Sejam bem vindos ao novo endereço do Palco Fora do EIxo.

Aproveite o Portal Fora do Eixo e crie seu perfil para poder compartilhar, trocar e receber estímulos, tecnologias, noticias, contatos.

Este é o perfil da frente de ação do Circuito Fora do Eixo que coordena as empreitadas locais dos coletivos que representam o Palco FDE em suas respectivas cidades.


A Proposta de Integração às Artes

January 4, 2011, by Palco Fora do Eixo - No comments yet

No início do século XX, as fronteiras entre as artes plásticas e a arquitetura diminuiram, as vanguardas artísticas fizeram com que ambas passasem a ser compartilhados em um mesmo espaço físico, a Rua. Assim, as artes sairam do museu para buscar mais proximidade com o público. A cidade passa a abrigar várias manifestações artísticas e o espaço urbano passou a integrar e fazer parte da própria arte, agora pública, comum e orgânica à cidade.


A integração das artes passa a ser relacionada com a instrução das artes nas escolas. A característica que proporcionou essa aproximação foi o fato de as experiências artísticas contribuirem para a construção de saberes multidisciplinares e transdisciplinares. Explorar o uso do drama para aperfeiçoar a compreensão e interpretação nos estudos da leitura , o relacionamento entre a música e os conceitos de matemática entre vários outros exemplos plausíveis. Assim, além da arte com esse caráter começa-se a entender a necessidade de mais arte – teatro, circo, performances etc – na rua.

A complexidade da sociedade acabou adotando esses conceitos de forma mais ampla nos estudos inter/trans disciplinares. Como diz Pignatari: “o verdadeiro conhecimento está entre as várias linguagens. A hibridização nos mostra a possibilidade de sermos mais. O fazedor de arte e o fruidor se humanizam na conexão, na conectividade, de signos-símbolos, pessoas procuram uma maior rede de significados ampliados.” O conhecimento humano precisa ser estimulado de forma transdisciplinar para estimular maior conectividade e compreensão da nossa complexidade.

Por isso é necessário perceber a arte como ferramenta de transformação de valores, como movimento individual e coletivo que gera. E é nesses valores que a arte encontra seu espaço e garante sua qualidade, além de aproximar diferenças e provocar o estímulo à percepção e formação humana para outros valores e conceitos, para além do padrão.


Em meio uma breve pesquisa sobre as Artes Integradas/Integração das artes me deparei com um texto do Ney – Cubo/CFE – falando sobre o assunto em 2007, onde começaram a discutir a necessidade de integrar as artes no #FDE. Três anos depois tivemos a estruturação de frentes de trabalho como o Palco Fora do Eixo, o núcleo de “Poéticas Visuais” e a FEL – Fora do Eixo Letras busacando agregar e estimular essa conexão artística e coeltiva por natureza.

 

A proposta do Palco Fora do Eixo é exatamente essa. Além de potencializar a expressão de um segmento específico das artes (as cênicas) ele traz em seu DNA a intenção de integrar as artes e aproveitar os saberes e a inteligência coletiva da rede Fora do Eixo. A internet e a forma como passamos a nos relacionar é muito favorável a essa inte(G)ração.

 

Acreditamos que já não existe mais “produzir sozinho”. A auto-gestão individual é funcional, mas limitada. Quanto mais se integra, mais se produz. Quanto mais se produz, mais gera repercussão e se constrói. Em cima disso se qualifica o debate e a questão dos valores da formação cultural na contrução intelectual e política de cada indivíduo, intrinsicamente ligado a uma cadeia de relacionamentos sociais, culturais, políticos e econômicos.

Artur Faleiros / @arturfaleiros

Palco Fora do Eixo

comunicacaopfe@gmail.com




Uberaba tem Circo!

December 20, 2010, by Palco Fora do Eixo - No comments yet

 

 

Depois de ter perdido o ponto e ido parar em Uberlândia – devido ao sono acumulado depois do trampo na Noite FDE#8 e muito bem dormido no ônibus que saiu de lá às 6h - enfim cheguei em Uberaba na Sexta-feira para o IV Encontro Novas Tendências. Cheguando lá, fui recepcionado por alguns amigos coletivados no “Goma-Móvel” e fomos direto para o prédio da Fundação onde tinha acontecido a oficina de Tecido com o Mayron, também responsável pela Oficina de Malabarismo no

festival.

 

Mayron trabalha com circo já há quatro anos e pratica acrobacia solo, malabarismo com claves, bolas, anda de monociclo... Conversamos um pouco logo nessa chegada e combinamos um treino para domingo. Sábado à tarde, na reunião que tivemos do PFE, ele aparaceu e descobri que tinha colaborado na busca de local para a realização das oficinas do @IVNovas.

 

Depois de muito conversa e esclarecimentos sobre a forma de trabalho do CFE e sobre a cena local e trabalhos pessoais, no domingo vieram as apresentações e intervenções, além da troca de experiência malabarísticas que fizemos.

 

Alguns passes de claves, troca de ideias sobre os movimentos, inversão de ângulo e outras coisas levaram a conversa e o treino.

 

Sempre bom conhecer pessoas que desenvolvem um trabalho semelhante ao nosso, mas em um espaço diferente. O Mayron parece tá correndo atras de evoluir e parece ter se sensibilizado com a ideia de aproveitar de uma inteligência coletiva.

 

A aproximação do Palco e do Megalozebu foi o primeiro passo.

 

O #IVEncontroNovasTendencias foi muito estimulante para o Palco Fora do Eixo, sem dúvida nenhuma. Pra mim pessoalmente também, tudo foi “bão de mais”....

 

Artur Faleiros

Palco Fora do Eixo - Bauru

Enxame Coletivo



DIÁRIO DE BORDO - FESTIVAL NOVAS TENDENCIAS

December 18, 2010, by Palco Fora do Eixo - No comments yet

Acompanhe o que está acontecendo no @IVNovas pelo blog do festival. A baixo um breve relato de Artur Faleiros atualizando sobre os relacionamentos do @palcoforadoeixo em Uberaba.

 

 

 

Artur_ayroso

 

Na foto um dos recém aproximados ao Palco FDE, Artur Ayroso, dando uma mão na transmissão da reunião que pode ser acompanhada na webtv FDE



FESTIVAL NOVAS TENDENCIAS TRABALHA A INTEGRAÇÃO DE LINGUAGENS

December 17, 2010, by Palco Fora do Eixo - No comments yet

 

Com várias atividades de circo, dança e performance o festival oferece muita música e cultura em sua IV edição.

 

O IV Novas Tendências é realizado pelo Coletivo Megalozebu e acontece em Uberaba. Desde quarta-feira a programação oferece oficinas e desde ontem a programação conta com eventos em casas noturnas com muita musica e inserções artístias.

 

Sábado às 14h o Palco FDE promove uma reunião com os interessados, artistas e produtores locais para apresentar o projeto e angariar colaboradores. Pensando em estratégias para a consolidação da cena local e da integração com o cenário nacional agentes de Uberlandia e Bauru – Artur Ayroso e Lucas Lopes do Goma Cultural e Artur Faleiros do Enxame Coletivo - se movimentaram até o local.

 

Hoje à noite cenas e intervenções preenchem a programação que recebe o duo argentino de tango experimental Proyecto Finlândia”.

 

Acompanhe o @IVNovas pelo twitter ou acesso o blog.

Aos poucos compartilharemos por aqui mais algumas experiências de “beraba”.

 

 

 



O TEATRO PARA ALÉM DOS EIXOS....

December 13, 2010, by Palco Fora do Eixo - One comment

Atílio Alencar de Moura Corrêa e Leonardo Foletto

Publicado em: Revista Global Brasil

Integrado ao Circuito Fora do Eixo, o Palco Fora do Eixo surgiu no início de 2010 a partir da necessidade de agregação e potencialização dos grupos teatrais independentes de todo o país, a exemplo do que vem acontecendo em anos recentes com a música. Num país de dimensões continentais e com tamanha exuberância cultural, um dos grandes desafios que se apresenta – e que se mostra indissociável do processo de formação de público – é justamente a criação de rotas de circulação viáveis e que democratizem o acesso aos espetáculos, numa realidade em que teatro ainda parece sinônimo de arte elitizada ou restrita aos círculos herméticos de pesquisa na área.

 

Assim, é no mínimo ousada a proposta dos coletivos que engendraram o PFE: resgatar – sem cair na cilada fácil da caricaturização oportunista – o sentido mais radical da arte popular, adequando esquetes, espetáculos e performances à locais e públicos os mais diversos – e quase sempre distantes do que é tácitamente aceito como imprescindível em termos de condições estruturais. Pois foi ali mesmo onde a precariedade parecia configurar um obstáculo, que a criação coletiva viu uma veia potente a ser explorada. Armazéns abandonados, bares, praças e outros palcos provisórios passaram a ser encarados como zonas autônomas temporárias, numa lógica de ocupação produtiva e prazerosa marcada pela mobilização festiva, bem ao encontro do que descobrimos ao revirar as raízes do teatro ocidental. Não é a toa que uma das ações do PFE que mais vem chamando a atenção leva o nome de Ditirambo – alusão direta às celebrações dionisíacas que banhavam de vinho as ruas da Grécia Antiga – e prima exatamente pelo excesso, pela indivisibilidade entre cultura e cotidiano. A cultura tornada, de fato, coisa pública.

 

Só em Santa Maria, município da região central do Rio Grande do Sul, pelo menos cinco grupos tem se reunido não só para conceber ações teatrais, mas também para discutir cada inciativa enquanto movimento, suas demandas de sustentação e a transversalidade com outros agentes da cadeia produtiva. Diferente de outros momentos de efervescência da cena cultural local, o que rege a relação destes grupos no contexto atual são as práticas colaborativas, a ação em rede e o compartilhamento de tecnologias que possibilitam e potencializam a vivência de experiências comuns. Nunca a atuação de tais grupos é reduzida ao palco propriamente dito; desde a divulgação, o conhecimento técnico até a mão de obra braçal necessários para a realização de um evento, todos os momentos são partilhados, resultam do esforço de muitos e tem seus resultados avaliados desde uma perspectiva estruturante, na qual mais que o famigerado “sucesso de público e crítica” importa de fato o quanto a inteligência coletiva cria suas próprias ferramentas de produção. Baseada em princípios auto-gestionários, a coordenação destas células coletiviza concepção, produção e eventuais receitas e opera em níveis de formação que raramente são vivenciados nas universidades – ambiente do qual provém grande parte dos jovens artistas envolvidos com o PFE.

 

Aqui, mais que simplesmente alimentar expectativas em relação ao mercado cultural, cada agente vivencia experiências que conduzem para além do estabelecido, gerando a partir da sua criatividade as condições de trabalho e vida. A pesquisa estética nunca é relegada à um segundo plano – porém sempre compreendida como parte de um processo em que a política, em sua acepção mais ampla, não é uma mera questão acessória, mas sim, a própria dinâmica que constitui tais relações.

 

E inevitavelmente, a proposição de políticas públicas para a cultura integra as pautas do Palco Fora do Eixo – o que implica em abrir diálogo frontal com os setores públicos oficialmente responsáveis pela cultura.

 

Mas como é vista esta movimentação toda pelo poder público?

Aqui cabe o relato de uma conquista interessante do PFE – ainda na cidade gaúcha de Santa Maria, nas palavras de uma das coordenadoras nacionais do movimento e integrante do Macondo Coletivo, Cláudia Schulz:

 

“Após uma madrugada de intenso vento norte na cidade de Santa Maria, centro do Rio Grande do Sul, o dia 1º de setembro de 2010 amanheceu cheio de esperança para um grupo de cerca de 20 pessoas, oriundas de vários grupos teatrais da cidade. Por volta das 08h30, era fechado um acordo para a ocupação de uma sala (a de nº 5) do complexo da Antiga Gare da Estação, onde atualmente se encontra a Secretaria de Cultura de Santa Maria.”

 

Após dois meses de reuniões e conversas, o Palco Fora do Eixo conquistava a sua primeira sede própria no país – e embora não existam garantias quanto ao tempo de cedência do espaço, é consenso entre os grupos que a ocupação de tal aparelho público já constitui, em si, um passo largo para o movimento.

 

A pemanência da sala nas mãos do PFE parece diretamente ligada às possibilidades de democratização do acesso aos produtos culturais lá veiculados – e à visibilidade que o processo de organização em rede pode conferir a tais ações. Com o que a comunicação integrada de coletivos do país inteiro pode contribuir para isso?

 

A resposta parece óbvia: ao evidenciar cada ação pontual enquanto momento expressivo de uma amplitude, as mídias livres integradas ao processo garantem a ressonância necessária ao movimento, tornando inquestionável a força de um circuito destas dimensões – para administradores públicos, inclusive.


Com pontos espalhados pelo Rio Grande do Sul, São Paulo e Minas Gerais, o PFE já ensaia um avanço rumo às demais regiões onde atuam os coletivos Fora do Eixo, numa proposta de tornar cada célula um canal auto-gestado e colaborativo de artes integradas. O projeto, em âmbito nacional, conta hoje com os coletivos Macondo (RS), Enxame (SP), Colméia Cultural (SP), Goma (MG) e Megalozebu (MG).

 

O Circuito Fora do Eixo, rede da qual o PFE é um desdobramento, é hoje uma das principais redes de produção e circulação de cultura no país, presente em todas as regiões do Brasil e também na Argentina. O intuito da nova frente é o de buscar a articulação de diversos grupos independentes de teatro, dança e perfomance em torno de um potencial comum, que não é outro senão o de mostrar e viabilizar a sua arte para o maior número de pessoas possível. E, também, o de fomentar e estimular a capacidade criativa dos profissionais das mais variadas artes, iniciando assim um processo de interação entre as diferentes linguagens que compõem o novo modo de criação artística contemporâneo.