13/06/2010
Quando recebi em meu email a mensagem do Luciano Viana, do coletivo Pegada, sobre a oportunidade de tocar em Montes Claros no lançamento do FDE ao Extremo, confesso que fiquei um pouco apreensivo. Primeiro porque ainda não sabia até que ponto o Festenkois se encaixava no conceito do FDE ao Extremo. Temos músicas pesadas, sim, mas também temos músicas mais leves além de dinâmicas variadas o suficiente para não manter as guitarras berrando o tempo todo.
Já havíamos tocado no lançamento do ao Extremo em BH, estimulados pelo Lucas Mortimer, que viu esse potencial estético na banda. Mas BH é BH... Ir pra uma cidade onde ninguém nunca havia nos visto era uma incógnita, um frio na barriga cabuloso mesmo.
Quando chegou a confirmação de que havíamos sido escolhidos para rolar, mandei a seguinte mensagem pra lista do Pegada:
"CACETE DE AGULHA!!! TO FELIZ PRA CARALHO!!!! VALEU PELA MORAL, GALERA!"
Foi bem isso, mesmo. A empolgação atingiu níveis que só se equiparam ao dia em que Leo Santiago (Fórceps) comunicou que estávamos dentrodo Grito Rock Sabará.
Nos dias anteriores à viagem...
Passada a euforia (na verdade só passou mesmo ontem de tarde, 1 dia e meio após o show) fui conversar com Lixo (baixista do Cães do Cerrado) e o próprio Luciano (que, além de Pegada, toca baixo no Enne), sobre a cidade e a cena de lá. Só ouvi coisa boa sobre o público e sobre o pessoal do Retomada. Isso me deixou mais despreocupado, mas não menos ansioso. Seria a primeira grande viagem da banda, num evento de um coletivo integrante do Fora do Eixo. A responsa era grande e eu achava que devíamos dar uma resposta positiva a todos - a nós mesmos e ao Pegada principalmente.
Toco bateria desde 1997. Já passei por muitas bandas. Já fiz muitos shows. Já abri show de gente famosa e já toquei pra 2.000 pessoas. Dificilmente um show mexe com meu estado de espírito hoj em dia. Apesar de me entregar de corpo e alma no palco, o pré-show, normalmente, é um momento de relaxamento. Mas esse não. Havia uma tensão em mim. Uma auto-cobrança que jamais havia sentido.
No dia da ida...
O dia começou tenso. Fizemos um show no dia 13, no qual, ao final, eu arremessei minha caixa no chão. Fiz dela qualquer coisa, menos uma caixa. Destruí a bicha, sem nem saber por quê. Enfim, precisava comprar uma caixa nova.
Acordei às 8h da manhã. Terminei de arrumar minha mala. De repente, recebo uma mensagem da Pat, baixista: "vou atrasar um pouco. acordei passando mal". Pensei "caramba, só falta melar a viagem". Segui fazendo o que tinha de fazer. Fui à uma loja de instrumentos... O atraso justificado da Pat me deu um tempo de sobra pra passar numa Lojas Americanas para fazer algo que me acalma: procurar Hot Wheels. Sim, eu tenho por hobby colecionar miniaturas de carros... Acabei achando um pack com 5 Ferraris e voltei pra casa feliz.
Acabamos saindo de BH mesmo pouco antes do meio dia, sabendo que chegariamos na correria. A CAFE do Retomada abriria as portas às 20h e teríamos que jantar e, se sobrasse tempo, descansar um pouco da viagem.
O trajeto foi tranquilo. Rolaram uns vídeos, umas fotos, uns engarrafamentos... Por sinal, lendo o diário do Brown Há hoje, vi que passamos pela mesma situação que eles, dias antes: um caminhão, ultrapassando outro, tirou uma fina inacreditável do nosso carro enquanto esperávamos nossa vez de passar pela ponte que tinha um dos lados sendo reformado.
No som, muita coisa rolava. Saímos ao som do Nevermind, pra pilhar Menezi e Dantas, nossos guitarristas. Depois Cypress Hill e Fugees representando o lado hiphop da Pat. Não lembro muito da ordem, mas ainda teve Smashing Pumpkins, Mudhoney, Deftones, Black Drawing Chalks, All The Saints, Darker My Love, Oasis...
Chegamos em MoC às 18h duvidando da distância de pouco mais de 400km indicada em todos os guias de viagem que consultamos. Acho que perdemos a entrada do wormhole que nos levaria algumas horas no futuro.
Fomos direto pra CAFE e lá conhecemos o Carrapato, técnico de som do Retomada. Logo em seguida chegam Dufrei e Alan, nosso anfitrião solidário. Montamos tudo e passamos o som, saindo logo em seguida para jantarmos, deixarmos nossas malas na casa do sogro do Alan, onde dormiríamos (por sinal, um abraço pro sogro do Alan, sujeito mega simpático!), nos prepararmos e voltarmos pra CAFE. Tudo isso feito em tempo récorde, o que, mesmo assim, não impediu que perdêssemos quase todo o show da galera do Locked Side. Mas deu pra ver que o pessoal manda um hard rock redondo, com bons vocais e guitarras certeiras.
A CAFE tava com um público muito bom (segundo Alan, o melhor público dos últimos 6 eventos (me corrija se estiver errado, Alan) e quando subimos no palco senti uma energia diferente vindo da galera. Uma coisa que mesclava curiosidade, agitação, vontade de continuar pegando o fogo atiçado pelo Locked Side.
Olhamos uns pros outros e começamos. A partir daí, meus amigos, o que aconteceu foi um momento mágico, inesquecível. A troca de energia com a galera foi intensa. Cada batida se transformava não em cansaço mas em mais vontade de seguir em frente. Com certeza a galera tem mérito nisso. Que galera foda, essa de Montes Claros!
Terminamos o show e o carinho da galera não cessava. Tive que distribuir baquetas. Dei minha camisa da banda pra alguém. Enfim, fui contagiado por aquele êxtase, pela receptividade e pela noção de que realmente fizemos nossa parte.
Depois, os Soprones botaram a casa abaixo com seu hardcore nervoso. Rodas e mais rodas se formavam e a galera não parava nem um segundo. Os caras sabem botar a galera pra enlouquecer! Até o pessoal no bar cantava e berrava as músicas dos caras.
Além disso, a CAFE é ótima. Tem udo pra fazer crescer a cena local e regional. A galera tá no caminho. Parabéns moçada!
Poudo depois, já num posto de gasolina, bebendo uma Heineken geladassa por míseros R$2,90, confraternizando com a galera do Retomada e pessoas que conhecemos por lá, tive a certeza de que é isso que eu quero mesmo pra minha vida. Nada se compara ao prazer de conhecer novas pessoas, novos lugares, ainda mais indo fazer algo que você ama.
No dia da volta...
Boas lembranças e histórias dentro do carro. Fotos, vídeos. Verve, Pumpkins, Bad Religion, Dead Kennedys... E a vontade de voltar logo a Montes Claros e de expandir ainda mais nossas fronteiras.
Próxima parada? Não sei, mas estamos prontos pra ir.
Valeu Alan, Retomada e MoC. Valeu Pegada. Valeu banda.
Vamo que vamo!










3 comments
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É nuisom
Valeu Festenkois!!!!!!!
é nóis, zin!
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