por Ynaiã Benthroldo | Espaço Cubo | Cuiabá-MT

(ilustração)

Eae ?! Aqui vai mais um texto, que era um email e depois que a Luiza Bittencourt (Ponte Plural -RJ) falou comigo no Gtalk às 02:00 da manhã " man, posta o seu email no blog que ficou massa", bom, ai está. Para quem não sabe a lista é a lista de bandas do FDE (@foradoeixo). Para participar não precisa fazer parte de coletivos e afins; a ideia é ate colocar cada vez mais bandas que não estão na lista para conhecerem o trabalho. Quem estiver afim de participar da lista e das discussões (que estão muito boas por sinal) basta mandar um email para : bandas@foradoeixo.org.br Boa leitura ;) Que massa galera.

 

 

O debate tá bem legal por aqui. Vou dar a minha contribuição para o assunto.

Venho desde 2005 circulando com o MB. Desde o nosso 1º show fora, nós não paramos mais. Acredito que por alguns fatores determinantes:

 

- Disponibilidade - Não adianta ter outras prioridades concorrendo com banda. uma hora ou outra a água vai bater na bunda..

 

- Investimento - Isso sempre rola e vai rolar. Pagar as passagens, transporte é inevitável. As empresas de transporte hoje não nos enxergam como "produto" a ser investido. Ainda é muito complicada a visualização deles perante a criação de cartões de fidelidades Mil. A circulação via terrestre com o carro, para mim, acaba sendo viável em algumas condições. Facilitanto o "Booking" de shows e a capitalização para isso. E falando em circular, o merchan é o que garante muito, e faz com que o role muitas vezes saia empatado, pago. Feliz.!

 

- Formas Diferenciadas de Capitalização - O se tornar profissional da música possibilita uma área de atuação muito extensa. Você se capacitar em outras áreas tambem contribui para um circulação maior do seu trabalho, possibilitando uma contra partida interessante para quem o "contrata". Com isso apreendi muito. Trabalhei com grandes nomes da musica, e me capacitei de forma gigantesca.

 

- Auxílio da Rede - Todas as nossas tour foram organizadas em parceria entre a banda e a rede de coletivos do FDE. Sem eles seria muito mais dificil conseguir sincronizar as datas com as distâncias, casas, rotas, bandas locais, local para o evento, estrutura, transporte, alimentação, hospedagem.... enfim tudo. Ate em shows que não estão organizando, os membros da rede nos ajudam e muito (equipe técnica, estrutura técnica, hospedagem quando necessário)...enfim. Nos sentimos tão bem, que parece ser fácil, muito fácil para nós hoje organizarmos isso.rsrsrsrs

 

- Trabalho de bases Locais - Além do trabalho junto ao coletivo, o atendimento ao público rende muito. Trocar ideia, pegar emails; sair e trocar ideia, manter contato... tudo isso sempre nos rendeu parcerias de trabalhos futuros, parceiros para a rede. Fora que você tem mapeado o seu tamanho em várias cidades, mantendo esse publico informado, fazendo trabalho de promoções específicas... enfim.

 

- Circuito de Festivais - Acho que sem eles, a nossa expansão seria bem menor. Imagina, tocamos no Primavera Sounds 2010 (Espanha), puta festival foda, animal, estrutura fudida! E meu, melhor ainda, tocaremos no Calango 2010 (Brasil). Foda, mega estrutura, mega atendimento (melhor que o do primavera, eu garanto), e as condições são as mesmas. Aqui, bem melhores. Acho que os festivais brasileiros são fundamentais para o fortalecimento de TODAS as bandas. Os Festivais internacionais são para mostrar pra você que nós temos menos dinheiro e como nós somos tão bem preparados. E é o mesmo role. Nego só reclama para tocar aqui. mas lá fora fazem o investimento sem pensar algumas vezes se aquilo realmente vale.

 

Esses, acho, foram os principais fatores para conseguirmos, hoje, termos o retorno com circulação.

 

Acho eu que se não tivéssemos em 1º lugar, a estrutura do Coletivo Espaço Cubo, o Cubo Card; ainda estariamos lá atrás, ou talvez nem estariamos...rsrs.

 

O trabalho do coletivo, com a disponibilização de estrutura, equipe, práticas diárias, laboratórios de criação e espaço para exposição, investimento coletivo... Bom, todo mundo sabe o quanto isso segnifica para uma banda.

 

Outro ponto crucial foi a disponibilidade. Nunca tive outro emprego na minha vida. Quando eu comecei a tocar eu tinha 15 anos e disse que era isso que eu queria fazer. Quando apareceu a 1ª oportunidade para montar algo que me possibilitasse viver daquilo (música) eu abracei. Tinha 18 anos e estava na faculdade de música.

 

Lógico que saí da faculdade por não conseguir levar os 2. A banda, depois do Noise de 2005, não parou mais. Tocamos em 12 festivais em 2006. Em 2007 voltamos a praticamente todas as cidades que fomos em 2005 e 2006, fazendo casa de shows e outros festivais. No final desse ano gravamos o disco e no ano seguinte foi paulada! Fizemos muitos shows...mesmo. Dos 12 meses no ano, passei acho que somente 2, 3 em cuiabá (isso juntando todos os dias). Foi intenso. Várias tours (umas 3, 4 naquele ano). Depois do disco lançado vieram os prêmios e indicações. Várias tbm.

Consequência?

2009: mais circulação intensa.

Me lembro que esse foi o ano que capitalizamos bem a banda, conseguindo incluir dentro da cartela, shows que pagavam bem, davam todas as estruturas de logística e enfim. Além de conseguir fazer mais festivais, alguns investindo para ir outros não.

 

Com isso, a banda foi ganhando experiência. Fomos para Festivais na gringa (Argentina, Canadá e Espanha), que renderam tours nesses países e expansão de público; Começamos a ocupar espaços em festivais nacionais que até então não davam espaços para bandas independentes- instrumentais.

 

Isso tudo depende muito de nós. A criação de um novo costume demora. Nego ainda não tem o costume de sair de casa para ir ver show na segunda. terça. quarta feira (salvo em alguns lugares). Os produtores estão dispostos a investir em abrir a casa numa segunda para levar preju? É o mesmo que uma banda pensa quando é chamada para tocar em um lugar onde ela tem que "pagar para ir."

 

Acho que para viabilizar o role tem que existir o trabalho em parceria. A lógica de bilheteria para mim sempre mostrou muito a realidade da banda. Sempre me baseio por ela em alguns casos para montar uma proposta de show. Shows em tours são bem viaveis com acordos de bilheteria. Ai, a % fica a cargo de cada realidade. Nós podemos trabalhar com uma, 80% - 20%. outros não.

 

Enfim. Exercitar a negociação é outra coisa muito boa. rsrs

 

Ps: Debates maravilhosos!

Ynaiã Benthroldo