Por Laís Gringa, com colaborações de Gabriel Ruiz

Edição: Nathália Schneider

Vídeo: R. Vital

 

Almoço de horas, primeiros GTs e uma mesa no fim do dia para, no mínimo, empolgar o começo do Congresso Regional. Chegamos às 10h30, às 11h, às 14h. Até o fim do dia chegávamos mais e mais. Revimos pessoas, ouvimos histórias, nos sintonizamos. Foram boas horas daquele “F5”.

 

Oficialmente, demorou a começar. Às duas da tarde víamos as batatas cozidas, a chicória, a alface e o arroz com feijão nos pratos dos congressistas. O almoço rendeu um sol na cara de alguns que resolveram sentar-se a mesa e um bate-papo entre outros que preferiram a sombra e o chão. Coletivismo ao lavar a louça. Um momento de moleza, e outro a mais. Estava na hora do F5 oficial. Oi, eu sou de tal coletivo, atuo em tal frente e o nosso panorama é este.

 

Passadas as apresentações individuais e coletivas, partimos para os Grupos de Trabalho. Centro Multímida, Música, PCult, Banco FdE, Clube de Cinema e FEL, faltava ainda organizar o Palco FdE, a Distro e as Poéticas Visuais, que ficaram para amanhã. Foram duas horas ou mais de conversas sobre as atualizações das frentes temáticas com a noção que temos muito a evoluir e a integrar.

 

A fome batia de novo, mas a mesa do dia vinha primeiro. Densa e questionadora, abriu temas polêmicos de crescimento cultural nas cidades, centralizando nas políticas públicas e a relação que os Pontos de Cultura têm com o Estado e com a sociedade. Várias indagações foram postas ao microfone e mais afirmações de que precisamos evoluir no processo político cultural. A mesa era composta por Luana Vilutis, Ricardo Rodrigues e Pedro Barbosa Mendes, estes últimos dois que concentraram as suas falas sobre a importância da aproximação dos Pontos de Cultura com Estado.

 

Eles colocaram indagações sobre como realizar este processo e também sobre o envolvimento do tema na educação para coletivizar os conceitos naturalmente. Ricardo ainda falou da importância do fortalecimento dos Conselhos de Cultura e da ideia de que os Pontos de Cultura têm que se apoiar para esse estímulo, respeitando, contudo, as particularidades e o progresso local. “Não podemos padronizar”, finalizou ele. Além de suas afirmações, levantamentos notáveis foram os de Rita Fajardo, colaboradora do Massa Coletiva e do Aparelho Coletivo, e de Gabriel “Fedel”, do Ajuntaê. “A criação da CAFE-SP e, conseqüentemente, a transição brusca de vários membros fortes de coletivos do interior de São Paulo para lá desestabilizou estes pontos. Quem ficou, teve que aprender do começo. Não houve uma transição sutil e progressiva, além disso, precisamos começar a pensar nas ações e projetos do Fora do Eixo a longo prazo”, afirmou Rita.

 

Tais críticas pautaram os debates do dia seguinte, levantando questões diversas. Na visão de Pablo Capilé, gestor nacional da rede, uma colaborador ou quer quer que seja "não pode jogar uma bomba assim sem qualificar o debate, pois não vive a parada todos os dias, não é ela quem vai mediar os conflitos resultantes de poscionamentos como esse". Assim, o tema foi amplamente discutido e esmiuçado, para melhor compreensão e análises. "Foi ótimo porque um ponto foi posto e conseguimos evoluir, as pessoas enxergaram que sim, o processo é veloz e depende de quadros regionais muitas vezes, mas ainda não temos uma solução melhor e, na real, estamos vendo que tem sido produtivo, pois os coletivos acabaram encontrando alternativas muito interessantes, como ocorreu em São Carlos, onde hoje temos dois pontos muito forte dialogando com a rede" - completou em uma das reuniões livres infinitas.

 

Já o ponto levantado por Fedel foi a necessidade de maior integração entre os coletivos do interior para melhorar e aumentar o intercâmbio, não só as bandas, mas principalmente entre os membros”. Houve mais algumas falas, todas opinativas, baseadas nesses questionamentos propostos pelos colaboradores. A repercussão da mesa foram os diversos debates levantados nas rodas do jantar. Como pensar um projeto com resultados distantes? Como se envolver mais com o Estado? E o Conselho de Cultura? Questionamentos que estimulam a conscientização da atual situação do Circuito e que trouxeram respostas pelos debates que ainda se seguiram. Estava só começando e já dava sinais de quem seria bastante denso.

 

Veja também o resumo dos GTs do primeiro dia de Congresso Regional.