por Ney Hugo | Espaço Cubo | Cuiabá-MT

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Na manhã de terça feira o assunto da mesa foi “Economia solidária,Economia Criativa, Sustentabilidade, Cultura”. A princípio os debatedores seriam Daniel Tygel e Lala Deheizenlin, que, impossibilitada de comparecer foi substituída por Cláudio Prado, com mediação de Iashoqui Shimbo (Incoop).



Daniel Tygel é representante da Secretaria Executiva Nacional, do Fórum Nacional de Economia Solidária. Mais infos no www.fbes.org.br.



Após sua fala, D. Tygel recebeu várias provocações de membros do CFE sobre o cotidiano do fórum e sua relação cotidiana com o desenvolvimento sustentável e economia solidária. Uma das colocações sugeria um maior diálogo, maior interação, para anular o efeito aparente atual de uma teorização de cima pra baixo partindo do fórum para com movimentos sociais como o Fora do Eixo.



Outra problematizava em relação aos trabalhadores das do Fórum estarem mais ligados ao aspecto emprego e renda, e nem tanto ao protagonismo e a gestão coletiva. Daniel Tygel respondeu pedindo palmas à honestidade e legitimidade do Fora do Eixo, e reconheceu que está numa posição confortável para fazer a seguinte colocação: Existe uma necessidade de criação de mais pontes, assim como Iashoqui Shimbo, que teve extrema importância nas discussões do Congresso Fora do Eixo 2009. E aproveitou pra também se colocar à disposição em ser uma segunda ponte.



Em tempo, Cláudio Prado fez uma fala interessante sobre a desburocratização do CNPJ, enfatizando que não há CNPJ de empreendimentos coletivos ou de economia solidária.



O debate contou com a representação Caiapó, que colocou que a economia solidária já é prática desde muito antes dos portugueses chegarem no Brasil e comemorou a volta do escambo, “não como um retrocesso, mas como uma volta à troca entre os humanos. Cada vez que você troca algo com uma pessoa está trocando energia com ela”.



Quem também se manifestou na mesma linha foi a Cacique Kaun Poty Guarani, que bateu na questão das riquezas produzidas pela terra que foram esquecidas e tiveram os valores invertidos, como o remédio do pajé que vira patente. “Tô falando de remédio que sara, não remédio de médico. Porque se o médico te curar ele não enrica(sic)”. De maneira sábia e articulada, os indígenas hoje guardam os saberes a sete chaves, “pra não transgenizar”.



Outra provocação feita foi de Caiubi, do Coletivo Colméia, em relação à falha na comunicação dos empreendimentos ligados ao Fórum Nacional de Economia Solidária, que não são tão visualizadas fora do ambiente em que estão. Daniel Tygel respondeu falando da rede social feita na mesma plataforma do Fora do Eixo, e que estão ocorrendo avanços no uso das ferramentas de internet. Em conversa informal posteriormente, revelou visualizar que o Fórum e o Circuito Fora do Eixo “tem muito a aprender um com o outro”, e que a comunicação, a jovialidade e o desenvolvimento de tecnologias do CFE é a porta de entrada para a relação.