Sabado - 18/06 - El último dia
O dia de sábado na verdade começou no final de sexta, pois tinha uma entrevista marcada para o incrível horário das 7AM, acho que o mais ingrato de todos possíveis.
A rádio era a Rock & Pop 95,9 FM, uma emissora comercial bem mainstream, que tem uma porrada de ouvintes, e que curiosamente se interessou pela temática do trabalho que realizo. A princípio, achamos que poderia rolar um DJ Set por lá, mas não deu certo. Na verdade, o condutor do programa “El Triángulo de las Bermudas”, o Maxi Martina tinha se esquecido da gente a princípio, mas depois foi bem receptivo e armou um esquema para entrar ao longo de todo o programa. A proposta como diz o slogan é de “resgate da música em emergência”, e por isso o trampo do Independência ou Marte casava bem. Mas como se trata de uma empresa de comunicação, é lógico que rola um jabá e ele tinha que rolar uns sons pops bem toscos no meio, ao mesmo tempo que tinha uns trechos da Mixtape Abdução Instrumental#1 e alguns sons indies que eles curtiam. Ainda rolou um uma dupla sofrível que tocava um violão com letras românticas e estariam no próximo evento que o programa também realizam.
Junto com Wilson, eles faziam algumas esquetes radiofônicas, tirando onda com separadores meio non-sense até engraçados, mas em geral foi um programa meio fake. Deu pra trocar um tanto de idéia, mesmo que cortado por eles o tempo inteiro, e abalado com o cérebro ainda no fluxo do dia anterior. Mas rolou um lance muito massa de ganhar um vinil que estava na promoção do dia e que ninguém soube responder quem eram os compositores do duo clássico argentino Sui Generis que tinha o figura Charly Garcia junto com Nito Mestre fazendo um som meio folk psicodélico. Eles anunciaram um vencedor fictício para o disco, Andreas Andrada, e assim que terminou o programa, me disseram, "vos es Andreas Andrada". Beleza, mais uma pérola para o Acervo Che Guevara na Sede do Massa.

Esse foi o último programa de rádio que participei...voltamos pra casa, e desmaiei, já eram quase 10 horas da manhã.
Acordando no último dia de viagem, antes de ir armar todo o circo na Impa, fui dar umas voltas pelas redondezas para comprar alguns presentes, como postais e alfajores e comer minhas últimas empanadas.
Novamente levamos todos os equipamentos da Discotecagem Radiofônica no caminho de ônibus, mas chegando lá uma surpresa meio ingrata. Os coordenadores da Impa estavam ainda mais noiados que no dia anterior, e botaram um teto de 2 horas desde o início da primeira apresentação musical. Daí, trocando idéia com a galera, não fazia sentido tocar, já que teriam duas bandas e tinha um outro DJ, que parecia estar no gatilho. No meio da noite, ainda pilharam de armar o sistema, porque o cara estava tendo problemas de conexão com sua placa a noite inteira, mas não dava, ficava muito corrido para nada. Ruim, porque neste dia tinha um P.A bom, mas tranqui.

Os dois grupos que se apresentaram esta noite na Fábrica foram fenomenais. O início foi com o Las Cosas, que talvez foi a banda com mais elementos de música instrumental mais convencional, apesar de ter bastante invenção. Os temas são bonitos, instigantes e pilhados. Os caras são focados na nóia musical mesmo, e são bons nas variações de profundidade dos efeitos, modulações das guitarras e dos teclados vintage, com outros pedais sintetizadores. Batera firme, dando a consistência possível para conseguirem transcender bem com as linhas melódicas interessantíssimas. Gostei muito mesmo.

Depois, veio o Foto, que eu já havia sido pirado no primeiro dia na Fiesta Sintomática. Eu já tinha sacado todos os elementos e o conceito da banda, mas desta vez, mas livre, consegui entrar de verdade no mesmo flow do universo sonoro que eles entram. Bizarro, insano, esquizofrênico, divertido, engraçado. E a reflexão no espaço da fábrica fez com a banda soasse ainda melhor.
Eles vão criando uma química muito intensa e particular, com a variação livre em cima dos elementos. O baixo sintetizado de Hernán Hayet (que também toca no Gordo Loco Trio) cria uma atmosfera espacial ao mesmo tempo em que é pesado. Ele ainda tem um instrumento percussivo que ele toxa de efeitos e joga tudo numa mesa que controla equalização e mais efeitos também. A vocalista, Barbara entra em um fluxo muito ligado com a levada do baterista, e mistura frases fragmentadas em inglês com vocalizações com pequenas variações de pitch, muito ligada ao Hip Hop, numa mistura entre mc/dj usando a voz e garganta como instrumento. E o pedal de whammy marcando presença novamente para compor a industrialidade da expressão.Eles vão desde a abstração total até uma sintonia com pegada instigadíssima capaz de fazer o público dançar e sentir a sintonia necessária para soar bem com tanta invenção na hora.

fotos das bandas: Leo Balistrieri (BAEXP)
Pena que não dava pra ficar mais no espaço, fomos quase que expulsos. Novamente, junta todos os equipos, desce os andares da fábrica, e alguns afters ali por perto.
Tempo contado, voltei pra casa do Leandro pra arrumar as coisas, e ir pegar o avião que saía às 11h de Ezeiza, que não é nada perto, Mais uma vez, com a ajuda milagrosa e companhia dos grandes hermanos JuanK e Leandro, deu tudo certo...
Experiência transcendental, que com certeza vai influenciar em muitas coisas na vida, nos projetos musicais e outras viagens artísticas além destes registros em palavras necessários para reforçar a memória e alimentar o futuro.
Viernes – 18/06 - Sonidos industriales
Mais um dia de maratonas midiáticas e fechas buenas, sexta foi também o primeiro dia de atividades do Festival Buenos Aires Experimental.
F5 virtual na casa de Leandro e depois fui com ele mais cedo até a Impa – La Fabrica Cultural, no bairro de Almagro para armar as coisas. Ela funcionava como uma empresa que faliu e foi ocupada pelos próprios funcionários que retomaram o funcionamento de maneira autogestionária e horizontal, e na mesma época virou um centro cultural maluco, em meio a galpões gigantescos e máquinas antigas mas que funcionam e tem sua importância até hoje.
Sensacional, que as fotos de divulgação do evento eram dela durante o dia. Chegamos cedo, montamos e testamos os equipos da Discotecagem Radiofônica, provamos o som com o Falsos Conejos e beleza, a acústica do lugar, por incrível que pareça era muito boa, principalmente pra esse tipo de som, reverberava de maneira a dar um toque agradável.
O único problema foi que neste dia não teria P.A, então tive que usar o amplificador de guitarra do Leandro, o que prejudicou um pouco a propagação das vibes brasileiras que fiz no início, meio e fim do dia, que teve mais 3 bandas ainda.
Antes, perto das 23h, participei por telefone do programa “Que Sea lo que el Rock Quiera!”. A galera tinha sacado bastante sobre os rolês que participo e fez uma entrevista muito massa, superando qualquer tipo de problema comunicacional que eu temia. Novamente falei de tudo, principalmente sobre os coletivos, programa de rádio, os coletivos no Brasil, Economia Solidária, e tudo mais...
Pra finalizar novamente fizeram piada comigo sobre futebol, se o Brasil chegava a final com a Argentina ou ficava antes, falaram do gol de Caniggia em 90 e coisas do tipo.
Escute aqui:
Logo depois, o JuanK (baixista do Conejos) me levou para a rádio América 1190 AM, para outra entrevista. O programa que participamos estava sendo transmitido para todo o país, incrível, um puta espaço, que o companheiro Pablo (comunicação do Buenos Aires Experimental, que estava comigo) se impressionava e agradecia sempre que podia, pois era algo histórico estar entrando pra falar destes assuntos numa rádio tão clássica como esta.
Os apresentadores estavam incríveis, possuem uma dinâmica muito boa, e também são antenados e sacam bem de música. Eles comentaram sobre a mixtape Abdução Instrumental#1 que ficou rolando de fundo, aliás gostaram muito e comentavam sobre isso todo o tempo que podiam.Mas, além disso, novamente conseguimos falar de tudo, por mais de meia hora, e só tivemos que sair por causa da hora do Festival, que já estava para começar na Impa.
De volta, era cerca de 1h, ainda não tinha começado e a Fabrica Cultural já estava bombando, com mais gente do que eles imaginavam. Respira fundo, concentração, tira a porrada de blusa que estava, vence o frio e bora começar o set. Sabia que ia rolar muito loucura sonora na sequência, o que instigou a explorar ainda mais alguns samples e efeitos com temas instrumentais grooves brazucas, que eu deixei um pouco mais tortos com a mix que fazia. Esquentando...
A primeira banda seria o UL, que é um trio de guitarras totalmente experimentais, noise mesmo. Um dos guitarristas não manipula nada, só deixa o cabelo na frente de sua cara e fica explorando o instrumento da maneira como sua loucura chama. Os outros dois, processavam ruídos experimentando livremente a sonoridade dos pedais e dos Kaoss Pads, se utilizando de metais e outros objetos para intensificar a dinâmica nas cordas. Achei interessante pela idéia de intervenção, e como todos assistiram com a maior atenção do mundo por quase meia hora.
Mas ao mesmo tempo, penso que faltou um algo mais que os improvisos dessincronizados que rolaram. Cada um muito isolado em seu mundo, sem diálogo, extraterreno que fosse. Além disso, acho que falta um pouco de originalidade nos timbres e sobrou muita microfonia que às vezes cansava, para mim era do tipo que não batia tanto sentimento não. Mas ta lá, coragem e atitude industrial tudo a ver com aquele espaço.

Pouco tempo de discotecagem no intervalo e já entrou o Falsos Conejos, que é tipo uma banda símbolo de tudo lá, e que conheceram primeiro todo o rolê aqui do Brasil. Além de Leandro e JuanK, tem o figuraça do Mathias, que tem um estilo bem particular e fudido de tocar bateria.
A galera chegou um pouco mais perto, delays soando bem no espaço, e começou a meia hora de fúria, amor, fumaças, noites escuras e outros sentimentos misturados que vem à partir das paisagens que constrõem, seja com riffs rock mais potentes, frases mais melódicas reverberadas ou camadas de efeitos e retroalimentação. Leandro tinha me perguntado antes que banda no Brasil poderia parecer mais com eles e falei que o Macaco Bong meio de cabeça, sem pensar muito. Ficamos nós dois pensando um pouco se era isso mesmo, ele lembrou de umas históris semelhantes, mas revendo o show tive certeza disso. Tanto pela reação da galera que adora as inúmeras variações dos temas, quanto pela postura de som devidamente pesado e tocado com fúria de sexo. Foi cabuloso o show, melhor do que todos que já tinha visto deles antes aqui no Brasil ano passado.

A última banda da noite foi o Honduras, uma big band frita de oito hermanos que fez um show totalmente improvisado. Deixaram seus temas de lado e ficaram pirando nas dinâmicas de uma guitarra meio borratcha (mais ou menos como da banda Foto) e dos metais que estavam presentes, sem microfone nem nada, mas propagando de maneira absurda no espaço sombrio. As baterias e baixo me pareceram até muito bem comportados da conta, e os outros instrumentos também faziam um meio termo melódico. As lindas dissonâncias ficava a cargo de trompete, sax e guita mesmo.

Depois disso, um pouco mais de som pra rolar, mas os coordenadores do espaço queriam que a farra acabasse logo. Já não tinha cerveja e nem fernet desde o meio da noite, sairam uns negos embora reclamando, foi meio bizarro. Trabalho coletivo de formiga pra levar os instrumentos embora, fomos tomar uma saidera e ficar direto acordado porque tinha uma entrevista às 7h da manhã, vixe.
fotos das bandas: Leo Balistrieri (BAEXP)
Jueves – 17/06 - Dia fuera
Quinta feira foi o único day off da viagem. Bueno, tinha chegado às 8 horas da manhã de viagem de La Plata, então o desmaio foi mais do que necessário na friaca portenha.
Acordei meio tarde, e depois de organizar um pouco da vida virtual e registrar algumas idéias en la computadora, fui para o centro da cidade, nas ruas Tal Cahuano e Uruguay dar uma sacada nas lojas de instrumentos musicais e discos de vinylo.
Vale dizer que o real está valorizado, valendo o dobro da moeda argentina.
Eu já conhecia o potencial desta parte da cidade, mas encontrei somente 2 lojas na ativa...na verdade, não deu pra ver muito mais coisa, porque revirei as duas inteiras, entre todas prateleiras, estantes e nas partes debaixo. Muito bem organizadas, divididas por estilos com os discos em perfeito estado, normalmente espera-se uma facada para cada pérola, mas comprei clássicos por menos de 10 pilas. A vontade era de levar muito mais coisa, mas na medida da realidade, me contentei com os clássicos que achei: Robert Fripp & Andy Summers (excelente disco experimental de guitarristas), um Herbi Hancock Soundsystem totalmente hip hop, e uma coletânea com Hancock, Chick Corea, Keith Jarret e McCoy Tiner. Aburdo. Fiquei me coçando para levar também um Tangerine Dream e um Gong, mas fica pra próxima, já estava bem munido.



Depois, concentração em um das péssimas lan houses de lá, com uma máquina velhaca no limite para realizar a reunião semanal da Rádio Fora do Eixo, que tinha vários temas importantes para debater. Já era bem noite, voltei para a casa de Leandro em Belgrano, deixei as coisas, engoli um vinho e saí para reencontrar uma antiga amiga argentina que mora por lá. A única treta foi que a bateria da câmera acabou, então não tenho nenhum registro visual deste dia.
Miércules - 16/06 - La secunda mitad de viage
Mais um dia de atividades intensas nas ondas das rádios, comunitárias, educativas, livres, analógicas ou digitais.
Começamos indo novamente à La Tribu FM no início da tarde. Antes de entrar no ar, rolou uma reunião muito boa com o Diego, um dos membros do Coletivo que organiza e define os rumos da rádio. Ele nos contou sobre o funcionamento do veículo, como se dá sua formação ideológica, identidade e suas ações de formação, militância nas mídias livres e a ligação com a AMARC ALC – Associación Mundial de Rádios Comunitarias America Latina y Caribe. Também contei com mais calma e mostrei diversos links para ele pesquisar mais depois sobre a movimentação no Brasil.
Foi muito importante a troca de idéia sobre a necessidade da transparência nos procedimentos de cada Coletivo, como acontece no Circuito Fora do Eixo. Isso deve ser importantíssimo para a cena de Buenos Aires porque lá já existem diversos grupos que funcionam bem internamente, mas precisam dar um segundo passo de se integrarem mais oara se fortalecerem mutuamente e conquistar mais espaços. Como o Leandro,citou diversas vezes nas nossas conversas, tem que rolar uma quebra de idiossincrasia da personalidade de cada um pra coisa catalisar de verdade. Mas a troca que rolou por ali foi importantíssimo para todos os lados refletirem um tanto como está funcionando as expressões culturais independentes na cidade, como mapear e catalisar com o potencial que eles tem juntos.
Escute:
Logo depois, foi a minha vez de ser o entrevistado do programa de Ezequiel Abalos, que neste dia da semana se chama En La Mar em Coche; ele estava junto com um figura que chamado Pipo, e me instigaram de maneira muito positiva a falar sobre tudo, sendo curiosamente muito receptivos e simpáticos com todo o conteúdo que conversamos. Figuras bem ativos e formadores de opinião, sairam bem contentes depois da troca de ideia.
Escute:
F5 na internet, e depois cruzei a cidade novamente no incrível ônibus 168 (que como o 65 leva para todos lugares de cidade) e voltei novamente para o Plasma, onde juntei com Leandro, Nacho e Julia para participarmos do Ligue os Pontos na Rádio Fora do Eixo. Só que a galera em BH teve problemas técnicos, então fizemos uma troca de ideia que foi gravada e parte usada no Independência ou Marte#149. Sinceridades e novamente idéias frescas e novos ânimos para trabalhar juntos na cena.
Escute:
A charla estava bueníssima, mas já estava mais do que na hora de correr para La Plata porque estava em cima da hora do último programa do dia, o Progresiva 70' na Rádio Universitária de lá. No meio do caminho, pegamos uma mesa de som que serviria de mixer para juntar com os CDJs do estúdio e fazer um DJ Set de 30 min Ao Vivo.
Experiência nova fazer a Discotecagem Radiofônica em um programa que não o Independência ou Marte, mas foi uma lavada de alma, catártica e experimental como deveria ser. Os tipos que conduzem o programa, Martin, seu pai e outro compañero gostaram muito da apresentação, piraram no som e trouxeram vários conceitos em cima disso. Foi bem estimulante a quebra de fronteiras e o diálogo estabelecido novamente entre distantes gerações.
Só tinha ônibus de volta para Buenos Aires de manhã, então aproveitamos que tínhamos que deixar a mesa de som lá e ficamos com o pessoal do Milica, um casal/banda que também fazer parte do Buenos Aires Experimental. Grávidos, na companhia da cadela Teresa (modelo da arte de seu disco), eles foram receptivos de maneira absurda e ficamos ouvindo sons alternativos argentinos, experimentando sua guitarra de Luthier, entre outras cosas.

Uma cochilada e levanta num frio de puta madre para voltar pra Buenos Aires, cedíssimo. Dorme, perde a parada, atrasa no trem, chegamos vivos e exatamente na hora do jogo da Argentina, mas não tinha forças para ver.
Martes - 15/06 - Reencuentros e giras por la ciudad
La Tribu FM na real virou um ponto de encontro, e me chamaram para assistir lá o jogo do Brasil X Coréia do Norte no telão, junto com outros brasileiros. De lá, partimos direto novamente para La Vencida, porque ia rolar mais uma oficina de hardware aberto, desta vez de Atari Punk, uma espécie de sintetizador com potenciômetros, com mudança de pitch e modulações com um timbre rasgante. Quem colou por lá para coordenar o laboratório foi a galera da Golden Acapulco, uma crew de dub experimental que já rodou toda a América Latina (inclusive o Brasil), expandindo as fronteiras do som com apresentações extra-sensoriais. Infelizmente não os vi em ação nestes dias, mas eles devem vir para cá em breve, espero.
Novamente não fiquei até o final, desta vez porque tinha uma entrevista no programa Nadie nos Invitó na Rádio da UBA – Universidade de Buenos Aires.A rádio fica numa região central da cidade, bem no esquema de patrimônio público, em um prédio antigo com outras instituções da faculdade. Mas o veículo em si é meio novo e foi interessante sacar que abriam espaços para programas mais alternativos como o que eu fora convidado.

Galera buena onda total, bem humorada e interessada em sacar do que estava acontecendo por aqui. Apesar de soltarem um Paralamas clichezão antes da minha entrada, e não saberem muito ainda do que estava rolando por aqui, deu pra falar bastante do Circuito e rolar um Macaco Bong gravado Ao Vivo na Rádio Fora do Eixo e um Burro Morto Ao Vivo na Rádio UFSCar, buscando trazer um discussão estética à partir de diferentes regiões do Brasil, ao mesmo tempo em que se é possível relacionar com o que se está produzido por lá no Buenos Aires Experimental. Logo depois, chegaram Leandro e Leo para ajudar a trazer mais idéias e informações sobre tudo que estávamos armando por estes dias.
Acho que foi a entrevista que mais falei em portunhol, mas deu pra me entenderem bem, e trocamos bastante ideia sobre a nova música brasileira e a expansão da fronteiras das novas maneiras de produção, princípios ideológicos que fazem parte desta história. Aprofundamos sobre a experiências do Fora do Eixo, bandas independentes e a aproximaçãoo do trabalho que está sendo realizado no Brasil. Teve perguntas pelo facebook sobre Economia Solidária, Caetano e Gil, além de outras interações muito positivas, e descobertas deles que há muita novidade rolando no país vizinho. Eles ainda me instigaram a falar sobre a Copa do Mundo, é claro, e sobre os a suposta richa que tería passando justo nestes dias por lá.
Escute aqui:
Depois, ainda demos uma volta noturna pela cidade, passamos por casas noturnas que abrem certo espaço para bandas autorais, depois fomos a um pequeno bar que eu já conhecia no bairro do Once, onde tava rolando umas sessions de free jazz. Noite fria, esfumaçada e climão soturno.
Voltamos para a casa de Leandro pra um descanso necessário, que o dia seguinte seria loco.
Lunes - 14/06 - El início da maratona de broadcast
Uma das coisas marcantes desta semana foi a quantidade de programas de rádios que rolariam em uma semana. Junto com os programas brasileiros, conquistando espaço em rádios alternativas e conhecidas de Buenos Aires, totalizando
O início das atividades em rádio foi na histórica La Tribu 88,7 FM, uma rádio comunitária que completou 21 anos (de Amor, segundo o slogan), exercendo um trabalho político através de uma organização coletiva que deveria ser exemplar para todos os meios de comunicação no Brasil. Eles operam com total liberdade de conteúdo, pautam todas atividades culturais e políticas da capital, abrem espaço para novos programadores, realizam oficinas nos estúdios e em campos, tendo a experimentação de linguagem como estética.
Uma volta pela estrutura e percebe-se o esforço e organização do Coletivo e mentalidade de expansão além do veículo, já que também realizam sessões de cinema e poesia no espaço. Além dos estúdios, possuem uma estação móvel, um bar, telão, estrutura de som para evento, entre outras coisas.
O coletivo Buenos Aires Experimental está com uma coluna no programa “La Experiencia del Desierto" de Ezequel Abalos, figuraça ativista cultural. Na segunda de tarde, Leo e Leandro foram divulgar o Festival por lá e rolaram as sonzeiras das bandas nada convencionais para um início e tarde. Perfeito!!!
No meio de um frio absuro, totalmente molhados, não dava para ficar por lá até de noite, então voltei pra casa de Leandro para preparar as coisas para entrarmos Ao Vivo também no Independência ou Marte que estava sendo realizado em Sanca por Felipe e Yasmin. Por skype, eu e Leandro contamos as primeiras experiências que estavam sendo realizadas, um pouco da cena de lá e dos próximos passos a serem realizados.
Tudo certo, vários sons transmitidos para o Brasil, e já voltamos correndo a La Tribu para participar do FMP3, programa que é diário às 1h, com conteúdo emergente, urgente e instigante. O tipo que conduz a história toda é Mingus, uma cara muito amável e sagaz, e está muito bem acompanhado por uma galera muito vibe, que faz diversas interações ao longo do programa. As separações entre blocos são intervenções radiofônicas experimentais, alucinações, abstrações e tudo que se pode inventar quando existe mentes criativas e um microfone condensador ligado. Na troca de idéia, falamos de tudo, desde o trampo da Discotecagem Radiofônica e do Independência ou Marte, o Massa Coletiva, o Circuito Fora do Eixo, mídias livres, democratização da comunicação, Software Livre e Economia Solidária. Foda!!!
Escute aqui:
Domingo 13/06 – Hardwares e codigos abiertos
O domingo começou com a ida ao bairro de Caballito, passando pra comprar discos na feira do Parque Rivadavia, e pelo fato quase trágico da esquecida do Sample em uma barraca, que me deixou apavorado por 10 minutos, com certeza os piores momentos da viagem e do ano. Concentração e esforço de memória foram essenciais pra encontrar o filho perdido na multidão.
Tranqüilizado e com ele em mãos, andei algumas quadras para conhecer a Vencida (Vizinhança), uma casa/centro cultural que haviam me falado no dia anterior na Sintomática. Por lá estava rolando uma oficina do Sudamérica Experimental, um evento de Circuit Bending e outras alucinações, capitaneado pelo argentino Jorge Crowe (que se apresentara no dia anterior também), o já comparsa brasileiro Pan&Tone, uma galera do Chimbalab (do Chile) e os malucos de uma crew de Dub Experimental chamado La Golden Acapulco. Além de toda a ruidagem maravilhosa dos hardware abertos, foi absurdo conhecer essa vizinhança coletivista, que realiza duversos eventos, comno sessões de cinema, atividdes ligadoa a rádio, livros independentes e outras atividades colaborativas, na busca pela expansão e democratização do conhecimento. Eles me chamaram para participar do programa deles no dia seguinte.
Não pude ficar até o final da oficina pois tinha que ir me aventurar com a Discotecagem no Plasma, um estúdio e casa de show, de uma cara muito ponta firme chamado Nacho, companheiro de Leandro, que estava muito interessado nas atividades do Circuito Fora do Eixo e dos Coletivos no Brasil. Tem uma mente abertíssima, e faz muitas coisas como propor alterações na legislação em busca de ideais que acredita.
Antes de armar os equipamentos por lá, conversamos por um bom tempo sobre tudo, transparência e código-aberto do funcionamento tanto do Massa e outros Coletivos, dos Festivais, e outras atividades da Rede. Entusiasmado, o cara já estava armando algumas coisas independentemente com projetos brasileiros, e deve ser uma ponte fortíssima para armar datas e outras ações num futuro próximo. Está armando uma vinda para o Brasil em breve, e quem sabe não participa até do Congresso Fora do Eixo em outubro. Marcamos de fazer a transmissão para o programa Ligue os Pontos lá na 4a feira.
O evento da noite não foi produzido pela casa, como costumam acontecer de maneira bem mais intensa. Foi interessante, mas longe de chegar perto da noite anterior, tanto pela motivação natural do público, e mesmo do potencial das bandas.
Sabado 12/06 – La primera fecha
A ida pra Buenos Aires foi planejada com pouco tempo de antecedência, mas mesmo assim, muita coisa foi armada por lá, à partir do contato com Leandro do coletivo Buenos Aires Experimental. Por uma semana, estive desbravando os espaços noturnos e os meios de comunicação de uma cidade gigantesca, ocupando os espaços com cultura brasileira independente.
Recepção no Aeroporto e acomodação muito firmeza na casa dele no bairro de Belgrano, essencial para descansar o necessário nas madrugadas e manhãs frias. Sem muito tempo para perder, no próprio dia, estava marcada a apresentação da Discotecagem Radiofônica na Fiesta Sintomática, organizada pelo coletivo de mesmo nome que faz parte Rodrigo Gómez, entre outras pessoas maravilhosas, como a produtora Julia e outros alunos, músicos e artistas engajados nas experimentações multidisciplinares.
Como a programação já estava fechada quando me chamou para fazer, pediam mil perdões a todo tempo por poder ser somente no início da noite, antes das outras atrações. Mas, surgiu a idéia e acabou rolando de tocar entre cada peça teatro, apresentações e shows. Foi histórico a recepção das pessoas durante o set, sentindo verdadeiramente o som e prestando atenção a cada passo das mixagens, efeitos, samples e intervenções sonoras.
Nunca vi tanta gente tocada pelo som desta maneira, me agradecendo e fazendo elogios que nunca imaginei ouvir assim. Emocionante.
Melhor ainda por estar no meio de um evento que é referência de inovação estética e transgressão artística, e estive apaixonado por todas as manifestações, desde a dança contemporânea com o violino cheio de efeitos, as esquetes de literatura/teatro e as apresentações do Proyecto Gomez + CAS, e a banda Foto, que voltaria a se apresentar no sábado que vem. Enquanto o primeiro se baseia no desenrolar de canções com loop de vários instrumentos junto com uma banda de apoio muito foda em pincelar os detalhes, a segunda faz shows intensos totalmente improvisados e dissonantes, com baixo cheio de efeitos sintetizados e uma guitarra bêbada estampada na cara, com variações de pitch que davam a impressão de estar ouvindo uma máquina terceiromundista polifônica.













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