Desde a adolescência, quando ainda pouco sabia do universo das letras, conheci uma amiga que me contou as maravilhas de compartilhar com o mundo palavras. Palavras que na verdade representavam a materialização de sentimentos íntimos ou a sua forma própria de verter o mundo.

Essa amiga querida tinha um caderno de poesias, e plantou em mim, com ele, a inquietação de sempre que possível montar meu próprio mosaico de impressões.

Aproveitando a oportunidade do projeto 'blogs intimistas', resolvi inaugurar neste espaço a série Poesias e Contos. A primeiro delas, trago logo a seguir:

 

 

foto de marielle em 05/02/06

ilustração: Arthur Monteiro

 

 

Pego-me sempre entretida com as pandogas que ilustram o céu ao lado de meu teto.

Voam alto as meninas. Um vôo rasante, sinuoso, mas resignadamente permitido.

Fazem-me chorar sempre, de tristeza, ao vê-las guiadas por Gepeto

Com cabelos ao vento e pouso datado

Um destino talhado feito uma estatueta

Para alguns, eis algo

Para mim, uma estatueta

Belo, mas triste, disse certa vez um amigo


Sim, belo, mas triste.