Imersão Poços de Caldas

May 14, 2011, by Jovem Palerosi - No comments yet

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Imersão realmente é a palavra certa para traduzir o encontro dos dias em Poços de Caldas. Assim como o corpo se desnuda para mergulhar e sentir os efeitos das águas termais típicas da cidade, foi preciso cada um se despir de todo seu trabalho anterior para entrar neste universo onde o que predomina são as diferenças, culturais, musicais e até mesmo na idade entre cada um que compõe esta história. Ao mesmo tempo, uma viagem a fundo dentro de cada um, para encontrar a essência artística que nos trouxe até este momento, de comprometimento para realizar um projeto coletivo, que tem de ser ainda mais compartilhado entre todos.

Para se ter idéia do dna que compõe o grupo, juntamos as experiências da cultura regional, da canção popular, da música erudita, do instrumental contemporâneo, eletrônico e experimental.

De cabeça todos nós quatro (eu, Jucilene, Vanessa e Di) e nossos companheiros de processo: Alfredo Bello, consultor e produtor ideal para o projeto, com bagagem gigantesca em todos estes caminhos que estamos percorrendo, além de ser amigo, praticamente o quinto integrante; Andréia, produtora gente finíssima do Itaú Cultural, que acomapanhou e somou muitas ideias nos dois primeiros dias, junto com a Gabi e o Paulo do Coletivo Garapa, que estão registrando grande parte do processo.

 

 

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Jucilene Buosi é a moradora da cidade que nos recebeu calorasamente, levou para comer em deliciosos lugares, passear por algumas praças, pelo mercado e ainda conseguiu cortesias para um banho das famosas Thermas Antônio Carlos e para o bondinho que leva até o Cristo no morro, que não deu tempo para conhecer. Mãe de família, casada com Wolf Borges, um excelente compositor (de quem já pescamos uma letra para o grupo), ela trabalha sua voz de uma maneira muito autêntica e natural, podendo passear por uma grande gama de tessituras.

 

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Vanessa Longoni é de Porto Alegre mas mora atualmente no Rio. Talvez uma das mais pilhadas, totalmente entregue a proposta, visualiza o potencial do projeto, quando podemos colocar qualquer elemento que quisermos, inclusive além da música, o teatro, o cinema. Muitas energias juntas, traduzidas também em uma bela voz que constrói um dueto perfeito com Jucilene.

Di Freitas, brincamos ser nosso patrãozinho, é um grande músico e pessoa que vem de Juazeiro do Norte (CE). Sempre mantendo uma mesma serenidade, está presente o tempo todo, mesmo quando quieto. Ele trouxe dois instrumentos que construiu, basicamente rebecões/cellos em cabaças, que dá um aspecto visual totalmente peculiar e um som lindíssimo, que por diversos momentos experimentamos processar com efeitos.


 

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Eu sou o mais novo, talvez de todos os outros grupos e talvez isso me traz a inquietação ainda maior de que tenho muito que aprender e desenvolver com este projeto. Um momento para fortalecer minha identidade, buscar desenvolver minhas linguagens, minha forma de criar, colaborar e misturar, muito além do que fiz até hoje. Fui munido de guitarra, pedais, sample, Kaoss Pad, mesa de som e computador. Já tinha refletido sobre minha missão em estar conectado a todos outros elementos, podendo manipulá-los, ao mesmo tempo em que vou construindo ideias rítmicas e melódicas com programação eletrônica, loops, riffs e tudo mais que for possível. Um desafio grande e bom.

 

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E assim começamos. Depois de três dias muito estimulantes, saímos em busca de nossa identidade, crescendo enos conhecendo juntos...quem quiser escutar um pouco deste primeiro encontro:




Rumos

November 1, 2010, by Jovem Palerosi - 2 comments

No primeiro semestre do ano passado,  em meio as vivências e experiências do Independência ou Marte e do Massa Coletiva, passei a me interessar mais na relação com os loops e sobreposições de sons, de maneira a criar diversas expressões musicais à partir disso. A maioria delas eram muito efêmeras, como os momentos daquelas introspecções. Aos poucos, fui abrindo esses sentimentos e transformando-os também em algo com mais cores e ritmos, alguns mais cadenciados, outros com o beat mais  downtempo em viagens mais etéreas. Em um processo bem lento, fui mostrando essas ideias para as pessoas mais próximas, vez o outra registrando de alguma maneira.


 

No meio do ano, junto a uma forte vivência com os parceiros da banda Malditas Ovelhas!, comecei a trampar mais diretamente com o Zeguila (batera), em viagens a partir de guitarras loopeadas, samples e percussão, lidando com uma certa retroalimentação dos sinais, gravando nós mesmos nos ensaios e resignificando isso tudo. Em um primeiro momento montamos algo bem simples e sincero para uma instalação no lançamentio do Festival Contato daquele ano. Na mesma época, fiz uma esquete do Mago das Guitarras Espaciais na primeira sessão do Vaudeville do Século XXI:



Mas no segundo semestre, a vontade seguiu forte e fomos amadurecendo este trabalho, que depois de um tempo iniciamos a chamar de Máquina Esquizofônica:

" Então é necessário mudar a chave do processamento e fazer a Máquina regurgitar os sons. É hora de reler não só o mundo, mas principalmente a si próprio, de maneira intensa e constante. Assim, amostragens, fragmentos, e devaneios frenéticos começam a ser organizados de maneira a sensibilizar as camadas da percepção. O processo de registro e repetição das células musicais ganha então o sentido de mantra, ritual que transcende os corpos, pensamentos e comportamentos. O diálogo realizado através de mensagens que fogem do plano terreno, concreto, e busca uma significação que beira o campo espiritual. Beats sequenciados, riffs em loop, frases sensivelmente melódicas e densas camadas de efeitos; a música buscando se comunicar não só com sua organologia, mas na estética possível das frequências simuladas de outros universos e a expressão de sentimentos profundamente interiores.”


Nossa perversão sonora era intensa e, contornando alguns hiatos por viagens e outras questões pessoais, seguimos com o projeto e decidi ficar a virada do ano em São Carlos para gravar os sons que tínhamos até o momento. Veio a idéia de um EP com 6 faixas, da qual gravamos 3 naquela semana, em um laboratório low-fi, em busca de uma sonoridade sincera àquele momento. Daí rolou um processo de imersão absoluta na Sede do Massa, mais especificamente em uma sala que depois passou a ser intitulada ZenStorm (por ser o lugar que inspirava a criação e único espaço a se proteger de verdade da forte chuva que caiu naqueles dias).


Porém, o mergulho tão profundo fez com acabasse um pouco do fôlego e rolasse uma autocrítica disso tudo que estávamos fazendo. Junto a preferência do foco em outros horizontes do processo e o surgimento de outros projetos, congelei os sons até o meio deste ano, quando reencontrei uma inspiração e nova maneira de abordar eles. A idéia (que na verdade já estava presente desde o início) é de transformar isso tudo em processos de criação mais abertos e poder incrementar mais elementos à partir das bases, como por exemplo o saxofone. Fizemos uma apresentação de algumas dessas intenções no Vaudeville do final de agosto.

 

 

Nesta mesma época, finalizei os sons gravados na virada do ano, motivado a me inscrever no Rumos Itaú Cultural/Música na categoria Coletivo.


BAIXE AQUI


Daí a surpresa bem grande com o resultado da aprovação na seleção que teve cerca de 2.700 inscritos, servindo como um puta estímulo para afirmar o que sei que estou em busca de realmente me focar nos processos criativos em música, entrar de cabeça nos meus sonhos e trocar experiências com quem houver sintonia de verdade. A partir deste edital, vou me juntar a outros músicos de diferentes bagagens, faixas etárias e estilos de vida, mas me sinto tranquilo pra aprender e contaminar não só com a linguagem musical, mas com tudo que vamos cultivando neste processo coletivo aqui em São Carlos e em todo o Circuito Fora do Eixo.

E assim, a busca é por transformar as idéias que nascerem em frutos de uma inteligência e sentimento que não faça sentido somente para mim, como achava no início. Aliado a todo o processo de composição destes trampos e tudo que for acontecendo, vou soltar algumas pistas abertas, para quem se interessar em remixar e utilizar como samples à partir destas matérias-primas.
A primeira faixa que faço isso se chama Sindhu. BAIXE AQUI

E ao longo do tempo vou registrar em posts e outros materiais todo esse aprendizado para que ele passe a fazer sentido cada vez mais para novas pessoas, que tudo isso tenha uma vida própria e todos possam se sentir parte.



Psicodelia Infantil - Parte 4

August 11, 2010, by Jovem Palerosi - 3 comments

Eu tinha falado alguns posts atrás que estava com saudade de fazer som com minha irmã Juliana e no final de semana passada a gente fez uma bela bagunça. No primeiro dia, ela fez uma birra de criança e nem olhou pra minha cara. No segundo, depois de um dia muito contente, já de pijama ela soltou a voz e inventou mais umas letras super inspiradas e outras performances sozinha ou junto comigo:



Ela a princípio não queria ser filmada de novo, sabia que eu ia acabar colocando no computador e outras pessoas iam ver.
Mas depois se rendeu ao espetáculo e mandou muito bem, criando tudo no momento, e deixando maluco de feliz seu irmão bobo:



Ciclos (parte 1)

August 5, 2010, by Jovem Palerosi - 2 comments

Não me lembro ao certo exatamente quando foi a primeira vez que vi um instrumento em loop, mas sempre me interessei pela técnica de uma canção meio que infinita que encontra variações dentro de si mesma. Numa idéia da música como um rio que possui seu leito central, afluentes, desvios, quedas, mudanças de rumo e tudo mais, seguindo um fluxo contínuo de sua natureza. Ao contrário da música ocidental marcada pela estruturação em blocos, planejada e organizada em termos até mesmo arquitetônicos.

Daí vem a mente algumas referências e idéias que me identifico e que vem me influenciando direta ou indiretamente:

 

Santiago Vasquez
Acredito que foi a primeira referência nesse sentido, descobri depois do show da Bomba Del Tiempo, que ele também coordena. Ao Vivo, manipula todos instrumentos, mas é mais forte nos elementos ritmicos.

 

 

Proyecto Gomez
Às vezes se apresenta sozinho, mas vi uma show em que tocava com banda também. Em ambos me identifiquei muito com a forma como se constrói e descontrói cada som, buscando a sopreposição de melodias de voz e guitarra ou mesmo, ritmica com a bateria.

 

Dub FX
Descobri recentemente, um fenômeno de utilização de efeitos e do loop. Mixa tudo à partir de sons vocais, e deixa a música com peso incrível, além de fazer letras e cantar.

 



Camille

Pro seu disco de 2005, a francesa usou muito loop para voz, criando camadas percussivas interessantíssimos e brincadeiras melódicas pop experimental.

 

 

Nathan Bell
Nathan não usa nenhum recurso tecnológico para loop, mas sua música possui um poder de transcendência que remete a esse tipo de som, alcançando algum tipo de reflexão espiritual à partir do banjo com delay e de estruturas cíclicas.



Customizando Sonhos

August 1, 2010, by Jovem Palerosi - One comment

 

 

 

A gente por diversas vezes ainda se pega no meio do sonho que é estar criando o nosso próprio estúdio do Massa. Desde o início do ano, com a casa própria do Gu, o espaço começou a ser preparado. Ele fez uns belos posts na época, tutoriais que contavam dos processos de experimentações acústicas que fez e depois da gravação de Kirilenko do Aeromoças e Tenistas Russas, que já ficou fino demais.

 

 

 

No início de julho começou a fase 2 deste processo, com a reforma mais bruta do espaço, quebrando paredes para colocar um porta e vidro de estúdio profissa, e tampando a janela com tijolos.

Daí, logo na sequência, depois de dar uma raça junto no trampo braçal, a galera de Sorocaba do The Sams Hardcore Orquestra começou a gravar seu disco, que ainda falta uma segunda imersão para terminar.

 

 

 

 

Nesse meio, tempo, evoluímos no trampo estético e acústico do lugar, com a arte instigada do GIL & MLS, a nossa crew de grafite, recém formada, além de cartazes de eventos que fizemos ou participamos e desenhos rústicos do Gu.


 

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Além disso, as tradicionais caixas de ovos, revestidas com panos circulares (que lembram lentes de câmera) foram pendurados em lugares estratégicos, para funcionar como absorvedor de som numa sala onde o piso e as paredes eram de azulejo, que incentivavam um reverb meio maldosão.

 

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Até um carpete achado numa caçamba foi aproveitado. Depois de uma raça pra lavar e secar, ele encaixou de maneira perfeita na sala técnica que foi remontada neste final de semana.


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Agora é testar tudo na prática, levando a sério cada viagem e projetos que estão nascendo dento deste laboratório. Além da Sams, o Aeromoças mergulha lá pra gravar seu disco este mês, a Plano Próximo vai registrar sua nova fase por lá e muitas outras possibilidades se abrem por ter um espaço customizado e livre para experimentar e fomentar a produção da Independência ou Marte Discos que nasce junto a tudo isso.

 

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