Sonhos - Aranha negra

October 6, 2010, by Carlos Magalhães - No comments yet

 

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Em um quarto desconhecido descansava tranquilo até que percebi... Algo se movia ao meu lado. Um leve susto atravessou meu corpo me fazendo levantar e procurar o que era aquele vulto.

 

Então comecei a escutar a voz de D. que mandava e desmandava trabalho para alguém do outro lado do telefone ou na internet.

 

Fiquei observando D. de longe, era bonito ver ela falar. Apesar de séria e concentrada ela me reparou e sorriu para mim. Eu também sorri.

 

Mas de repente aquela sombra novamente! Virei meu corpo e pude enxergar o que era: uma gigante aranha negra andava velozmente pelos cantos do quarto. Nos encaramos por alguns segundos. Só eu e a aranha negra. Ela me fitava com seus mil olhos, imóvel, aguardando meu próximo movimento. Suas presas baixas, seu corpo grande e peludo. Senti medo e ódio, peguei o chinelo e fui para cima da criatura.

 

Ela logo percebeu e se escondeu. A aranha negra simplesmente sumiu, quando me aproximei ela entrou na mochila da D. que desligava o telefone e se preparava para sair.

 

Fiquei observando sem avisar D. que a aranha estava lá ela pegou a mochila e se preparou para sair. Queria pegar aquela criatura sem assustar D. no entanto D. começou a falar comigo e desistiu de sair. D. falava mais e mais... Não parava nunca.... Resolvi contar para ela da aranha e procura-la dentro da mochila. Para meu espanto não havia aranha alguma ali, quando me viro vejo a aranha nadando em uma pia cheia de água.

 

Dessa vez ela não tinha para onde ir. Peguei meu chinelo e PLÁÁÁ! Acertei a bichana. O impacto apenas atordoou a aranha que tentava fugir, mas agora sem força e velocidade.

 

Fui batendo nela aos poucos, até deixar ela presa em baixo do meu chinelo.

 

A aranha com a mesma expressão, me encarando com seus mil olhos, imóvel, aguardando meu próximo movimento. Suas presas baixas, seu corpo grande e peludo. D. sorria e olhava para mim. Eu não sabia mais o que fazer. Não havia sentido para eu me  matar aquela aranha negra. Meu medo e ódio sumiram, dando lugar a uma gigante incógnita e mau estar que não sei explicar.



Perdido na Selva - Alvorada de incertezas

August 29, 2010, by Carlos Magalhães - No comments yet


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Gritos soltos na escurdão vinham invadir aquele ambiente novo, tão distante até então... "Onde estão minhas mãos?" Essa pergunta voltava a ecoar infinitamente em sua mente. "Todos sentiram o mesmo quando passaram por aqui?". Havia adentrado naquela caverna por puro acaso, ficou dias entretido com os brilhos de um caminho de pedras radioativas, quando levantou seus olhos percebeu que estava perdido, sozinho, sem o verde, as arvores, o luar, as estrelas perdidas e soltas por ai no mundo. Onde estavam seus amigos agora?


"Dorme, dorme agora. Encoste seu corpo nu nestas pedras. Relaxe seu corpo, isso desse jeito. Agora eu quero que você feche sua boca, os olhos e procure perceber que estamos todos aqui. Sinta o vento, o cheiro do orvalho noturno, As luas sumiram do céu, está tudo tão escuro, um negro colossal brilhante como o pedaço de um manto divino. O pensamento difuso, solto, perdido... Por ai no mundão gigante e conturbado. Morcegos e outros seres voam livremente. As patas de um gigante animal toca seu corpo agora. A criatura se aproxima, cheira a ti. Seu hálito arde, esquenta seu corpo. Você não quer mais se mexer? É claro que não. Não pode e nem quer."


- ...

- ...

- ...,

- ,!

- ???

- !!!

- aaaAAAAÁÁ!


Quando deu conta de si, seu corpo estava sendo devorado por uma criatura que nunca havia visto. Sua pele negra era devorada pedaço a pedaço. Mas estranhamente ele observava tudo em pé, ao lado de seu corpo e da criatura que havia acabado de enfeitiçá-lo. Virou-se continuou caminhando na direção das pedras radioativas. Sentia todo seu corpo novamente mas agora não havia mais dentro e fora, não havia carne, ossos, sangue, suor ou qualquer outra coisa material. Seu corpo era apenas o pensamento.


Ele caminhou incessantemente, andou tanto que seus pés pareciam ter voltado, lembrou-se de uma poesia que escutara décadas atrás.


As sementes do medo

não brotarão

nos teus olhos inocentes.

Nem a noite

marcará com tinta opaca

teu pequenino coração.

Eu te prometo.

Alçaremos nossa bandeira

muito alto

onde nenhum sapato

pode alcançar.

E brincaremos com o vento,

o arco íris

e cantaremos canções

livres como as borboletas:

Sem bicho papão

nem mula sem cabeça


Estava entrando em um momento novo. Mudanças, mudanças. Já estavam acontecendo e ele não podia entender. Deixo aqui encerrado o fim dessa história. Dormir agora poderá te levar a transformação.


Todas as mulheres cantam o som dessa nova esperança, na mente daqueles que se permitem ouvir.



PERDIDO NA SELVA - Rei Sol Rei Lua

August 15, 2010, by Carlos Magalhães - No comments yet

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- Saiam e venham me encontrar!


- Encontre-me nas fronteiras de tudo que é finito e material. Estarei lhe esperando até o dia em que esse corpo morrer. Traga contigo suas roupas andinas, suas penas desconhecidas e todas as frutas de sua terra. Estaremos esperando a você em pura comunhão com nossos deuses. Traga um pouco do sangue de sua terra. Estarei vestido com roupas de fogo, com três bilhões de flores para te receber. Escute meu canto, escute minha voz, meu grito, minha imaginação. Todos estão aqui comigo, mas meu corpo está sozinho. Ouça as vozes que saem das árvores, sinta o que não conseguiu sentir até agora.


Estou com três máscaras em três faces diferentes. Meu corpo acende o fogo das minhas vestes, minha alma carrega as águas das mais divinas cachoeiras. Toque... Sim, toque-me. Siga esse cheiro e encontrará  nossa morada. Venha e venha logo, me sinto solitário sem apego a mais nada, só esperando você.


- Siga esse canto AUUMMMMM, AAUUUUMMMMM. Precisamos viajar para um lugar novo distante de tudo e de todos. Mas você precisa me encontrar, seguir os caminhos do inconsciente, escutar a seus ancestrais, descobrir os segredos de sua terra, de suas raizes.


Tambores, Tum Tum Tum!


¨Corri, corri e corri Não olhei para trás, tudo menos se apavorar agora e... Mas o que está acontecendo com meus braços?¨



SONHOS - n°1

August 11, 2010, by Carlos Magalhães - One comment

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Resolvi viajar a uma cidade desconhecida com o objetivo de assistir a uma partida de futebol.

 

No entanto, esqueci meu compromisso e fui visitar um grande cineasta! Orson Welles, que não era mais Orson Welles.

 

Repentinamente em um parque estava envolvido em uma orgia com um casal de grandes amigos.

 

Era uma orgia fria, com todos observando. Coloquei uma camisinha vermelha e entrei de cabeça na orgia. Ao fim milhares de fãs de Jesus Cristo começaram a chegar impedindo meu gozo de acontecer.

 

Algumas palavras surgiram na minha frente...


laboriosa, engendra, estio, lascívia, velo, sisudo, azaugue, astucia alvordeidades, grilhões prolífico, firmamento, clariperfeito, fulcro providencia

O que hoje é evidência foi outrora imaginação



Sonhos - Talvez em uma madrugada de 19 para 20 de novembro 2008

July 18, 2010, by Carlos Magalhães - One comment

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Sonho longo, perdido em uma noite de jornada esquecida.

 

Trevas, sonhos e desespero. Acordei suando, procurando alguém ao meu redor. As coisas à minha volta pareciam calmas, eu ainda posso sentir a paz daquele momento, já meus sonhos foram se perdendo no deserto da minha ingratidão.

 

O que me apavorou tanto naquela noite? Eu não estava preparado para morte, mas também parecia imaturo para vida. O que houve então?

 

Começo a sonhar, em um mundo distante do inconsciente. ¨Desanimado com a vida, combinei com S. um horário para que ele me fizesse um favor. Pedi para ele me tirar a vida dali a dois dias.¨

 

¨Aquilo havia me deixado aliviado, mais alegre até! Eu terei dois dias de vida antes de partir.¨

 

¨Na noite do primeiro dia, fui convidado para tocar piano em... ¨

 

¨A apresentação foi um sucesso, toquei baseado em meu instinto. Foi uma criação livre em cima do piano, que aos poucos ganhava uma coerência e harmonia com meus movimentos. Foi algo novo em minha vida, resumindo um sucesso de espetáculo.¨

 

¨No segundo dia reuni meus amigos em casa para contar o que havia acontecido. Foi quando S. chegou.¨

 

¨Eu tentei gritar e pedir ajuda, mas ninguém me escutou. Em questão de segundos eu estava morto, caído.¨

 

¨Quando consegui me levantar tentei conversar com aqueles ao meu redor, no entanto ninguém respondia. Nem olhava para mim.¨

 

¨Aquela sensação evocou uma intensa tristeza em meu espírito. Pensei em minha mãe e todos aqueles que amava. Mas foi tudo em vão. Agora ninguém me enxergava e nem falava comigo.¨

 

¨Depois de um tempo meus amigos revelaram que estavam fingindo e que o próprio S. havia combinado tudo com eles.¨

 

Não consigo lembrar mais o que aconteceu. Acordei e já comecei a escrever o relato que vocês lêem. O que eu teria feito? Qual será meu próximo sonho?