
Depois de uma semana imerso num mar de informação e de ex-avatares, posso dizer que, mais do que uma decisão acertada, o processo de re-descobrimento de mim mesmo foi um processo até fácil se comparado ao que virá daqui pra frente.
Viver intensamente o Circuito Fora do Eixo me mostrou tanta coisa sobre mim que não conhecia que posso dizer que em certo aspecto nasci de novo. Velhos conceitos que já haviam dado sinais de que estavam mortos, se decompuseram de vez. Medos recentes se transformaram em estímulo certeiro para ações ousadas, sinceras, transparentes e verdadeiras. Tudo se mostra e se prova nos olhares obstinados de jovens dispostos a passar por cima de tudo - de velhos paradigmas, de dogmas, de diferenças pessoais - para construirem o que um dia foi sonho e hoje é paupável e saboroso.
Quando decidi fazer da minha vida algo dedicada a este modelo de trabalho e de vida, não sabia exatamente como seria. A certeza de que estamos construindo algo fantástico já era real e se justificava por si só nos exemplos que já temos. Mas não é só de exemplos e de teorias que as coisas se afirmam. E foi aí que a coisa pegou. Ao chegar em Uberlândia, às 17h30 do domingo, dia 10/10/10, e adentrar o Goma, onde estava rolando o credenciamento, meu bluetooth natural já captava aquela energia e a nuvem de tags já me sombreava intensa e refrescante. Senti o frissom. Senti a eletricidade que pairava e que desnorteava os polos magnéticos de cada um. Atrações se faziam cada vez mais intensas. Estávamos ali naturalmente, porque não havia outro lugar para se estar. A nova cara do Brasil se deslocou para Uberlândia naquela semana. As novas ideias, as tecnologias. As pessoas se tornando tecnologias. As ideias se tornando pessoas. As interações se tornando um mundo melhor e mais justo.
Essa cidade de céu azul e forte calor - tanto humano quanto solar - me acolheu como um filho. As pessoas todas dispostas a serem meus irmãos e irmãs, compartilhando sentimentos e certezas de que o que estamos construindo (e construiremos para sempre) é maior do que nós podemos conceber. Talvez, no futuro, este III Congresso Fora do Eixo seja lembrado como só mais um. Para mim, foi o rito de passagem que eu só descobri que precisava depois que me vi passando por ele. Fazendo amizades offline que serão reforçadas online. Consolidando no offline o que já está solidificado no online. Vivendo ambos ao mesmo tempo, debaixo de uma árvore, em frente a um computador, abraçando a todos com meus sonhos.
Fica a saudade. Trago comigo as @ de twitters e de emails. Poucas fotos. Muitas lembranças. E, mais ainda, paixão.










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