certeza absoluta do que eu quero. Quero esse socialismo ao extremo e essa utopia da qual que ri quando Talles falou. Quero o circuito para a vida. Quero me dedicar a isso com unhas e dentes. Quero trabalhar cada vez mais integrada. Quero defender a cultura nesse país!
E hoje, a cada texto que leio, foto que vejo ou lembrança que tenho meus olhos lacrimejam novamente, porque tenho a certeza que isso tudo é muito profundo e que não é possível não mexer com o sentimental de qualquer um.
O show do Porcas Borboletas
October 13, 2010 - No comments yetJá que nem todo mundo é de ferro um showzinho pra relaxar não faz mal a ninguém. Mesmo com todas as informações para processar, os trabalhos para finalizar e ter de acordar cedo no dia seguinte com todo o gás alguns congressistas decidiram dar uma esticada no show do Porcas Borboletas, uma das maiores bandas do circuito e que agrada grande parte da galera.
Sei que toda concentração e disposição é necessária para o processo de apreensão do que é repassado e discutido durante o congresso, entretanto deixar a cabeça livre para curtir uma boa música também é necessário, além de fazer um social para conhecer não só o lado profissional de todo mundo, mas também o pessoal.
E por mais que queiramos "fugir" do congresso e da enxurrada que o congresso nos oferece não conseguimos, porque apesar de tudo ainda estamos inseridos nos mesmos meios e rodeados de cultura, o alvo, mesmo que indireto, de todas as nossas discussões.
Fora do Eixo Kids e a sustentabilidade
October 13, 2010 - One comment
Surge agora uma nova geração do Fora do Eixo, fruto daquela que já se consolidou. Essa é uma prova do amadurecimento e da certeza de que o circuito deu certo e agora já se alastra por outras gerações. Aqueles que começaram a rede, hoje são os articuladores de um processo muito maior, que é voltado sempre para o crescimento exponencial, e isso pode ser percebido claramente pelas estatísticas de quatro anos pra cá.
O momento atual é o reflexo desse crescimento e, hoje, coexistem dentro do circuito tanto pessoas com uma bagagem maior, com mais experiência quanto jovens que estão dispostos a aprender e se entregar. Ou seja, o contraste de gerações é super produtivo, pois gera relações e convivências muitas vezes inesperadas.
Ver crianças dentro do circuito e no congresso significa que os pais desses realmente estão imersos no movimento, tendo isso como um parte da vida e dos seus projetos futuros. Mostra que não estão simplesmente no oba-oba, que querem e vêem no movimento uma forma sustentável de viver.
Então a maior prova de que dá certo e que é possível são as crianças, pois isso significa mais gastos, mas também uma consolidação da família e da vida. É a prova de que é possível viver disso e contribuir para o processo sem abrir mão da vida particular.
Ontem também foi o dia da sustentabilidade, tema debatido a exaustão, mas ainda sem conclusões claras de quais diretrizes tomar e como fazer-se sustentável e autogestionários. Temas muito discutidos foram a dedicação exclusiva e a sua necessidade para consolidação do trabalho coletivo, o caixa coletivo e suas estratégias de administração, núcleo durável e como o dividir e definir. Enfim, a pergunta que ficou no ar foi se é preciso ser sustentável para se entregar ao coletivo ou se entregando ao coletivo o empreendimento torna-se sustentável? Essa e outras perguntas e inquietações só serão resolvidas em um posterior ao congresso, quando os coletivos se reunirem para discutir e viabilizar, ou não, o que foi proposto. A prática associada a teoria é sempre produtiva. E é seguindo os exemplos que deram certo que caminhamos para a individualidade.













