Ensaio_devaneios_digitais_00

 

Em um quarto desconhecido descansava tranquilo até que percebi... Algo se movia ao meu lado. Um leve susto atravessou meu corpo me fazendo levantar e procurar o que era aquele vulto.

 

Então comecei a escutar a voz de D. que mandava e desmandava trabalho para alguém do outro lado do telefone ou na internet.

 

Fiquei observando D. de longe, era bonito ver ela falar. Apesar de séria e concentrada ela me reparou e sorriu para mim. Eu também sorri.

 

Mas de repente aquela sombra novamente! Virei meu corpo e pude enxergar o que era: uma gigante aranha negra andava velozmente pelos cantos do quarto. Nos encaramos por alguns segundos. Só eu e a aranha negra. Ela me fitava com seus mil olhos, imóvel, aguardando meu próximo movimento. Suas presas baixas, seu corpo grande e peludo. Senti medo e ódio, peguei o chinelo e fui para cima da criatura.

 

Ela logo percebeu e se escondeu. A aranha negra simplesmente sumiu, quando me aproximei ela entrou na mochila da D. que desligava o telefone e se preparava para sair.

 

Fiquei observando sem avisar D. que a aranha estava lá ela pegou a mochila e se preparou para sair. Queria pegar aquela criatura sem assustar D. no entanto D. começou a falar comigo e desistiu de sair. D. falava mais e mais... Não parava nunca.... Resolvi contar para ela da aranha e procura-la dentro da mochila. Para meu espanto não havia aranha alguma ali, quando me viro vejo a aranha nadando em uma pia cheia de água.

 

Dessa vez ela não tinha para onde ir. Peguei meu chinelo e PLÁÁÁ! Acertei a bichana. O impacto apenas atordoou a aranha que tentava fugir, mas agora sem força e velocidade.

 

Fui batendo nela aos poucos, até deixar ela presa em baixo do meu chinelo.

 

A aranha com a mesma expressão, me encarando com seus mil olhos, imóvel, aguardando meu próximo movimento. Suas presas baixas, seu corpo grande e peludo. D. sorria e olhava para mim. Eu não sabia mais o que fazer. Não havia sentido para eu me  matar aquela aranha negra. Meu medo e ódio sumiram, dando lugar a uma gigante incógnita e mau estar que não sei explicar.