por Caio Silva | Amerê Beta Coletivo | São Paulo-SP
No III Congresso Fora do Eixo foram evidenciadas diversas práticas por parte dos coletivos, e a partir do confronto entre diferentes realidades, surgiram alguns debates muito interessantes e enriquecedores. Escolhi um deles que que trata do tema mais debatido no congresso, a tão almejada (e com toda razão) sustentabilidade. O debate que quero abordar aqui comporta alguns temas específicos como ter ou não sede, o debate dedicação exclusiva vs integral e finalmente a pergunta de o que vem primeiro: a sustentabilidade ou a dedicação. Ou seja, será que os integrantes de um coletivo devem esperar uma sustentabilidade pra se dedicar integralmente ao coletivo, ou será que tem que se dedicar para alcançar a sustentabilidade. No GT que me encontrava, essa questão foi comparada ao épico dilema do que veio antes: o ovo ou a galinha. Ao meu ver, entretanto, a questão de sustentabilidade e dedicação está muito mais próximo do dilema menos antropológico: Tostines é fresquinho porque vende mais ou vende mais porque é fresquinho? Na questão acima podemos destrinchar que o dilema é se tostines vende mais porque é fresco, ou seja, se é um biscoito tão fresco que convence o consumidor de que tem que comprar mais, ou se é fresco porque vende mais, propondo que vende tanto que está sempre mais fresco. A falácia se mostra rapidamente: tostines não pode ser fresquinho porque vende mais, pois a qualidade de frescor do biscoito está condicionado ao processo de fabricação do mesmo, e não ao seu tempo de prateleira, e exatamente nesse ponto que faço o paralelo com o dilema debatido no congresso sobre dedicação e sustentabilidade. A sustentabilidade de qualquer coletivo (e na verdade, de qualquer projeto de vida) está condicionada ao tanto de empenho que se investe neste. Ou seja, a única forma de aumentar a possibilidade de sustentabilidade de qualquer empreendimento é aumentar a dedicação neste mesmo, e não esperar a que ele vingue. E aqui trago outro clichê pra reforçar o argumento: 10% inspiração, 90% transpiração. Uma ótima idéia não passa de idéia, e para que ela se concretize existe uma incalculável carga de trabalho, que só pode ser suprida com dedicação. Não ha segredo para o sucesso, e podemos ter claro que sucesso nada mais é do que ser sustentável do maior numero de maneiras possíveis, seja financeira, social, ambiental, cultural ou política. Portanto, ao meu ver, as questões sobre ter ou não sede, e sobre dedicação exclusiva ou integral se resume a esse mesmo ponto. Em busca de sustentabilidade, o único caminho é a dedicação, que tem que ser plena, ou seja, temos que estar o dia todo pensando na sustentabilidade do coletivo, seja articulando um Arranjo Produtivo Local, ou dando aula de música em projetos sociais, ou captando recursos pra algum projeto, ou participando do conselho de cultura local, ou fazendo bolsas de banners de festas, ou promovendo ações ambientais. No fim do dia, o que importa é se os recursos oriundos dessas ações estão sendo revertidos pra sustentabilidade e continuidade das ações do coletivo.
2 comments
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bcn, caio!
Muito bom!
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