Poesia - Ramon Anartista - Arremate E Derrame

*Pintura: Mark Mitchell - Marketing 2.0

Rarefeito são os teus olhos
Postos em disputa desleal
Na mesa da vida, sem rédeas, sem beira

Eu sou qualquer ser
Não importam minhas importações
De mérito:
Poeta
Alto cardeal do clero
Presidente viciado em sedativos
Guru foragido do crime de enganar pelas soluções mágicas
Uma dose eterna de estar caminhando torto
Conservação que mata
Não tem pra onde correr
O coração gela depois de tanto tempo condensado

Solto e seguro pelo ar das concordânciasCheio de cordas no pescoço, angustiado de felicidade
Amado demais, irrelevante de qualquer pesar
Olhando meu túmulo de "vamos viver mais um pouco”

Choramingando na madrugada, puto com putas imaginárias
Quero ser a síntese da foda impressionante
O mais humilde dos assassinos
O mais esfomeado dos insatisfeitos
O mais apaixonado dos desiludidos
O mais empregado dos vagabundos
O mais perdedor dos ricos
O mais atencioso dos vendados

É de tragar, de dosar o derradeiro destilado dos teus poros
(O pelinho saltitado, a água da quase satisfação
O massacre do tédio, a lista eterna de palavras que nunca acabam!)
Não sei dizer
Nunca saberei toda vez que quiser
Analfamisticamente entender os quereres de ti espelhado em Ullises
Espelhando-se no mar que nos castiga
Oh! luar
Me diz alguma poesia
Transforma os passos tão previsíveis da sensação
Mastiga o meu querer
Finaliza meus devaneios
Mas dá o meu eterno descansar
Fecha a minha melancolia
Deixa aberto pra sempre meus olhos sem brilho
Reticêntia algo pra além do meu saber tudo