a algum tempo atrás, eu comecei um tutorial sobre captação e edição. comecei e não acabei. faltaram-me informações, eu achei. eu tive que sair a campo e dar a cara pra bater, captar material e tentar montar, para poder dizer o que vou dizer.

 

no duvidoso ruindows,

eu topei montar uma esquete para os rélpis. filmei com a Canon XH1A quase 50 minutos de material, que depois de pronto coloquei aqui, ó:

http://www.youtube.com/watch?v=kN5MqjxaZNg

a Canon armazena em fitinha mini-dv; neste caso, eu acertei a filmagem para 25 quadros por segundo (progressivo), e cada quadro deveria ter 1440 linhas de largura por 1080 de altura.

sem problemas até aqui.

dizem por aí que o pacote da família Adobe que começa a editar satisfatoriamente vídeo em alta definição é o  CS3. minhas máquinas não rodam o CS4. nem o CS5, sobre o qual andam dizendo que faz um milhão de maravilhas. se é verdade ou não, se tiver tempo ainda vou provar. o fato é que no momento só tinha nas mãos um bom assunto (o videoclipe para “A grande janela”), e uma câmera excelente. graças ao armazenamento em fitinha é que pude rodar o plano final: as filmadoras que armazenam em disco rígido ou em dvd, por exemplo, teriam pedido as contas no meu primeiro passo (por conta da tecnologia, elas possuem um recurso anti-trepidação para dar vida longa ao disco interno, o que na prática quer dizer, “trepidou, dançou!”). e muito embora a minha fita fosse nova, mesmo assim ela perdeu uns 10 quadros (no terceiro plano do clipe, quando passamos suavemente em frente a uma casa: eu não escolhi pausar, a máquina fez isso por mim e depois eu incorporei essa falha técnica ao filme, sem perdas de qualidade).

o fato é que editei o clipe no sistema operacional de Billy Gates porque não tive como fazer meu Ubuntu enxergar minha câmera pela porta fireware 1394 de seis pinos. até capturei pelo ruindows, mas não quis montar pelo Linux. alguém gritou do fundo da sala, “falta instalar um driver para isso acontecer”. eu fingi não ouvir direito, mas pergunto agora aos entusiastas saidinhos e tecnocratas do software livre: existe um driver para isso acontecer? eu acho que seria bem útil, se tivéssemos um driver que reconhecesse as câmeras que lidam com fireware. e minha experiência com o Ubunto me abriu os olhos para as novas câmeras, estas que armazenam internamente (seja em discos rígidos, seja em cartões de memória). o pessoal que veio da película sempre olhou de olhos feios estas novas adesões tecnológicas, e seguindo analogicamente o mesmo caminho, ao mudarmos das fitas de óxido para o armazenamento em mídia s'olida continuamos olhando feio para elas. a imagem parece melhor (1980 linhas de largura e 1080 de altura), o som agora é em 5.1 vias, mas sabe que até a primeira mexida, tudo ainda é mistério?

capturei pelo Adobe Premiere CS3, e a taxa de quadros veio errada. capturei de novo, dando as especificidades desde a criação do projeto, e veio de novo errado. até filmei em alta definição, mas fui forçado a capturar em definição padrão, porque não tinha meios de o Premiere reconhecer 25 quadros por egundo. não o CS3. não na minha mão.

depois de ter dado os tempos de cada plano, abri o projeto no After Effects, numa linha do tempo de 1440x1080, acertei o contraste, adicionei cores. e o resultado ficou excelente. o Premiere é rápido, é instável, mas é do Billy. um dedo pra ele, todo mundo: o dedo médio, de preferência. podem levantar, ele gosta!

 

no valente Ubunto

ou outro sistema operacional qualquer baseado em tecnologia de código livre, sustentável, biodegradável, as camerinhas digitais de terceira geração funcionam muito bem. por meio da entrada USB, você passa o conteúdo para dentro da máquina. antes, ele vinha pelo que o pessoal explicava como “tempo real”(real time), termo carregado de uma ambiguidade que várias empresas tiraram proveito durante muito tempo em cima de seus usuários, “tempo de carretel” (reel time). tempo de carretel é diferente de tempo real: você pode ter uma fita com 58 minutos, o que não quer dizer que vai levar 58 minutos para colocar essa fita dentro do seu computador. o agora?
agora você liga a filmadora, seleciona os arquivos, arrasta para dentro do seu computador. filmou uma hora na qualidade máxima do alta definição? isto fica disponível no seu computador, para você começar a cortar e colar, em uns 20 minutos. vamos à experiência.

para ver qual era a do Ubunto, eu fiquei louco e aceitei filmar com uma EVIO da Sony a um show de roque. a banda Sob Efeito estava querendo eternizar sua apresentação de dois anos, daí lá vai eu, feooef, e breno rodrigues, no meio duma cervejada universitária para trabalhar. a banda tinha nos dito que iriam gravar o som saindo da mesa (me entregaram um mp3 porco, a 192kb/segundo, enquanto eu estava esperando um wave em estéreo de, no mínimo, 3megabits/segundo). eu estava com uma EVIO, o breno estava com uma EVIO, o feo com sua canon fotográfica que faz múltiplos disparos (“burst”, na linguagem dos tecnicistas). rodamos quase 4 horas de material com as duas filmadoras, e o diretor de fotografia mesmo realizou bons 1500 cliques naquela noite. depois partimos para sincronizar. como já revelei antes,

http://foradoeixo.org.br/bagre/blog/parte-do-compendio-leia-meu-pe-de-efe

escolhi o KDEnlive para edição não-linear do Linux. essa foi a primeira experiência em larga escala minha com a plataforma. e como eu mexo com isso desde os tempos do Adobre pré-miere 4.5 (1996), eu posso afirmar categoricamente: a plataforma está bem parecida com isso. refinando minha frase: a plataforma do KDEnlive assemelha-se ao que era a edição em A/B (a manivelinha da edição linear, fita a fita, ou “a/b roll” para os manuais gringos). dentro da linha do tempo do editor, existem três linhas onde se coloca os gomos da imagem, e mais duas linhas onde se coloca os gomos de som.

importei o material, armazenado em um hd externo. comecei a sincronizar a primeira câmera, e escolhi a que tinha mais material sem cortes para sincronizar com o som. notei nossa primeira falha nesse momento: uma das câmeras teve 70% do material mutilado porque ficou a maior parte do tempo em frente as caixas de som. lembram-se do que eu disse sobre o sistema anti-trepidação dessas câmeras de terceira geração? pode ser que ele seja bom para o equipamento, mas é um tiro no pé do operador desatento. e ainda teria que sincronizar fotos dentro do som. fotos falam? apenas com os inteligentes. neste show dos dois anos da banda Sob Efeito, elas falam para quase todo mundo. e durante todo o momento.

depois dessa primeira sesão com o KDEnlive, achei que estava tudo bem para um dia de trabalho: 1h35 de som tirado da mesa de som, a primeira câmera quase inteirinha sincronizada, e o restante do material bruto já reconhecido e organizado dentro da Árvore do projeto, esperando seu momento para entrar na Linha do tempo. Salvei o projeto (dentro da mesma pasta onde estava o material bruto), desliguei a máquina e fui dormir.

quando voltei ao projeto, no dia seguinte, a primeira de muitas surpresas. primeiro, o KDEnlive me disse que tinha perdido a referência de todos, todos, TOOOOOOOOODOS, os arquivos, e me pedia para localizar um a um estes arquivos.

depois de ter repetido esta operação algumas vezes, eu entendi qual o problema, e começo falando dele para vocês. hd  externo é hd externo: como o nome diz, ele é um elemento desconhecido da máquina. se você armazenou seus arquivos de vídeo neste hd externo, você não inicia o Linux para fazer seus serviços de escritório e depois parte para o editor de vídeo. você deve respeito ao vídeo, pelo menos eu recomendo agir com este respeito: você inicia o computador e já vai para o editor de vídeo. solicita à máquina que abra aquele seu projeto e daí ela vai abrir. depois de um bom tempo (20 minutos, neste caso) seu projeto está do jeito que você deixou antes de ir dormir. o Linux não dá um pau, de repente, e trava o sistema: encontrei mais estabilidade rodando o KDEnlive do que em todos os premieres e final cuts que já mexi. só que ele é um fresco sem tamanho. e leva muito tempo para poder mostrar o que afinal de contas você está montando.

pois bem: para cada arquivo, eram seis cliques (localizar arquivo>hd externo>pasta sem título>câmera um>arquivo001.tod>ok). e teve um dia que o programa simplesmente fechou, do nada, abruptamente, e eu repeti nove vezes essa operação (localizar um a um TODOS os arquivos, e esperar pela linha do tempo ser montada), o que totaliza pelo menos 65.000 cliques errados. depois dessas fechadas abruptas, quando reiniciava o KDEnlive, vinha uma tela simpática que me explicava que tinha acontecido um erro inesperado e a última sessão teve que ser fechada inesperadamente, porém, existem alguns arquivos que não tinham sido salvos mas podiam ser recupeados. eu desejava isso? cliquei em não oito vezes, não sabia o que era “recupear um arquivo”. depois que o sistema caiu novamente, e eu novamente reiniciei o programa, eu pensei cá com meus botões: e seu eu clicar que sim, desejo recupeá-los? cliquei nesse botão, e surpreso, descobri que clicando nele, os arquivos eram novamente encontrados - automaticamente, pela máquina, não pelos meus seis cliques a cada arquivo. portanto, sim, recupeie (sic) os arquivos. recupear, novo verbo, provavelmente nunca dicionarizado antes, mas adicione ao seu léxico, se você pretende mexer com o KDEnlive, para evitar cliques em falso.

depois dessa primeira lição, fiquei um pouco desconfiado do KDEnlive. pensei em montar uns 15 ou vinte minutos, e tentar exportar essa prévia de linha do tempo em um mpeg ou h264, só para ver se o arquivo gerado era aceito nos outros programas (como o de editoração de dvd), e já visando conferir como que ficaria este material na tela grande. mais uma surpresa: a máquina pede nove horas para entregar trinta minutos de material conformado! uma parte do show pronto armazenei aqui:

http://www.youtube.com/watch?v=-18lnV89MPg

 

concluindo

montar filmes nunca foi tarefa para quem tem pressa ou não tem paciência. e o Linux exporta até conteúdo para Blu-ray. como eu montei e finalizei no meu laptop, ando pensando algumas coisas que o tempo, ou algum usuário atento dos sistemas Unix, se encarregarão de me responder. tenho achado ultimamente que a alta definição exige máquina. o meu HP é valente (chip 64, roda até o 3dStudioMax recente), mas alta definição são muitos dados, é um fluxo gigantesco de dados por segundo. por isso é que vou colocar na minha estação de trabalho o Ubuntu: pra ver se o tempo de renderização diminui, porque é ele que tem me enchido as paciências...