por Claudia Schulz | Macondo Coletivo | Santa Maria-RS

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

A interdisciplinareidade e pluralidade são questões cada vez mais latentes nas linguagens artísticas contemporâneas. Hoje, a realidade artística demonstra a potencialidade do diálogo entre artes cênicas, música, audiovisual, literatura, artes visuais, entre outras. Cada vez mais se torna visível o (re)desenho do panorama artístico brasileiro que busca esse diálogo e também se destaca pela valorização dessas singularidades e diversidades que marcam os processos híbridos e mestiços do fazer cultural.

 

O Circuito Fora do Eixo, rede nacional que completa em 2010 cinco anos de trabalho na construção e sistematização de uma rede de música independente no Brasil e América Latina atento e aberto e propositor desse (re)desenho cultural brasileiro, abre-se para a criação de novas frentes gestoras. Atualmente, o Clube do Cinema Fora do Eixo e o Palco Fora do Eixo são duas novas bancadas que começam a se estruturar integradamente as tecnologias e ferramentas desenvolvidas pelo CFE. A proposição é que, a longo prazo, o Circuito Fora do Eixo se torne uma rede que agregue a diversidade das linguagens artísticas de forma horizontal e sustentável. Para conversar sobre esse processo a comunicação do Palco Fora do Eixo, andou conversando rapidamente com Pablo Capilé. Segue ai a entrevista.

 

PFE: CFE veio trabalhando durante 4 anos, na construção de uma rede nacional de música independente. Atualmente, outras linguagens artísticas como audiovisual, artes cênicas e artes visuais começam a dialogar com esta rede, ocupando-se dos espaços e ferramentas já elaboradas pelo CFE. Como você visualiza esse processo de integração das artes?

 

PC: Acho que esse processo de integração das artes, conectado com a busca de um novo modelo econômico para a produção cultural através da economia solidária, é justamente o que vem sendo construído nesses 4 anos. O que a rede nacional fez em sua primeira etapa, foi estruturar um sistema nacional de música independente, através da viabilização da circulação de artistas e produtores pela plataforma que integra os shows dos coletivos locais, com o circuito de casa de shows tendo seu ápice os Festivais. Tudo isso muito é cada vez mais bem acompanhado por um sistema de comunicação autônomo na Internet e garantido por um sistema de distribuição de produtos que resignificou um mercado encontrado em colapso. Quanto às outras linguagens visualizo que elas têm uma oportunidade única de se potencializar através da plataforma deixada pela música. O público está ávido por mais cultura e mais linguagens no processo só depende da habilidade dos artistas e gestores de outras linguagens entenderem como contaminar a rede.

 

 

PFE: O processo de adesão de novas frentes gestoras e propositivas como cênicas e audiovisual para os coletivos integrantes do CFE é um processo lento e requererá um amadurecimento das propostas e possibilidades de abertura por parte dos coletivos nessa integração. Que caminhos você apontaria para uma maior abertura?

PC: Na verdade o que é lento é o processo de implantação da sistematização das trocas na economia da cultura, ou seja, a música teve que abrir muito espaço pra construir sua plataforma. Para uma maior abertura acho que é muito importante para novas frentes gestoras propositivas compreenderem que fazem parte da rede tanto quanto as que já estão há mais tempo.

 

 

PFE: A entrada de um novo coletivo para o CFE sempre requer um investimento tanto dos grupos já pertencentes à rede (que precisam auxiliar na integração dos recém chegados) quanto do novo coletivo no fortalecimento da rede já existente. E quando a entrar no Circuito não é mais um coletivo, mas uma nova linguagem que constituirá uma nova frente (como o teatro, as artes visuais) com características próprias, singulares, que tipo de investimento essa nova frente pode fazer para o fortalecimento da rede existente? E que tipo de investimento, mudança, você acha que a rede do CFE precisará fazer para que essa nova frente se integre preservando suas características singulares?

PC: Acho que o grande mérito de um processo produtivo articulado em rede é a sua capacidade de reconhecer e respeitar idiossincrasias através do princípio da autonomia. Nesse contexto acho que a rede tem que investir para que as novas frentes entendam mecanismos de equilíbrio como a adesão livre consciente e esclarecida ao processo, a importância de se garantir o lastro para poder contaminar a rede com as demandas específicas de cada linguagem e principalmente desenvolver políticas afirmativas no sentido da expansão do banco de estímulo dos agentes dessa frente. Com esses itens garantidos pela rede os agentes dessas frentes que vão se conectando tem que investir para serem cada vez mais células de um organismo vivo, se colocando a disposição de demandas estruturantes nos eixos temáticos que suportam todas as linguagens como a circulação, comunicação, distribuição, sustentabilidade e etc.