Belo Horizonte, 16/09/2010. A mescla orgânica entre o fazer cultural e a reflexão sobre políticas públicas.

 

 

A última vez que visitei a cidade foi durante o Conexão Vivo. Passei dias intensos entre o Parque Municipal e o Palácio das Artes, assistindo a shows fantásticos, vivenciando uma energia vibrante a cada artista que pisava no palco. Durante as tardes, debates calorosos entre os que acreditam no produzir cultura como forma de reflexão e resignificação das políticas do setor e outros que (pasmem) acreditam na cultura e na música como algo sublime, acima do bem, do mal e das relações político/sociais. O eterno debate entre estética e conteúdo, a pureza da criação versus frieza da produção.

 

Volto esta semana para BH e revivo os dias de intensa alimentação da mente e da alma. Preencho o espírito com shows lindos como o Di Bigode ou a Banda Tereza e ocupo a mente com diálogos fundamentais para quem pretende viver da cultura e da arte hoje. A noite de ontem nos reservou um ótimo debate sobre o Partido da Cultura em Minas, no Conservatório da UFMG.

 

Compondo a mesa, Lucas Mortimer (Coletivo Pegada), Jane Medeiros (Conservatório UFMG), Bruno Golgher (Savasse Festival), Helder Queiroga (Fórum do Audiovisual), Léo Lessa (Mov. Nova Cena), Vitor Santana (Fórum da Música de Minas) e Pablo Capilé (Circuito Fora do Eixo). Teatro, Música e Audiovisual, o erudito e o independente, o local e o nacional.

 

Fiquei surpreso com a evolução desta reflexão em Minas Gerais. Enquanto há 3 meses o debate questionava se a política poderia fazer parte da cultura, hoje diversos setores compreendem o quão primário é conquistar espaço político para fortalecer sua cena. Confesso que ao acompanhar as informações sobre o @Pcult_MG nas listas de e-mail, onde era informado do que estava acontecendo, não tinha dimensão da evolução do processo ativo e reflexivo do PCult no estado.

 

O caminho do dialogo com o poder público é o Ministério? Secretarias de cultura? Ou vamos comer pelas bases, buscar os vereadores no dialogo municipal, os deputados no estadual. Brigar pela ampliação dos editais ou construir políticas públicas e pleitear emendas parlamentares? “A cultura hoje é o orçamento mais baixo da União, à frente somente da Pesca”, “enquanto a cultura tiver 0,19% do orçamento do país, não cabe o receio de que o dialogo com o poder público pode intervir na liberdade criativa”.

 

Eu poderia colocar um pouco da fala de cada um dos debatedores, mas isso apenas segregaria a união consolidada ontem. Argumentos e ideias à mesa, diferentes pontos de vista, porém sempre complementares no âmbito da ocupação de novas esferas de debate. Durante este último governo o agente cultural experimentou a democracia participativa, com as conferências e consultas púbicas. Gostou, e agora quer (e vai) ocupar as instâncias da democracia representativa. \

 

Pense nisso na escolha de seus candidatos, a eleição está aí.