Quem pode relatar com lucidez e plena consciência, todas as sensações que se viveram no III Congresso Fora do Eixo? Eu não me arriscaria. Contudo consigo arriscar que foi uma das melhores experiências coletiva que vivi nos últimos anos. O grau intenso e volumoso de energia, compartilhamento, adrenalinas, trocas, ansiedade, choros, risos, dúvidas, entendimentos, envolvimento e desenvolvimento que houve ali, não é algo que se encontra em qualquer lugar. Defino o III Congresso FDE realizado em Uberlândia, Minas Gerais, como um enorme Furacão. Um furacão que devassa tudo por onde passa, limpa todo o terreno, mas nos deixa mais vivos do que nunca, para construir o novo. Talvez esse fosse um tipo de furacão peculiar, autoral do Fora do Eixo, que aliás, está presente em todos os Congressos nacionais.

 

Pro núcleo das FEmininas do Fora do Eixo Card, o furor já começou antes, no processo da Coluna FDE iniciada em Sampa, passando por São Carlos e finalizada em Uberlândia, junto ao Congresso. Dias intensos e de muito aprendizado. O processo de se reconfigurar, resignificar a todo instante, fica muito mais latente quando a missão é tornar os códigos sempre abertos, estando apto a ensinar e aprender. A arte dos exercícios, da explicitação e miniminização das contradições, da otimização do tempo, da sensibilidade e flexibilização da conjuntura, da constituição de núcleos duros e duráveis é mesmo digna de aprofundamento. É o que torna o saber orgânico, visceral, mutante e perene.

 

O processo da Coluna FEmininas FDECARD culminando no III Congresso fora do eixo, particularmente, foi um grande desafio. Era o momento de enxergar em tempo real e ao mesmo tempo, todas as situações de confronto, sofrimento, conforto e felicidade que estavam presentes no meu contexto. E a única certeza que eu poderia ter era a de que sobreviver a isso, seria estar muito mais fortalecida e apta a contribuir com todo o processo. Era a minha resignificação.

 

A estrutura orgânica e honesta da inteligência coletiva nos dá confiança pra seguir em frente entendendo que até o que aparentemente não deu certo, era por não existir o terreno pronto o suficiente. Dessa forma, aprendemos a fazer o contexto contando com a lei natural do tempo em fazer as sementes crescerem. Em paralelo, na busca de novas tecnologias como a "Ilusionista" que desafia essa lei e antecipa o crescimento da semente em uma velocidade absurda. Isso só é possível quando todos os elementos envolvidos agem numa crescente, nivelados e ao mesmo tempo.

 

Entre o entendimento do que é e a criação do que pode ser está o tempo de visualização, de dedicação e de construção de cada um. A equalização disso em cada membro do Circuito é a matemática de antecipação do tempo. E essa matemática é o que a inteligência coletiva vem mostrando ser possível, ainda que pareça intangível. Chega a ser assustador de tão maravilhoso! O III Congresso Fora do Eixo se constituiu na forma da dialética, era quase visível a olho nu. Foi fascinante.

 

É como uma frase que costumo pensar sempre quando reflito sobre a minha trajetória nesse processo: Nem nos meu melhores sonhos eu poderia ter imaginado um Cubo (e os desdobramentos dele) em minha vida! De fato o seu antigo nome "se fez juz": Mágico.

 

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