
Foto: Livia Almeida Moura
Hoje uma lua imensa sobe nos céus da sua vida. Propagada aos quatro ventos por todos os lados do planeta.
Todos seres humanos lêem em suas pálpebras as mensagens das marés da Lua. E é sabido que as marés são regidas pela Lua, cada Lua que no céu desponta, d’alguma maneira incide sobre as águas.
E se pensarmos que as águas são o elemento terreno mais poderoso e constante nesse nosso pequeno destino, então podemos e sabemos que somos feitos de água.
Nosso corpo.
Será nossa alma? Será nosso gosto? Nosso cheiro? Nossa vez?
Somos água?
Se pensarmos nos últimos ultimatos globais sobre o fim do mundo, vemos que é na água que pereceremos. Se pensarmos na última catástrofe bíblica descrita, é numa enorme enchente de vários dias que o mundo se purifica com Noé. O grande dilúvio.
Todas as espécies preservadas numa barca, num espaço, num depósito.
Muda galera. Senão fodam-se.
A água te ordena.
Somente pensando assim, pude dizer que sobretudo a água te purifica.
O que é essa limpeza? O olhar nos olhos dos homens, quando querem algo juntos? O que é o rito de passagem da união?
A multidão é a ordem.
Nada mais poderoso e sincero do que pessoas juntas, celebrando suas energias em um único sentido.
Ontem, em Uberlândia as chuvas de março iniciaram as cinco, seis horas da tarde. Mensagens na internet diziam que avenidas estavam alagadas. Carros rodavam, ruas se apagavam, pessoas se atrasavam, encontros não ocorriam. Bairros inteiros e regiões rurais, devido às chuvas fortes, ficaram no escuro. Sem energia elétrica. Pedaços de quarteirões e quadras inteiras imersas na profundidade da noite, à mercê da luz dos faróis dos carros.
Já me disseram que o Santa Monica é o bairro da cidade que tem cheiro de maconha e buceta. E nos fins de tarde, os odores das carnes assando nas churrasqueiras dos butiquins, também exalam e se misturam às cores das ruas. Jovens carregando seus cadernos, comércios e lojas. E a universidade, a UFU, e suas repúblicas.
Amém.
Enfim...
O fato é que quero dizer que o Santa Mônica, onde aconteceu o Grito Rock no Bar Vinil, foi uma das regiões da cidade que ficou sem energia. Sem luz.
Quando fui chegando e percebi que realmente não haveria luz na região do Grito, lembrei da infância e de quando, ao faltar luz no bairro, saíamos todos os moleques e garotas, de nossas casas para brincar de pique esconde ou polícia e ladrão.
Hoje era noite de brincadeira, então.
A chuva caia forte e os carros paravam, as pessoas lamentavam e sorriam na porta do bar. O publico foi chegando. Já eram 22hs.
O bar abre à luz de velas. À luz de velas.
Uns ironizaram, e disseram; “Tudo isso é uma brincadeira do dono do bar, porque a cerveja esta geladíssima, então porque como é que a cerveja está gelada sem energia pros freezers? Então daqui um pouco a luz acende e tudo se inicia. ”
Mas não era tão simples assim. A cerveja gelada era segredo e mérito do Bar.
Então persistia existir na noite, sem luz e a espera de música.
Esse momento me fez lembrar as tavernas medievais.
Sem luz elétrica, sem som mecânico.
Se fosse som seria, músculo e cordas vocais.
Pensei nos povos vikings, nos índios, em lobos vagando sobre patas investigando o melhor rumo na noite da floresta. Imaginei os primeiros homens desse mundo e suas vidas. As tribos das cavernas. O primitivo e ancestral instinto de olhar nos olhos e se deslumbrar.
Somente pessoas e as suas bebidas. Ou não.
Rumores de acústicos ao violão em meio à penumbra surgiam nas rodas de bate papo, e as pessoas mesmo sem a música, pareciam estar muito felizes.
A festa que existe dentro de cada um fazia seu som.
Pois bem, e então, como não deveria poder deixar de ser, a luz fez sua súbita e fantástica entrada; atrasada e desejada como uma noiva em grinalda, por volta da 1h da manhã.
Êxtase geral, o dono do bar, Serjão se afirma e conflagra; “Bota pra tocar e vamos até as cinco se precisar”. Isso é espírito rocknroll.
Filmore East nos anos 60.
Segue-se a música, alta e faminta de ouvidos, das bandas Bye Billy, Space Monkeys e Lupe de Lupe.
Dizer sobre a música dos grupos no palco é dizer sobre a vontade.
E sobre o caos instituído.
O Dom Capaz não se apresentou. Nessa altura da noite, integrantes já haviam se tornado incomunicáveis dentro da escuridão chuvosa. O show mais esperado. A banda local que fecharia a noite.
Noite então dos estrangeiros, nas terras chuvosas de Uberlândia.
Às 4hs da manhã tudo finda, e quero eu, então agradecer a um ilustre desconhecido, que se permitiu esquecer uma pequena garrafa de Teachers sobre uma mesa, que eu solicito adotei e que sorve minha garganta ou goela agora que lhes escrevo às 6 e 34.
Obrigado.
Mas vejam bem, que hoje não chova, porque como se diz e eu creio; ” raio não cai no mesmo lugar duas vezes”.
Amém.
Hoje tem mais.









2 comments
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Matou a pau!
...
Hoje tem mais Grito Rock. Apareça.
Beijos.
www.hotelsete.blogspot.com
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