Daniel Zen é eleito Presidente do Fórum Nacional dos Secretários Estaduais de Cultura18/12/2008
Por
Ney Hugo | Espaço Cubo | Cuiabá-MT

Zen, em uma de suas atividades:
baixista do Filomedusa(AC)
foto: Renato Reis
O
presidente da Fundação Cultural Elias Mansour (AC) e membro
fundador da Abrafin (Associação Brasileira de Festivais
Independentes) e do Circuito Fora do Eixo Daniel Sant'ana – mais
conhecido no meio da música independente como Daniel Zen – foi
eleito Presidente do Fórum Nacional dos Secretários Estaduais de
Cultura.
A
escolha aconteceu no último dia 12, durante a 4º reunião ordinária
do Fórum Nacional de Secretários e Dirigentes Estaduais de Cultura.
Daniel Zen, 28 anos, foi eleito por unanimidade. No evento
aconteceu também a redação da Carta de Salvador, que recomenda
modificações na polêmica Lei Rouanet e a aprovação da proposta
de emenda que destinará, se aprovada, no mínimo 2% do orçamento da
união para a cultura.
O
começo da carreira de Daniel Zen se deu à frente da Catraia
Records, um selo fonográfico dedicado ao setor da música
independente, que colocou o Acre no mapa da música nacional ao
lançar a banda Los Porongas e produzir o Festival Varadouro. Em
2005, Zen foi um dos principais articuladores que deram início ao
Circuito Fora do Eixo, e também da Abrafin (Associação Brasileira
dos Festivais Independentes), que tem o Varadouro como um dos
festivais fundadores.
À
medida que foi se articulando nacionalmente, a Catraia deixou de ser
um selo pra se tornar um coletivo, continuando a produzir o Festival
Varadouro, trabalhando com a formação de agentes culturais e ainda
investindo na distribuição e circulação de bandas. Um exemplo
desse caso é o Filomedusa, banda de Rio Branco cujo baixista é o
próprio Daniel Zen, e que conta com outros agentes do Coletivo
Catraia. A banda tem circulado por várias regiões do país, obtendo
sucesso entre público e crítica.
É
salutar a presença cada vez maior de agentes da cultura independente
ocupando espaços no poder público. Foi uma excelente notícia
quando há três anos atrás, Daniel Zen foi escolhido como o novo
secretário estadual de cultura do Acre (ou presidente da Fundação
de Cultura e Comunicação Elias Mansour, oficialmente falando).
E
é com o mesmo entusiasmo que a Abrafin recebe agora mais essa boa
nova, pois evidencia que o passo galgado em prol da construção de
um momento cultural novo no Brasil vem encontrando cada vez mais
ressonância junto a outras esferas sociais.
___
Sobre o assunto, Daniel Zen falou com exclusividade ao Portal Fora do Eixo. Confira a entrevista:
Portal
FE - Tem-se notado nos últimos anos grandes avanços por parte dos
estados da região norte. Como você acha que o ambiente da produção
cultural em âmbito nacional vai visualizar o norte a partir da
eleição de um secretário nacional oriundo da região?
Daniel
Zen - Acredito no simbolismo que há no fato de um Secretário de
Estado da Cultura do Norte, mais especificamente do Acre, assumir a
presidência do Fórum Nacional de Secretários e Dirigentes
Estaduais de Cultura. Corrobora o entendimento quanto ao avanço na
implementação de políticas públicas de cultura consistentes no
Estado e na Região, vai ao encontro do contexto atual em que se
começa a visualizar a produção cultural do Norte, de forma mais
constante e consistente, em âmbito nacional e internacional...
Acredito que contribua ainda mais para essa percepção de que o
Norte é um grande pólo de produção cultural, assim como as demais
regiões brasileiras. Mas, em verdade, representa bem mais do que
isso. O Fórum tem se constituído em uma instância de interlocução
privilegiada entre os Secretários de Estado da Cultura e as demais
entidades sócio-culturais de abrangência nacional, como o próprio
Ministério da Cultura. É um avanço no sentido do republicanismo
cultural, do pacto federativo da cultura. Através do Fórum, os
Estados tem dado a sua contribuição, de forma integrada, para o
avançar dos grandes temas abrangidos pelo planejamento e gestão de
políticas públicas culturais no país, ajudando na implantação de
um Sistema Nacional de Cultura realmente efetivo, com as estruturas
necessárias ao seu funcionamento sendo implantadas, aos poucos, nos
Estados; construindo um Plano Nacional de Cultura que seja
representativo da diversidade e das identidades culturais do Brasil;
colaborando no processo de reforma da Lei Rouanet e do PRONAC;
sugerindo melhorias no Programa Mais Cultura; enfim, servindo de
canal de efetiva participação dos Estados, enquanto entes públicos,
contribuindo para que estes se posicionem, da melhor forma possível,
a respeito das temáticas culturais de relevância nacional.
Portal
FE - Como você enxerga esse diálogo entre a produção cultural
independente e setores do poder público?
Daniel
Zen - Da mesma forma como enxergo o diálogo entre qualquer grupo
ou entidade de atuação cultural e o poder público. A organização
e a participação são fundamentais para que consigamos conferir a
institucionalidade a centralidade que a cultura requer e merece na
arena política em nosso país. Quanto mais organizada a produção
cultural independente, mais fácil é o diálogo com as instituições
do Poder Público. Dialogar em bloco é muito mais fácil do que
conversar, pontualmente, com cada artista, grupo musical, teatral,
produtor de audiovisual e assim por diante. Sou entusiasta das formas
de organização coletiva, sejam elas institucionais ou informais.
Facilita em muito o trabalho de todos os envolvidos nesses processos
de fortalecimento da cultura nas suas mais diversas dimensões:
simbólica, econômica e da cultura enquanto direito social
Portal
FE - Nota-se que o Acre é um estado bastante politizado, o que se
estende também para o campo da produção cultural. Você acha que a
sua eleição para presidente do Fórum Nacional de Secretários e
Dirigentes Estaduais de Cultura vem como consequência desse
processo?
Daniel
Zen - Não somente em virtude disso, mas de um conjunto de
fatores e variáveis, com em todo processo de escolha democrática e
representativa. O importante é a disposição para trabalhar em prol
de uma coletividade que é plural, composta de pessoas que possuem
orientações ideológicas diversas, de entendimentos por vezes
dissonantes, mas que se unem em prol de uma causa comum, procurando o
consenso em torno de questões comuns que dizem respeito e a afetam a
realidade da cultura nas diferentes unidades federadas.
Portal
FE - Quais os planos para esse novo trabalho ?
Daniel
Zen - Seguir avançando no intercâmbio e na troca de
experiências entre os Estados, procurando alternativas comuns para o
incremento da produção, circulação, difusão e formação
artístico-cultural nas suas diferentes áreas, seguimentos,
linguagens e formas de manifestação; continuar colaborando para uma
gestão cada vez mais profissional na área de cultura; e para o
avançar dos grandes temas das políticas públicas culturais, como
as políticas nacionais do livro e da leitura, do patrimônio
histórico, das artes, do fomento e incentivo à cultura e da
valorização das identidades e da diversidade sócio-cultural.