Compacto.Rec lança Diego Morais e o Sindicato
November 6, 2010 - No comments yetpor Caiubi Mani | Colmeia Cultural | Araraquara-SP

Compacto.Rec lança Diego Morais e o Sindicato
O Compacto.Rec, em mais uma edição apresenta nesse mês de novembro o lançamento do álbum “Parte de nós” , primeiro álbum de Morais e o Sindicato de Goiânia.
Diego Morais iniciou sua trajetória na musica como baterista tocando em algumas bandas em Senador Canedo, município vizinho à Goiânia. Em 2006 Diego começou a tocar suas próprias composições e, juntamente com a sua irmã, fez uma série de apresentações pela cidade. Em 2007 venceu o concurso TACABOCANOCD e como prêmio o gravou um Ep chamado Reticências..., lançado no mesmo ano pelo coletivo Fósforo Cultural, e foi nesse momento que encontrou o Sindicato e se reuniram para um único show, e desde então permanecem juntos. Também em 2007 participaram de um concurso promovido pelo site TramaVirtual em parceria com a Revista Capricho, que lhes rendeu a gravação de uma faixa nos Estúdios da Trama.
Desde então Diego de Moraes e O Sindicato já se apresentaram em grandes festivais, como a Virada Cultural, em São Paulo, os Festivais Goiânia Noise, Bananada e Vaca Amarela em Goiânia, além de terem tocado no Jambolada, em Uberlândia e nos festivais Calango (Cuiabá – MT), Móveis Convida (Brasília – DF), Varadouro (Rio Branco – AC), Feira da Música (Fortaleza-CE), e firmaram-se como um dos mais criativos grupos da cena independente nacional.
COMPACTO.REC
O Compacto.Rec é um projeto de lançamento mensal de álbuns virtuais em rede com o objetivo de estimular a circulação e distribuição de bandas da cena independente brasileira. Os agentes que integram a equipe são oriundos dos mais distintos lugares do país que, através da internet trabalham em conjunto executando toda a pré-produção do Compacto.Rec: uma compilação com músicas, letras, release, fotos, vídeo, banners e avatares, que são divulgados em todos os veículos de comunicação integrados ao Circuito Fora do Eixo
Esse ano o Compacto.Rec trouxe diversos lançamentos que deram ênfase ao projeto, como a paranaense Nevilton, a mineira Uganga, deu destaque a Coletânea Grito Rock América do Sul 2010, lançou o primeiro material solo do Jair Naves, ex-Ludovic, realizou no mês de outubro seu primeiro lançamento internacional com o álbum “YYY” da banda Falsos Conejos de Buenso Aires (ARG) e recentemente foi contemplada pela Bolsa Funarte de Reflexão Crítica e Produção Cultural para Internet.
O DISCO
“Parte de Nós” é o disco de estréia de Diego e o Sindicato e apresenta canções que foram experimentadas pelo grupo desde a sua formação em 2007, e experimentação é, de fato, a melhor palavra para descrever a criatividade das musicas do álbum. Com uma sonoridade que varia da psicodelia ao folclore, explorando micro-temas e sensações musicais que remetem do pop ao caipira, “Parte de nós” são muitos pedacinhos de sons universais organizados por bricolagem num belo mosaico musical.
As 12 faixas do cd transitam pelos mais variados ritmos e timbres e foram gravadas no estúdio Loop, em Goiânia, com produção de Eduardo Kolody e Rogério Pafa. O disco contou com a participação de Astronauta Pinguim e teve o apóio da Lei Municipal de Cultura.
Baixe o disco: www.compactorec.wordpress.com
Ata da Reunião do Núcleo de Assessoria e Redação em 20/10/2010
November 6, 2010 - No comments yetLua- Ponte Plural
Raíssa - Colcheia
Macaco Bong e Gilberto Gil reunidos em show em SP
November 5, 2010 - No comments yet
No final da década de 60, à frente da Tropicália, Gilberto Gil abraçou a fusão da música brasileira com os ritmos internacionais, e deu consequência popular e midiática às possibilidades antropofágicas vislumbradas pelos modernistas, décadas antes. Exilado em Londres, com Caetano Veloso, viu em primeira mão os desdobramentos da contracultura em sua fase mais densa. De volta ao Brasil, estabeleceu diálogos musicais com questões culturais, comportamentais e políticas, e relativas ao estreitamento de laços entre a arte e a tecnologia.
Sua gestão no Ministério da Cultura foi consequente com essas visões. Agora, fazendo um balanço desses últimos anos, em que a música brasileira tem recuperado muito de seu vigor e daquela verve ao mesmo tempo tão crítica e tão inspirada, Gil encontra a nova geração em Futurível (título de uma canção sua de 1969, que juntava as palavras "futuro possível" e já sinalizava a sua constante tematização da tecnologia).
Gil ministro
Gil encontra o power trio instrumental revelação de Cuiabá, Macaco Bong, para reeditar sua época mais roqueira, circa Expresso 2222 (quando era acompanhado por então músicos de rock como Lanny, Tuti Moreno etc - lançando-os em experimentos com o forró, reggae, funk, samba e outros gêneros).
Para explicitar a visão tropicalista de Gil, que imaginava uma convergência ente Beatles e pífanos, o DJ Tudo introduz o show com sua pesquisa da música brasileira profunda, e convida a banda de pife Princesa do Agreste de Caruaru, acompanhado de projeções do DVJ Scan. Gil cria as convergências e diálogos entre essas vozes, sopros, tambores e instrumentos eletrônicos, que mostram como a música nacional é um dos símbolos mais notáveis da potência transformadora do Brasil no mundo.
Macaco Bong é um dos destaques do Circuíto Fora do Eixo, movimento artístico e social surgido de estados como Mato Grosso, Acre, Amapá e outros, em que a novíssima cena independente brasileira troca tecnologias de produção coletivistas e solidárias. O Fora do Eixo impulsiona associações como a Abrafin - Associação Brasileira de Festivais Independentes, que dialoga com outras importantes cenas musicais independentes, como a de Cuiabá.
O trio Macaco Bong baseia-se na desconstrução dos arranjos da música popular em seus formatos convencionais e alia a linguagem das harmonias tradicionais da música brasileira com jazz, fusion e rock-pop. Já circulou os principais festivais de música do Brasil (além de Argentina e Canadá), e teve seu CD Artista Igual Pedreiro eleito o melhor de 2008 pela revista Rolling Stone Brasil, e lançado na Argentina pelo selo Scatter Records.
Seu show de 2010, com convidados como o rabequeiro Siba, o pianista pop-erudito Vitor Araújo, o percussionista Jack (Porcas Borboletas) e os metais dos Móveis Coloniais de Acajú foi um dos três finalistas do Prêmio Bravo!, ao lado de Maria Bethânia a da Orquestra Imperial apresentando Caetano Veloso, Jane Birkin e o maestro de Serge Gainsbourg, Jean-Claude Vannier.
DJ Tudo é o produtor da era digital, pesquisador de expressões culturais tradicionais, instrumentista e coordenador do selo Mundo Melhor, Alfredo Bello. Mixador de elementos da tradição brasileira, do dub, do funk e da eletrônica, Bello percorre o Brasil e o mundo estabelecendo pontos de diálogo cultural entre nosso país, a Europa, a África e a América do Norte. Colaborador de Adrian Sherwood e Mad Professor, gravou seu novo álbum, Nos Quintais do Mundo, em suas viagens pelo interior, pelo exterior e pela mente coletiva, partindo de registros de manifestações como maracatu, afoxé, caboclinho, congado, embolada e baianá para abordagens radicalmente atuais.
Seguindo a trilha de Mario de Andrade, que em 1938 coletou 34 horas de gravações folclóricas in loco no norte e nordeste, de ritmos que 30 anos depois se revelariam ser muito da inspiração para a Tropicália, Alfredo Bello já totaliza quase 1.300 horas (!) de registros, fruto da agilidade propiciada pelos equipamentos digitais. Mário de Andrade aprovaria. Como produtor, tem ajudado a lançar artistas importantes da nova geração, como Junio Barreto, Cérebro Eletrônico e Porcas Borboletas. Com sua ex-esposa, a percussionista Simone Soul, desenvolve outras colaborações, como o Projeto Cru (responsável pelas trilhas de filmes de Beto Brant, como O Amor segundo B. Schanberg).
A Banda de Pife Princesa do Agreste, de Caruaru, é representante de uma das mais importantes tradições musicais do interior do Nordeste. Em cidades pequenas e vilarejos as bandas de pife ainda são importantes para a comunidade, tanto para a realização da música religiosa quanto para a diversão, e assumem valores artísticos fortes - como é o caso da Princesa do Agreste. Biu do Pife, músico experiente no meio musical de Caruaru e da região Nordeste, completou 50 anos de carreira em 2008. Com outros instrumentistas brilhantes como Toinho, José Mauricio, Gerson, Vitorino e Ari, as dinâmicas e as interpretações são repletas de momentos de grande virtuosismo, ao mesmo tempo engraçadíssimas e irresistivelmente dançantes.
DVJ Scan é Giuliano Scandiuzzi, graduado em Arquitetura e Urbanismo pela FAU -USP, cujo projeto de graduação foi uma videoinstalação que o aproximou daquele que seria sua área de atuação. Fundador e ex-integrante do Estúdio Bijari entre 1996 a 2007, inspirando e liderando o grupo na área da videoarte, ajudou o Bijari a tornar-se conhecido na cena nacional e internacional como um dos mais aclamados grupos de artistas visuais brasileiros. Em 2007, passou a criar espetáculos audiovisuais, exposições e instalações multimídia solo. Esteve nos programas Altas Horas com André Abujamra e Jô Soares com o DJ tudo e Sua Gente de Todo Lugar. Também atua como DJ, com forte pesquisa de percussão e experimentação em softwares de produção musical.
O espetáculo Futurível celebra o encerramento do Fórum Internacional Geopolítica da Cultura e da Tecnologia, que se realiza na Cinemateca Brasileira do dia 11 ao dia 13 de Novembro, com curadoria de Gilberto Gil e Laymert Garcia dos Santos. Futurível é simultaneamente a abertura do ll Fórum da Cultura Digital Brasileira, que se realiza na Cinemateca Brasileira de 15 a 17 de Novembro.
Macaco Bong e Gilberto Gil fazem show juntos em SP
November 5, 2010 - No comments yet
No final da década de 60, à frente da Tropicália, Gilberto Gil abraçou a fusão da música brasileira com os ritmos internacionais, e deu consequência popular e midiática às possibilidades antropofágicas vislumbradas pelos modernistas, décadas antes. Exilado em Londres, com Caetano Veloso, viu em primeira mão os desdobramentos da contracultura em sua fase mais densa. De volta ao Brasil, estabeleceu diálogos musicais com questões culturais, comportamentais e políticas, e relativas ao estreitamento de laços entre a arte e a tecnologia.
Sua gestão no Ministério da Cultura foi consequente com essas visões. Agora, fazendo um balanço desses últimos anos, em que a música brasileira tem recuperado muito de seu vigor e daquela verve ao mesmo tempo tão crítica e tão inspirada, Gil encontra a nova geração em Futurível (título de uma canção sua de 1969, que juntava as palavras "futuro possível" e já sinalizava a sua constante tematização da tecnologia).
Gil ministro
Gil encontra o power trio instrumental revelação de Cuiabá, Macaco Bong, para reeditar sua época mais roqueira, circa Expresso 2222 (quando era acompanhado por então músicos de rock como Lanny, Tuti Moreno etc - lançando-os em experimentos com o forró, reggae, funk, samba e outros gêneros).
Para explicitar a visão tropicalista de Gil, que imaginava uma convergência ente Beatles e pífanos, o DJ Tudo introduz o show com sua pesquisa da música brasileira profunda, e convida a banda de pife Princesa do Agreste de Caruaru, acompanhado de projeções do DVJ Scan. Gil cria as convergências e diálogos entre essas vozes, sopros, tambores e instrumentos eletrônicos, que mostram como a música nacional é um dos símbolos mais notáveis da potência transformadora do Brasil no mundo.
Macaco Bong é um dos destaques do Circuíto Fora do Eixo, movimento artístico e social surgido de estados como Mato Grosso, Acre, Amapá e outros, em que a novíssima cena independente brasileira troca tecnologias de produção coletivistas e solidárias. O Fora do Eixo impulsiona associações como a Abrafin - Associação Brasileira de Festivais Independentes, que dialoga com outras importantes cenas musicais independentes, como a de Cuiabá.
O trio Macaco Bong baseia-se na desconstrução dos arranjos da música popular em seus formatos convencionais e alia a linguagem das harmonias tradicionais da música brasileira com jazz, fusion e rock-pop. Já circulou os principais festivais de música do Brasil (além de Argentina e Canadá), e teve seu CD Artista Igual Pedreiro eleito o melhor de 2008 pela revista Rolling Stone Brasil, e lançado na Argentina pelo selo Scatter Records.
Seu show de 2010, com convidados como o rabequeiro Siba, o pianista pop-erudito Vitor Araújo, o percussionista Jack (Porcas Borboletas) e os metais dos Móveis Coloniais de Acajú foi um dos três finalistas do Prêmio Bravo!, ao lado de Maria Bethânia a da Orquestra Imperial apresentando Caetano Veloso, Jane Birkin e o maestro de Serge Gainsbourg, Jean-Claude Vannier.
DJ Tudo é o produtor da era digital, pesquisador de expressões culturais tradicionais, instrumentista e coordenador do selo Mundo Melhor, Alfredo Bello. Mixador de elementos da tradição brasileira, do dub, do funk e da eletrônica, Bello percorre o Brasil e o mundo estabelecendo pontos de diálogo cultural entre nosso país, a Europa, a África e a América do Norte. Colaborador de Adrian Sherwood e Mad Professor, gravou seu novo álbum, Nos Quintais do Mundo, em suas viagens pelo interior, pelo exterior e pela mente coletiva, partindo de registros de manifestações como maracatu, afoxé, caboclinho, congado, embolada e baianá para abordagens radicalmente atuais.
Seguindo a trilha de Mario de Andrade, que em 1938 coletou 34 horas de gravações folclóricas in loco no norte e nordeste, de ritmos que 30 anos depois se revelariam ser muito da inspiração para a Tropicália, Alfredo Bello já totaliza quase 1.300 horas (!) de registros, fruto da agilidade propiciada pelos equipamentos digitais. Mário de Andrade aprovaria. Como produtor, tem ajudado a lançar artistas importantes da nova geração, como Junio Barreto, Cérebro Eletrônico e Porcas Borboletas. Com sua ex-esposa, a percussionista Simone Soul, desenvolve outras colaborações, como o Projeto Cru (responsável pelas trilhas de filmes de Beto Brant, como O Amor segundo B. Schanberg).
A Banda de Pife Princesa do Agreste, de Caruaru, é representante de uma das mais importantes tradições musicais do interior do Nordeste. Em cidades pequenas e vilarejos as bandas de pife ainda são importantes para a comunidade, tanto para a realização da música religiosa quanto para a diversão, e assumem valores artísticos fortes - como é o caso da Princesa do Agreste. Biu do Pife, músico experiente no meio musical de Caruaru e da região Nordeste, completou 50 anos de carreira em 2008. Com outros instrumentistas brilhantes como Toinho, José Mauricio, Gerson, Vitorino e Ari, as dinâmicas e as interpretações são repletas de momentos de grande virtuosismo, ao mesmo tempo engraçadíssimas e irresistivelmente dançantes.
DVJ Scan é Giuliano Scandiuzzi, graduado em Arquitetura e Urbanismo pela FAU -USP, cujo projeto de graduação foi uma videoinstalação que o aproximou daquele que seria sua área de atuação. Fundador e ex-integrante do Estúdio Bijari entre 1996 a 2007, inspirando e liderando o grupo na área da videoarte, ajudou o Bijari a tornar-se conhecido na cena nacional e internacional como um dos mais aclamados grupos de artistas visuais brasileiros. Em 2007, passou a criar espetáculos audiovisuais, exposições e instalações multimídia solo. Esteve nos programas Altas Horas com André Abujamra e Jô Soares com o DJ tudo e Sua Gente de Todo Lugar. Também atua como DJ, com forte pesquisa de percussão e experimentação em softwares de produção musical.
O espetáculo Futurível celebra o encerramento do Fórum Internacional Geopolítica da Cultura e da Tecnologia, que se realiza na Cinemateca Brasileira do dia 11 ao dia 13 de Novembro, com curadoria de Gilberto Gil e Laymert Garcia dos Santos. Futurível é simultaneamente a abertura do ll Fórum da Cultura Digital Brasileira, que se realiza na Cinemateca Brasileira de 15 a 17 de Novembro.
Se a vida começasse agora e o mundo fosse nosso outra vez
October 27, 2010 - No comments yet
Essa semana recebi um e-mail de uma jornalista do Estado do RJ com algumas perguntas para uma pauta sobre o Rock in Rio 2011. As respostas estão abaixo, divirtam-se, concordem, discordem, comentem ;)
Quais as dificuldades que o Rock encontra na cidade sede do Rock in Rio 2011, já que o Rio de Janeiro é considerado o berço do samba, estilo que rivaliza com o Rock de verdade?
A cena do rock no Rio é essencialmente baseada em dois pólos: a cena independente, que não é tão consolidada como em outras cidades do país, mas tem aumentado sua força, e os shows de bandas do mainstream, cujas músicas, querendo ou não, quase todo mundo conhece por efeito da mídia. Mas, ambos acabam caindo em uma situação comum no que diz respeito a público: um evento bem sucedido no Rio tem que ser pop. E não digo nem pop de estilo musical, mas que seja visto pelo público como o grande ponto de encontro do final de semana. Numa cidade cuja programação cultural enche páginas e páginas das revistas, não é o samba ou a mpb que concorre diretamente com um evento de rock, mas sim as outras dezenas de eventos que estão ocorrendo no mesmo dia. O Rio é hype e por isso a divulgação em redes sociais e assessoria de imprensa tem sido muito importantes.
No que diz respeito a patrocínio, realmente é mais complicado o cenário do Rock, em comparação com a MPB e o samba. Infelizmente, muitas empresas não consideram interessante associar sua marcar a um evento de rock ainda, o que acho um erro estratégico, principalmente no que se refere a empresas voltadas para o público jovem: o alcance dos eventos de rock nesse nicho é imenso.
De modo geral, o público desse tipo de evento é composto de jovens comunicadores, que munidos de diversos meios possuem um poder de propagar suas ideias, seus gostos, suas opções, cada vez maior. Uma mensagem lançada no twitter durante um evento pode se transformar em centenas de outras e repercutir positivamente para a marca, por exemplo.
Essa demanda já foi percebida nos EUA e na Europa, onde o rock já se enquadra nas estratégias empresariais. Falta chegar no Brasil.
Você acha que o Rock in Rio 2011, apesar de ser um grande festival, com bastante espaço na mídia, deveria servir para abrir as portas para bandas cariocas?
O Rock in Rio, pela dimensão que alcançou, deveria abrir portas não apenas para bandas cariocas, mas de todo o Brasil. Seria ótimo ver o Macaco Bong (Cuiabá), Mini Box Lunar (Macapá) ou a Tereza (Niterói) num de seus palcos, representando uma nova fase da música brasileira.
Estamos num momento de descentralização da cultura nacional: artistas de todas as regiões tem atuado de forma articulada, colaborativa e integrada para realizarem a autogestão de suas carreiras e, ao mesmo tempo, criarem um canal de circulação de artistas e bens culturais.
Como novas bandas e ainda desconhecidas enxergam a possibilidade de tocar no Rock in Rio?
O conceito de desconhecidas é relativo e representa um equívoco que está enraizado na cultura carioca. Não é porque não está na mídia nacional que uma banda é desconhecida, ou até nova. Não acredito que bandas desconhecidas serão convidadas para o Rock in Rio, apenas as conhecidas, que aí podem ser conhecidas nacionalmente, regionalmente, do mainstream, da cena independente, ou da equipe da seleção. :)
Os rockeiros de plantão reivindicam que o evento faça jus a seu nome, ou seja, apresente o chamado rock de verdade, que não pode ser confundido, por exemplo, com o POP. O que vc acha do propósito das edições anteriores de reunir diversos estilos no festival?
Essa mudança no conceito do festival me parece ser reflexo de uma alteração no perfil de seu público-alvo e que também pode estar relacionado aos patrocinadores. E aí voltamos para a questão de muitas empresas não terem interesse em patrocinar eventos de rock.
Como a marca já está consolidada, eu acho que não seria estratégico mudá-la mesmo, aí quem foi alterado foi o line up, provavelmente alinhandose a uma proposta comercial viável e visando atender um público que consuma aquele produto. E pelo que me lembro, em 2001, todos os dias foram bem sucedidos, desde o dia do Iron Maiden, até o que teve Sandy & Junior.
Quais as contribuições que o Rock in Rio 2011 pode oferecer para a expansão e força do cenário independente underground nacional?
Entendendo o festival como uma grande vitrine da música nacional e internacional, ter em seu line up artistas de qualidade do cenário independente seria ótimo para sublinhar o momento atual de virada de geração musical que estamos vivendo. Dez anos se passaram do último evento, é hora de o festival mostrar essa renovação artística interna.
Com a propaganda do evento, esse estilo musical começa a estar em alta. Será que novos músicos e bandas independentes vão buscar interagir mais com a mídia especializada?
Os artistas independentes já tem dialogado com a mídia especializada, principalmente impressa e online. Com o boom dos blogs e sites de música, essa mídia teve uma expansão horizontal imensa e cada vez mais os eventos independentes tem se destacado nos meios de comuncação. Quanto à mídia impressa, quando realizamos o Festival Fora do Eixo esse ano, em maio, no Cinematheque, Teatro Odisseia e Circo Voador, o evento teve ótimas repecussão na mídia e ainda foi considerado pelo jornal O Globo como o “maior evento do indie nacional a acontecer no Rio em muito tempo.”
Ou seja: esse diálogo já existe e é a hora dos produtores enxergarem as bandas independentes, que trabalham com um sistema de autogestão de carreiras como alternativas viáveis para composição do line up dos eventos, pois haverá retorno de público e mídia.
O Rock in Rio carioca 2011 pode aquecer a realização de eventos e projetos que estimulem o espaço do rock na cidade?
O cenário cultural carioca vai ferver a partir do próximo ano com o Rock in Rio, até a Copa do Mundo e as Olimpíadas. Pelo que já foi divulgado, os investimentos no setor cultural serão imensos. Além disso, um festival do porte do Rock in Rio que terá um investimento estimado de 35 milhões apenas em mídia, poderá contribuir muito para o aquecimento da cadeia produtiva da música de forma geral, principalmente no nicho do rock, criando tendências tanto de moda, quanto em outros setores.
A realização do festival no ano que vem e a sua forte divulgação, já este ano, pode aumentar desde agora a adesão do público amante e simpatizante ao cenário do rock?
Mais do que um estilo musical, o rock representa um estilo de vida. Ele transparece no seu público, seja nos cabelos, nos sapatos, nas roupas, mas principalmente nas ideias. O rock nunca saiu de moda, na verdade, ele está intrínseco na sociedade, mesmo que muitas vezes a onda sertaneja e as micaretas façam parecer que ele tenha ficado para trás: os últimos vencedores do Big Brother (um dos programas mais populares do país) são roqueiros, diversos programas de TV e novelas já tiveram bandas de rock representadas em suas tramas, ou compondo o programa, temos sempre bandas sendo entrevistadas, mostrando sua vida em reality shows (como esquecer do Ozzy e sua família?), ou em notícias nos jornais e na internet.
Acho que a aproximação do Rock in Rio e os fortes investimentos em mídia tendem, realmente, a trazer novos adeptos e a reintegrar outros , que deixaram guardado o gosto pelo rock desde a última edição do evento, há dez anos atrás.
Por isso, é muito importante que o festival seja capaz de apresentar a essa nova geração roqueira, a nova geração musical do país, para que daqui a 10 anos os artistas considerados apostas agora, estejam encerrando a noite do palco principal com o público cantando suas músicas.



