Poesia - Anderson Marcelo Mota - Novos Laços

February 11, 2013, by Unknown - No comments yet

Poesia - Anderson Marcelo Mota - Novos Laços


*Pintura Digital: Adam Martinakis - Last Kiss

Toda essa chuva, esse medo, esse cansaço
Toda palavra e sentimento escorregam esguios
Caem como sangue quente no papel frio
Na cor do tinto líquido, saliva tua em minha nuca e suspiros

O risco giz que teus lábios deixam no meu beijo
Quando surge a mínima chance de te abraçar
Seja do jeito que for sendo seu em novos laços meus

O tanto mais que teu jeito se desfaz no meu
O quanto que meu beijo se torna teu em imersos abraços
A caridade de um olhar que brilha só de te ver chegar
Seja do jeito que for sendo seu em novos laços meus

A solidão vira memória se tua voz está tão perto a ponto de me pedir mais

Os dentes que se abrem pra me recepcionar
Provando os lábios meus perfumando minha boca com o hálito teu
Toda essa fama, rancor, trauma e calor
Toda via é prelúdio do colo teu que me abriga por hora
E se faz de abrigo ao rosto meu
Seja do jeito que for sendo seu em novos laços meus

Um estranho batom que deixei dias no pescoço teu
Denuncia e anuncia o quanto é bom esse abrigo
E o quanto é único o meu braço em abraço teu
Com o “vem cá” do trago meu



Poesia - C. Talesman - Demonizar Um Assassino É Ser Autor De Um Assassinato

January 27, 2013, by Unknown - No comments yet

Poesia - C. Talesman - Demonizar Um Assassino É Ser Autor De Um Assassinato

*Pintura Digital: Filippos Tsitsopoulos - All The Colours We Have Miss

Em nome da justiça haverão
Homens que não separar-se-ão
Do emocional contido neles

Em nome da justiça demonizarão
Toda a vida do assassino
Nomeando-o monstro social e público
Para incitar o ódio da humanidade

Contra o assassino, pressionarão
A decisão dos jurados nos tribunais
Gerarão ódio dos detentos no presídio
Para onde o assassino caminhará
Sem precisar de cadeira de choque
Ou injeção de eutanásia
Nas celas, o assassino será extinto
Pela repulsa de seus companheiros

Demonizar um assassino, retirando
Dele o direito universal de pessoa
Nunca será uma atitude dos homens justos



Poesia - Sandro Marandueira - Do Acaso Querendo Sofrer Do Que Todos Dizem Ser Paixão

January 24, 2013, by Unknown - No comments yet

Poesia - Sandro Marandueira - Do Acaso Querendo Sofrer Do Que Todos Dizem Ser Paixão


*Impressão: Johannes Nielsen - Untitled

A pulsação do peito pula a garganta
Engolir seco com a garganta molhada
Falta ar, pois a fogueira acesa precisa de oxigênio
Uma caldeira em pressão total
Movimenta um trem chamado corpo

O combustível da maquinaria é o seu perfume e
Delicadeza da mais singela flor
É uma droga
Você quer, você pensa toda hora, sente saudade
Se contorce no chão como um usuário de ópio

Imagina caricias, dormir abraçado ou simplesmente aguardar
O chegar de uma viagem, estas coisas que fazemos
Quando estamos enfeitiçados

Você é o meu mais profundo vício, não consigo fugir
Quantas vezes peguei o telefone?
Quantas vezes olhei o seu retrato sorrindo na minha agenda?
Quantas vezes me contive?

Como querer sem ser mais um?
Como se entregar sem a certeza de onde você deixa seu coração?
Como não fazer papel de bobo num sorriso inocente?
Num mundo tão variado e distante
É tão fácil se enganar
Nos conhecemos, mas ao mesmo tempo, somos tão estranhos

Como não ser atraído por miragens?
Como não se encantar com o canto das sereias?
Como é não ter fome?



Poesia - Celdo Braga - Sabedoria De Barranco II

January 24, 2013, by Unknown - No comments yet


Poesia - Celdo Braga - Sabedoria De Barranco II

 *Pintura: Taurua Pascale - La Fashion Week

Peroba, óleo peroba,
pra quem tem cara de pau,
pra quem não tem brilho próprio,
pra quem não é natural
e fica todo metido
na coluna social.

Eu conheço muita gente
que no impulso da vaidade
pisa por cima dos outros,
fere a palavra humildade,
só porque ganhou um cargo
já se sente autoridade.

Já se coloca elevado
assumindo um tom formal,
feito um rei que ganha o trono
da pedra filosofal,
com a postura de quem tá
acima do bem, do mal.

Peroba, óleo peroba,
pra que a gente reconheça
o brilho falso, ilusório,
desse tipo de cabeça,
e não permita o espaço
que a dita se estabeleça.



Poesia - Celdo Braga - O Ingrato

January 24, 2013, by Unknown - No comments yet

Poesia - Celdo Braga - O Ingrato


*Escultura: Gardies Roche - "Procession", Le Voile"
 
Aprendi, desde criança,
que pecar, para um cristão,
é desonrar pai e mãe,
é matar o próprio irmão,
é roubar a coisa alheia
mesmo tendo precisão.

 

 Este sábio ensinamento
é o norte do cidadão
pra viver em harmonia,
no prazer da comunhão,
pra trilhar todos caminhos
sem entrar na contramão.

 

Ser caridoso é a virtude
pra quem busca a salvação;
quem peca, apaga a luz própria,
mergulha na escuridão
e passa a errar pelo mundo
com as vestes da ingratidão.

 

Pra muita gente, confesso,
eu abri meu coração,
reparti o mel gostoso
das notas de uma canção,
olho pra trás, e só vejo,
minhas pegadas no chão.



Poesia - Sandro Marandueira - O Ópio Das Tartarugas

January 23, 2013, by Unknown - No comments yet

Poesia - Sandro Marandueira - O Ópio Das Tartarugas



*Pintura: Cecilia Westerberg - The Offer

Tento ir dormir, mas quando olho para frase na linha
"Como vai, Sandro?"
Relampeja os neurônios, os dedos saltam no teclado

Olho vitrificado em vermelho escarlate
 

O corpo responde aos estímulos da máquina
O cérebro estimulado, fervilha mais que café
Pipocam palavras no cérebro



Poesia - C. Talesman - Falsa Falha

January 23, 2013, by Unknown - No comments yet

Poesia - C. Talesman -  Falsa Falha

 *Pintura: Junyu Tseng - Heavy Moon

Se eu falasse
Não entenderiam o que sorrio

Se eu sorrisse
Não entenderiam o que vejo

Se eu visse
Não entenderiam o que fotografo

Se eu fotografasse
Não entederiam o que conto

Ainda assim se eu contasse
Não entenderiam o que sinto
Pois não entendem minha fala



Poesia - C. Talesman - Dessa Ilusão

January 23, 2013, by Unknown - No comments yet

Poesia - C. Talesman - Dessa Ilusão

 *Pintura: Junyu Tseng - Exist Or Not Exist (2)

Uma vida igual a uma magia
Inexplicavelmente faz de ti um feliz
Assim uns acreditam que surgiram do vácuo
Outros de um triângulo com olho no centro
Existem os que nasceram da remuneração

Hoje eu não tenho mais frases de gênio
Estou pobre, desconexo e sem um amor
Odeio metade das pessoas que conheço
Odeio-as pela alienação (delas)

Eles não me ensinam um mundo novo
São bobas correndo por um passado
Deixaram de criar futuros
Porque não agiam coletivamente

Se essa falta de união não fosse
Se isso não fosse realidade

Só poderíamos estar de face com a ilusão
Como isso é tristeza



Poesia - Hugo Lima - E(STÔMA)GO

January 23, 2013, by Unknown - No comments yet

Poesia - Hugo Lima - E(STÔMA)GO

 *Desenho Digital: Heidi Zito - Portrait Of R 5 13

Escrever alivia o estômago
Tudo acontece no estômago
O mal do homem é o estômago
É no estômago que mora a raiva
É no estômago que se sente a fome
É no estômago que se sente o medo
É o estômago que digere as palavras
É no estômago que moram as paixões
Alguém me disse que tudo é uma questão de estômago
O estômago é o eixo de tudo
É preciso reconhecer a importância do estômago
É o estômago que mata o homem
É preciso ter estômago para engolir o mundo



Fora do Eixo Comunica: Grito Rock Rotas 2013

January 21, 2013, by Unknown - No comments yet



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Participe das Campanhas do Grito Rock Mundo 2013!

A 4ª campanha lançada pelo Grito Rock é a Grito Rotas.

Uma das principais características do Grito Rock é a circulação de artistas nos festivais através da formação de trajetos e rotas de conexão entre as cidades. Nesse contexto, o planejamento de turnês se apresentam como uma ótima ferramenta, viabilizando uma circulação mais sustentável para os artistas e produtores.
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Assim, elaboramos a campanha "Grito Rotas" que tem o objetivo de estimular a articulação dos produtores do Grito Rock 2013 para planejamento e execução de turnês, bem como incentivar os artistas brasileiros e internacionais a visualizarem as Turnês no Grito como plataformas diferenciadas e eficazes.
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Produtores

Os produtores interessados podem procurar os coordenadores regionais da campanha para constituição e participação das turnês criadas no Toque no Brasil. Veja abaixo:
  • Região Centro-Oeste
    Leonardo Carneiro - E-mail: contato@toquenobrasil.com.br
  • Região Nordeste
    Alejandro Vargas / Gilmar Dantas - E-mail: contato@toquenobrasil.com.br
  • Região Norte
    Caio Mota - E-mail: contato@toquenobrasil.com.br
  • Região Sudeste
    Gabriel Ruiz / Ávner Andrade - E-mail: contato@toquenobrasil.com.br
  • Região Sul
    Ney Hugo - E-mail: contato@toquenobrasil.com.br
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Artistas

Os eventos de turnês do Grito Rock concentram vagas para duas ou mais edições dos festivais em cidades geograficamente estratégicas.
Para participar, basta acompanhar o site e inscrever-se através do TNB. Vale frisar que os eventos individuais podem ser visualizados como pilares para planejamento livre de rotas, de acordo com disponibilidade e prioridades do artista. O Manual TNB para produtores de turnê e o Compacto.tec Gestão de Turnês são documentos que podem auxiliá-los neste processo. Faça sua Turnê no Grito!
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Várias rotas já estão disponíveis em todas as regiões do país e as bandas podem se inscrever pelo Toque no Brasil. São possibilidades de movimentação pelo interior dos estados. Conheça algumas:
ROTA TRANSUL (RS)
ROTA PENA BRANCA (MG)
ROTA ANHANGUERA (SP)
***

Participe das campanhas:

Além de um festival de música, o Grito Rock integra diversas ações que vão de distribuição de produtos independentes, ferramentas variadas, até produção de documentários e intervenções cênicas.



Fora do Eixo Design Comunica:

January 17, 2013, by Unknown - No comments yet

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Caso não esteja visualizando, clique aqui!

Seja um designer Fora do Eixo

Faça vivência de até 6 meses nas principais capitais do país respirando design, cultura e ação
Imagine uma rede de designers fora dos eixos. Interdependente e conectada com as questões de nosso tempo, que permita o florescer de consciências e que construa novos paradigmas e valores a partir da percepção, com muito tesão no que se vive e se faz. O Design Fora do Eixo é assim: conecta mais de 200 coletivos por todo país e abre as portas para novos colaboradores e viventes a partir deste mês.
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São 12 vagas para vivência de estudantes, designers, publicitários, artistas visuais, agentes do campo do design que quiserem integrar a equipe da frente Poéticas Visuais do Fora do Eixo, rede de tecnologia livre em diversos campi temporários e permanentes de formação livre por todo Brasil.

As casas

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As Casas FdE são zonas autônomas permanentes, residências culturais com um cotidiano de intenso intercâmbio de informações, práticas colaborativas, tecnologias sociais e construção coletiva. Os selecionados passarão a viver e fazer parte de uma das 9 Casas Fora do Eixo com vagas abertas: Porto Alegre/RS, São Paulo/SP, Belo Horizonte/MG, Fortaleza/CE, Belém/PA, Manaus/AM, Macapá/AP, Anápolis/GO e São Carlos/SP.

O trampo

Cultura independente, música, projetos sociais, memes, charges, festivais e eventos são alguns dos principais temas que irão pautar a produção de design no período de vivência. Linguagens como infografia, cenografia, ilustração e tipografia são diferenciais na seleção dos inscritos.
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Além de produzir, o designer irá vivenciar e desfrutar a cultura local, com acesso as melhores exposições, casas de show e eventos na cidade, além de circular nos festivais da rede durante os períodos de realização.

Participe!

O edital está aberto de 15 a 31 de janeiro. Leia aqui e faça sua inscrição pelo formulário!

Contato

Dúvidas e outras informações escreva para design@foradoeixo.org.br
©2013 Circuito Fora do Eixo | Rua Scuvero, 282 - São Paulo-SP - 01527-000



Poesia - Anderson Marcelo Mota - A Intenção E O Enigma

January 16, 2013, by Unknown - No comments yet

Poesia - Anderson Marcelo Mota - A Intenção E O Enigma


*Assemblagem: Ruth Jean Silver - Stargazer

Tal qual é a canção, tal como pulsa um coração
Tal que seja uma intermitente a regressão
A tentativa de renovação, ainda assim em teus poros
Não exibem sorte alguma de novo crer

A vontade esguia como bailarina em valsa fria
Disfarça ruídos com gemidos e gritos de vitória
Digere por vezes um quinhão de dose da ilusão

Se embriaga com licor de saliva alheia
À qual ele nunca pertencerá uma lágrima ou uma nação

Segue seu peso sem gravidade por não pesar em sua consciência
Suas tolas vontades de se manter em um pedestal enxovalhando intenções
Segue sem velocidade, por vezes com intensidade, sem maldade nem sinceridade
Cinzelando facetas afáveis de se amar, abrigando em suas palavras o horror eterno
Do não perdão

Os seus desenhos agora não são mais os mesmos
Os traços são somente gracejos de um borrão displicente
E inquestionável é a condição de mirar para infinito
Esquecer os excessos de salubridade do perdão
Exceder na boa vontade, empobrecer sua ansiedade
Se embrenhar na voz rouca nessa imensidão



Poesia - Sandro Marandueira - Melancolia

January 16, 2013, by Unknown - No comments yet

Poesia - Sandro Marandueira - Melancolia



*Fotomanipulação: Phillip Schumacher - Noise Of The Waves

Não é um vazio
é uma adaga que machuca
fecho a janela do espirito para não chover
molhar meu peito
sentir frio e não ter como esquentar

Troveja a dor no capitel da saudade
procuro o sol
mas nuvens grossas trazem a tormenta

Não adianta desistir, lutar ou ficar parado
confusão é a única palavra que vem
contra a natureza de pouco adianta correr
aceitar que nem sempre conseguimos o que queremos
mas tentar é possível
tentar é possível
é possível
possível



Poesia - Grace Cordeiro - Ah! Eu Sou Tão Primitiva

January 16, 2013, by Unknown - No comments yet

Poesia - Grace Cordeiro - Ah! Eu Sou Tão Primitiva





*Escultura: Eduards Zarins - Masterpiece

Não tenho silicone nos seios
Não tenho botox nos lábios
Ainda leio livros
Ainda percorro rios
e não tenho máscaras
de oxigênio

Quando as pessoas passam
por mim falo bom dia e boa tarde
e aperto as mãos

Ainda acredito em sorrisos e abraços
Gosto de uma boa canção
Choro com o noticiário

Vejo em cada parede uma
história e em cada fome
uma tristeza

Ah! Eu sou tão primitiva



Poesia - Elias Balthazar - Chorinho

January 12, 2013, by Unknown - No comments yet

Poesia - Elias Balthazar - Chorinho


*Pintura: Susanne Böttcher - Samba

No Brasil
Até pra chorar
Tem-se
O jeitinho



Poesia - Elias Balthazar - Jogo

January 12, 2013, by Unknown - No comments yet

Poesia - Elias Balthazar - Jogo


*Fotografia: Mia Yates - Untitled

Todas as noites
É a mesma ilusão:
Eu atrás do poema
Ele atrás das minhas mãos



Poesia - Elias Balthazar - Espelho

January 12, 2013, by Unknown - No comments yet

Poesia - Elias Balthazar - Espelho

*Pintura: Zoe Button - Making Mirrors #1

Eu mesmo
Tão estranho à mim
Custo acreditar
Que me planejei pra ser assim



Poesia - C. Talesman - Der Metzgermeister

January 11, 2013, by Unknown - No comments yet

Poesia - C. Talesman - Der Metzgermeister

*Fotomanipulação: Michal Giedrojc - Limited Edition 1/10

Sombria
Corria uma fumaça de comilança
Na Guy Cannibals
Comida humana se entregando
Em bandejas prateadas

Vítima e glutão combinavam
Como seria da carne a degustação
Da receita ao melhor tempero
Das horas no fogo, das horas no fogo
O melhor corte
No "Canibal Cafe"

A culpa não morreu com Freud
Não na Torturenet
Morreu em um tribunal
Real como o fim de cada mordida
Dos quilos do "irmãozinho" mais novo

Amigo, amigo
Por que não procura
Ajuda profissional?
Por quê?
Tempo ainda há 


*Rammstein - Mein Teil



Poesia - Ivan Junqueira - O Poder

January 9, 2013, by Unknown - No comments yet

Poesia - Ivan Junqueira - O Poder


*Pintura: Nathaniel St Amour - Just Another Face

Eis o poder: seus palácios
hospedam reis e vassalos,
messalinas, pajens glabros,
eunucos, aias, lacaios,
e até artistas e ratos.

Uma só migalha basta
à sordícia que se alastra,
e pronto surge uma talha
onde o cenário é lavado
para o próximo espetáculo.

O poder é assim: devasta,
corrompe, avilta, enxovalha,
do reles pároco ao papa,
e não há um só que escape
ao seu melífluo contágio.

Se alguém o nega ou o afasta,
compram-no logo, à socapa,
a peso de ouro ou de prata.
E se acaso não o fazem,
mais simples ainda: matam-no.

Tem o poder muitas faces :
a que se crispa, indignada,
a que te olha de soslaio,
a que purga e chega às lágrimas,
a que se oculta, enigmática.

Mas são apenas disfarce,
formas várias que se esgarçam,
por entre véus e grinaldas,
porque assim vertem mais fácil
o vitríolo em tua taça.

E tu, rei de Tule, aos lábios
leva sempre, ávido, o cálice,
não por amor nem saudade
de quem se foi, entre as vagas,
de um castelo à orla do mar,
mas só porque, embriagado,
são de engodo as tuas asas
e de cobiça os teus passos,
que vão aquém das sandálias
e se arrastam rumo ao nada.

O poder é aquele pássaro
que te aguarda sob os galhos.
Tudo ele dá, perdulário,
De ti quer apenas a alma,
Por inteiro. Ou a retalho.



Poesia - Francisco Carvalho - Poema Para Escrever No Asfalto

January 9, 2013, by Unknown - No comments yet

Poesia - Francisco Carvalho - Poema Para Escrever No Asfalto

*Pintura: Megan Murphy - Magazine Girl In A Jar

Agora eu sei o quanto basta à ceia do coração
e o quanto sobra do naufrágio
das nossas utopias

Agora eu sei o que significa a fala dos mortos
e esta parábola soterrada
que jorra das veias da pedra

Agora eu sei o quanto custa o ouro das palavras
e este pacto de sangue
com as metáforas do tempo

Agora eu sei o que se passa no coração de treva
e do homem que morre mendigando
a própria liberdade

Agora eu sei que o pão da terra nunca foi repartido
com a nossa pobreza
e com a solidão de ninguém

Agora eu sei que é preciso agarrar a vida
como se fosse a última dádiva
colocada em nossas mãos



Poesia - Francisco Carvalho - Discurso Da Ira

January 9, 2013, by Unknown - No comments yet

Poesia - Francisco Carvalho - Discurso Da Ira




*Fotografia: Katerina Bodrunova - Oil

Os pobres estão se evaporando
à vista de todos
O tempo vai passando
os pobres vão se decompondo
seus rostos são apagados pelo vento
e da memória dos computadores
até que ninguém se lembre
mais de suas caveiras sorridentes
afugentando os parasitas dos burocratas
nas repartições públicas

Os pobres estão sumindo
aos olhos de todos
O tempo os vai tornando
cada vez mais parecidos com a morte
Enquanto isso, os poderosos
sacodem suas nádegas fotogênicas
fazem belos discursos para a distinta platéia
e afagam avidamente as orquídeas



Poesia - Francisco Carvalho - Fosso

January 9, 2013, by Unknown - No comments yet

Poesia - Francisco Carvalho - Fosso

*Fotografia: Katerina Bodrunova - Underwater Dreams Falling

O povo fala grosso
mas não segue adiante
porque tem um fosso

O povo mostra o rosto
mas não pode ser visto
porque tem um fosso

O povo não tem sobrosso
mas é expulso da festa
porque tem um fosso

O povo paga imposto
mas fica à margem do rio
porque tem um fosso

Fosse de que modo fosse
a vida não mudaria
porque tem um fosso

A fome mostra o seu dorso
mas não prova do manjar
porque tem um fosso

Espectros de pele e osso
contai vossa fome ao vento
porque tem um fosso



Fora do Eixo Comunica

January 8, 2013, by Unknown - No comments yet

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Participe das Campanhas do Grito Rock 2013!

Indo além de um festival de música, o Grito Rock integra à sua programação diversas ações que vão de distribuição de produtos independentes, redução do custo do evento para torná-lo viável, até produção de documentários e intervenções cênicas.
Acompanhe as campanhas:
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A campanha “Capte seu Grito” tem o objetivo de incentivar a busca por parcerias, apoios e patrocínios que viabilizem e fortaleçam a estrutura das edições do Grito Rock.
Para difundir dados de modo a atingir tal público-alvo específico e manter todos os produtores nivelados sobre o Festival, disponibilizamos a Apresentação Grito Rock 2013, com informações sobre a estrutura do evento, campanhas realizadas e números gerais.

Participe já:

Entre em contato com o Banco Fora do Eixo - realizador da Campanha do Capte seu Grito - para assessoria na elaboração dos projetos e possibilidades de captação em bloco através do e-mail: card@foradoeixo.org.br.



Poesia - Marcelo Calil - Poesílias de Bras-ilha

January 7, 2013, by Unknown - No comments yet

Poesia - Marcelo Calil - Poesílias de Bras-ilha

*Assemblagem: Micosch Holland - Hair Force

Entre quadras
Entre meios
Entre corpos
Entre copos
Encontros e
Desencontros
Vivemos
entre eixos
Até o fim



Poesia - Ives Montefusco - S/T

January 6, 2013, by Unknown - No comments yet

Poesia - Ives Montefusco - S/T


*Instalação: Andrea Silva Guzman - Proliferación 01


É quase um pedido, uma súplica
uma declaração, um constar
Sair da sua rotina, desacelerar
Nós dois.

Janela toda aberta, fecha
portão escancarado, encosta
o peso da sua cabeça no ombro
e dorme o sono bom do sossego
Nosso colo
Arvora novidades e se atreve assim
Surpreende a pálida nuvem a dissipar
Poeiras em pontos dispersos na amplidão
No universo tecido em comunhão depois

Afasta as poltronas, arruma acolá, ali
Desaguar no oceano do infinito partir
Abrolha novamente e suspira o viver
Descerro as fechaduras, abro de novo
Pode entrar



Poesia - Marucia Herculano - Último Poema

January 6, 2013, by Unknown - No comments yet

Poesia - Marucia Herculano - Último Poema


*Pintura: Andrei Engelman - Tree Of Life

Dos versos sem mágoas, me despeço
Minh’alma anseia o recolhimento
Todo amor e pecado estão confessos
Impressos em linhas, o meu sentimento

Da vida, não fui vítima e tampouco algoz
Cada emoção, experimentei na plenitude
Entregando-me à paixão num fulgor feroz
Vislumbrei a felicidade em momento amiúde

Sem qualquer inspiração, agora me encontro
Sigo apartada do tolo eu e mesmo da poesia
Esquiva com as armas sempre em pronto
A suavidade cedeu o seu lugar à rebeldia

Compreende-me a fiel companheira solidão
Pois, assustada, nas palavras, não me traduzo
Sou tantos paralelos de medo, vazio e amplidão
Pranto silencioso nas folhas brancas, difuso



Poesia - Marucia Herculano - Lágrimas Da Alma

January 5, 2013, by Unknown - No comments yet

Poesia - Marucia Herculano - Lágrimas Da Alma


*Pintura: Lauren Hunter - Eye Of Picasso

Não procure no rosto vestígios de lágrimas
E nem pretenda ouvir sussurros ou tristes lamentos
Existem ocasiões onde a estampa de serenidade exposta
Serve de escudo aos desesperados e atrozes tormentos

Haverá dias que a alma se debaterá buscando consolo
E a morte se afigurará como única resposta aos sofrimentos
E mesmo a fé perecerá tal fortaleza destruída, vã e imposta
Transformada pela indiferença e inapeláveis acontecimentos

A dor possui com o coração intimidade profunda e angustiante
Leva-o a percorrer os caminhos do conhecimento e do desalento
Grassa qual doença devorando a alegria doce da exuberância
Retirando do sonho, a esperança e dos pés, o estável firmamento

Lágrimas d’alma são apelos sutis entrementes e silenciosos
Necessitados de doação e sensibilidade para seu entendimento
Guardam segredos de existências infrutíferas ou desditosas
À espera do milagre do amor: fonte da redenção e do fortalecimento



Poesia - C. Talesman - Analfabeto Visual

December 24, 2012, by Unknown - No comments yet

Poesia - C. Talesman - Analfabeto Visual

*Fotomanipulação: John Sendak - Dimri Towers Modi´in 2012 Nº 1


A
AA
AAA
AAAA
AAAAA
AAAAAA
AAAAAAA
AAAAAAAA
AAAAAAAAA
AAAAAAAAAA
AAAAAAAAAAA
NNNN
AAAA
LLLLL
FFFFF
AAAA
BBBB
EEEE
TTTT
OOO

Olha para
Metafísica
 Horrorosa

 Não entende
Seus próprios
Porquês



Poesia - Lincoln Moreira - Prólogo

December 22, 2012, by Unknown - No comments yet

Poesia - Lincoln Moreira - Prólogo


*Fotomanipulação: Jeff Randall Rosenfield - Jubilee

Um verso talvez
Ou o amor dos loucos
Quem sabe a tristeza
Do fim de quem ama
Que seja você, ou os outros
Quando dominaremos a certeza?

Um verso talvez
Ou o ódio compulsivo
Seja qual o sentimento
- Estou certo que meu canto é duvidoso -

Que seja eu.. você
Mas.. sabemos de alguma certeza?
Eu que quebrei o espelho d’alma
Eu que não sei o que pretendo
- Tu, a quem eu quero -
Isto é uma certeza (?)



Poesia - Lincoln Moreira - AluaPana

December 22, 2012, by Unknown - No comments yet

Poesia - Lincoln Moreira - AluaPana


*Pintura: Joseph Reicherts - Red Tree

Inverter, desmembrar meu peito cansado
Olhar teus olhos são recortar
Casulos temporais de vontades
Enxergo sem ver, pois o que almejo escondo
Atrás de minhas pálpebras fatigadas
Olhar teus olhos são recortar
Casulos temporais de vontades



Poesia - Lincoln Moreira - Absinto

December 22, 2012, by Unknown - No comments yet

Poesia - Lincoln Moreira - Absinto


*Pintura: Stefan Engel - Hitchhiker

Sonho com você
Meus sonhos são inúteis
Inúteis porque não te trazem
Queria-te real
Assim te tomaria



Poesia - C. Talesman - A Valquíria De Abrahan

December 22, 2012, by Unknown - No comments yet

Poesia - C. Talesman - A Valquíria De Abrahan

*Fotomanipulação: Jeff Randall Rosenfield - The Horse That Died Of Shame

Valquíria de Odin, cavaleira do tempo
Viajante da Terra e dos céus
Salvadora de noites desoladas
Salva o meu coração
Salva o meu coração com sorrisos
Antes que outra valquíria me leve
Como algodão doce em uma praia com crianças
Tua companhia traz saudades



Poesia - Márcio Ide - O Despertar Na Guerra De Amor Da Vida

December 15, 2012, by Unknown - No comments yet

Poesia - Márcio Ide - O Despertar Na Guerra De Amor Da Vida

 *Pintura: Stephen Thorpe - The Phenomenology Of Roundness

Sempre

Preste atenção no momento presente
Procure sempre acordar
Sempre vencer a inércia

A preguiça e o desejo frustrado
Que pesam tanto

Luta pela sua vida e trabalha

Pela sua felicidade, agora
A cada instante, sem afobação
Mas não perca um segundo

Da mágica de existir



Poesia - Márcio Ide - Os Poetas Anjos

December 15, 2012, by Unknown - No comments yet

Poesia - Márcio Ide - Os Poetas Anjos

 *Fotografia Tipo C: Annette Habel - Falling Bodies (1)

E num instante no meio do vento
Eu ouvi sua voz
Teu olhar se abriria a mim
E eu, tão nu e só
Me abriria plenamente

Ele e ela
Foram dos maiores poetas que viveram
Desde sempre

Eu nasci dentro do seu amor
Seu amor me salvou da morte vazia e insana

De tempos insanos e vazios

Literalmente, letra por letra
Eles são meus mestres

Eu sou sua caçulinha

Minha filha nasceu

Eu a darei ao Mundo

A estória e História não acabaram

Prossegue, Rosa



Poesia - Camila Nakano - Talvez

December 15, 2012, by Unknown - No comments yet

Poesia - Camila Nakano - Talvez

 *Pintura: Anda Purina - Legs

Talvez se eu tivesse me escondido mais
Talvez se eu tivesse resguardado mais meu coração
A minha alma estivesse ainda inteira

Eu sei que eu sempre ando na espera
Eu sei que bem no fundo sou eu quem erra
Dando tudo o que a gente não pode tirar

Sentimento, amor ou loucura...

Talvez se eu não tivesse me entregado assim
Talvez se eu não tivesse me doado assim
A minha alma estivesse ainda plena em amor

_________________________________________________

*Letra da música "Talvez", da compositora: Camila Nakano.



Poesia - Glena Gunner - Criador, Criatura

December 11, 2012, by Unknown - No comments yet

Poesia - Glena Gunner - Criador, Criatura

*Fotografia: Ben Vine - Würsa à 18 000 Km de la Terre

Não há completude em nada existente
Se o próprio criador é incompleto
Porque suas criações não deveriam ser?
Homem criador
Que permitiu vestir-se de criatura
Que criou deus, seu criador
Como o caminho para sua cura

Tantos poderes nos foram atribuídos
Natureza e evolução que nos empurraram até aqui
Mas muitos ainda encontram-se insatisfeitos
Pelo singelo fato de existir
Põe-se abaixo de algo que nunca se mostrou
Que nunca nos falou as verdades
Que necessitamos ouvir
Ao criarmos um deus criador
Nos mostramos impotentes
E continuamos a nos iludir

Criador que se fez criatura
Criatura que ignora suas virtudes
Suposto criador
Que ao invés de respostas e conforto
Gera ainda mais duvidas e dor
Criatura e criador



Poesia - C. Talesman - Carbono Queimado

November 29, 2012, by Unknown - No comments yet

Poesia - C. Talesman - Carbono Queimado


*Fotografia: Cláudio Talesman - Incêndio Do São Jorge



Voltei das cinzas
Afoguei na lama

No choro triste
De quem foi queimado

Nas palavras de um pai
Desesperado
Os filhos foram salvos
Os bens foram salvos
Mas foram furtados
Quando mais bens foram salvar

Tudo se foi
Morreu ali a fome
A esperança, a alegria
Morreram as lembranças
Por sorte não morreu a vida

Por culpa de um desequilibrado
O fogo se alastrou como pecado
Sumindo dali com as casas pernudas

Era uma vez uma beira do rio alegre
Quero tomar um banho

Limpar esse cheiro forte
De carbono queimado

___________________
Doe para as vítimas do incêndio:
http://tinyurl.com/cfuwjhw



Poesia - C. Talesman - Depressão No Amor

November 26, 2012, by Unknown - No comments yet

Poesia - C. Talesman - Depressão No Amor

*Pintura: Oxana Simatova - Suburban Zone

1. Medo

Para amores buscando justiça a
Anunciação do fim é um particípio
Mais doloroso de cada futuro
Do tremor pela pessoa que não vem
Teme-se o destino que não existe

2. Raiva

Por que não vem e não houve 'o não'
Apenas um única vez?
Eu não peço mais amigos e passagens
Eu não peço músicas confortantes
Eu não peço frio para me acalmar
Eu não peço choro e ataque cardíaco
Queria a tua recepção

3. Frustração

Os dias se passam sem um email ou telefone
Extingui-se
A vida social da rede
Junto da vontade de viver e ir lá fora
Ver se a luz dourada aparece no final da tarde
Ou para sentir a proximidade
Por que não me deixa ir para sempre?

4. Depressão
Dizem que o amor não se encontra
Em um jogo
Já a depressão fica parada em cada esquina
Esperando para segurar na mão
Sem encontrar personagem
Para representar a dor

5. Flashback

Por que eu não disse 'não'
Quando a encontrei
Pela primeira vez
No parque, na Sexta-feira?
Essa mania de sofrer
Para ter um sentimento
Para escrever
Ela disse 'oi'
Eu disse 'tchau'
Como nota, evitei os pesadelos



Poesia - Rojefferson Moraes - O Protesto

November 25, 2012, by Unknown - No comments yet

Poesia - Rojefferson Moraes - O Protesto


*Pintura: Rhian Field - Natural Selection

E ali, sentado como um cacique perdido no tempo e espaço
Vendo todos aqueles homens, mulheres e meninos
Percebeu-se como um ser estranho em si mesmo

O sol nascera encarando-o voraz
Ele ergue-se e vendo o fio prateado do que um dia fora um rio caudaloso
Deixou que o odor lamacento do cais lhe tomasse
Os pulmões cansados e enegrecidos pelo fumo

Tinha nos olhos puxados e na pela lisa
Marcas de uma dor quase imperceptível
Açoites, dias e noites de torturas nos galpões industriais
E as suscetíveis perdas e das humilhações sofridas
Pelo seu eu nem por ele conhecido

Desceu como uma sombra, um espectro ontológico
De um ser que deveria ser banido da história da cidade
Para não borrar a tela bem pitada e perfeita
Do dia a dia da província pasteurizada

Em meio ao som de motores, fumaças, alto-falantes
Ao invés das flautas tribais
Partiu para o sacrifício último de sua miserável vida
Subiu no Monumento de Abertura dos Portos
Para proferir suas últimas palavras de protesto

Até sucumbir ao golpe de cassetete que lhe atingiu a nuca
E o soco certeiro no estômago que estraçalhou
Alguns de seu órgãos já estragados



Poesia - C. Talesman - Ondismo

November 25, 2012, by Unknown - No comments yet

Poesia - C. Talesman - Ondismo


*Pintura: Jan F. Welker - Gate Birkenau

Onde tudo vale para todos
Onde o mais miserável é notado primeiro
Onde o diferente transforma-se em igual
Onde o sonho substituiu a inveja
Onde a imaginação dá lugar ao conhecimento
Onde o miserável tem educação
Onde o livro é pesquisa
Onde a escrita é resultado
Onde o original transforma o previsto
Onde o simples se torna gênio
É um ondismo interminável



Poesia - C. Talesman - O Deus(-)Partido

November 25, 2012, by Unknown - No comments yet

Poesia - C. Talesman - O Deus(-)Partido


*Pintura: Benjamin Bridges - Phobos And Diemos

O homem que adota um partido político
Como a um deus, nunca conseguirá
Discursar contra esse deus
Por mais que esse deus motivo de crimes

E quão estúpido serão os discursos de defesa
Desse homem em relação a justificação
Dos crimes do Deus-partido?

E quão idiota será era esse homem
Em seu imenso falsificacionismo?
E quão imbecil serão aqueles
Que acompanharem a pequenice dele?

Antes de partir um deus
É preciso estar a parte dele
Para poder partir os dois



Poesia - Celdo Braga - Luz Negra (Em Memória De Nestor Nascimento)

November 20, 2012, by Unknown - No comments yet

Poesia - Celdo Braga - Luz Negra (Em Memória De Nestor Nascimento)


*Fotomanipulação: Autor Desconhecido - Título Desconhecido

A luz lapidada na fala do negro
– do negro assumido chamado Nestor,
Na pedra do tempo esculpiu esperanças,
– na tábua do exemplo um legado de amor.

Lavrou consciência nos poucos que gritam
nos poucos que cantam o canto do igual.
Deixou ressoando em todos os recantos
o toque de iuna do seu berimbau.

Deixou na palavra curtida de luta
a saga do fraco que forte se faz,
e em letras graúdas, tingidas de sangue:
guerreiro pra sempre; escravo jamais!

Nestor Nascimento é luz peregrina
é fogo que arde na brasa do ser.
Zumbi manauara na lavra dos sonhos
Kilombo florindo em nosso viver.



Poesia - Hugo Lima - As Cinzas

November 19, 2012, by Unknown - No comments yet

Poesia - Hugo Lima - As Cinzas



*Pintura; Julius Redillas - Makeup Guru

Ando sobre as cinzas do meu corpo
Será que existe algum outro
Além de mim?
Será?



Poesia - Hugo Lima - Constelação Do Céu Da Boca

November 19, 2012, by Unknown - No comments yet

Poesia - Hugo Lima - Constelação Do Céu Da Boca


*Pintura: Eric Drass - Corporate Fight Club: Quantitative Easing

-Arqui
-Pé
-Lago
-De luz mascável



Poesia - Hugo Lima - En Dolor

November 19, 2012, by Unknown - No comments yet

Poesia - Hugo Lima - En Dolor


*Pintura: Enrico Robusti - Acque Tremule

En-dor-sal
En-dor-fina

Em dor
Tudo trafega:
Morfina



Poesia - Ana Ribeiro - Cinco Minutos

November 19, 2012, by Unknown - No comments yet

Poesia - Ana Ribeiro - Cinco Minutos


*Pintura: Victor Grasso - I Used To Be A Planet

E assim eu descubro meus dias
Permeados de lutas
Guerrilhas internas
Palavras que ofendem e ferem fundo
Bocas se abrem, às vezes em versos
Outras, em verborrágicos espasmos
Ou fecham-se em beijos de desejos
De dor
O medo é constante; o corpo reclama
O peito dispara; o sono não vem
Meu canto é silêncio
Sem versos nem rimas
Apenas flui
Como torneira aberta
Que jorra minhas mágoas
E de repente estanca
Como se em mim tudo fosse árido, estéril
O que me resta?



Poesia - C. Talesman - Fotografia De Tom Frio

November 18, 2012, by Unknown - No comments yet

Poesia - C. Talesman - Fotografia De Tom Frio

*Pintura: Lou Ros - VV3

Foi possível olhar nos olhos de outra
Sentindo a pulsação novamente
Fizera-me ela gostar apenas como punição?
E os seus cuidados eram apenas de carinho?
Eram. Eu vi um fantasma despedaçado

Na impressão o amor, invenção do século
XIX e 59 eram quando acabaram-me
Com esse mal para a paixão de quem observa
Esperança é perdível como a alegria

Era uma vez um homem que sentia
Era uma vez um tolo que tentou de novo
Era uma vez um coitado sentimental
Era uma vez uma depressão chegando

Buscar de um fonte tão sombria
Onde sapos coaxam e o Elísio soa revolução?
Se tivesse focado na revolução
Mas aí, perfurei para os lados
Vi o amor dela pelo ressurgido
Quando abandonou-me não pude parar
De chorar, as lágrimas contidas
De um ano inteiro
Do enterro do meu último amor
Congelado

*Wolfgang Amadeus Mozart - Lacrimosa (HD)



Poesia - C. Talesman - Guarani-Kaiowá

November 14, 2012, by Unknown - No comments yet

Poesia - C. Talesman - Guarani-Kaiowá

*Fotografia: Ariadne Monteiro - Sem Título

Em meio ao fogo, ao povo, a hostilidade
Em meio à depreciação de sua cultura
Em meio aos xingamentos de animais
Em meio à separação de sua casa
Surgiu um novo herói do suicídio

Em meio à ameaça de fazendas

Em meio à redução de seres urbanos
Em meio ao tratamento desumano
Em meio às matérias de um jornal
Surgiu um herói suicida e desteminado

Em meio ao nacionalismo
Em meio à disputa de poder
Em meio ao terrorismo de ditadores
Em meio à maledicência dos retardados
Surgiu um herói histórico e final

Para despertar a fúria dos insolentes
Meninos do status quo
Em um eco politicamente aterrorizante:
Este é o território revolucionário



Poesia - Tony Saunier - Claustrofobia Do Silêncio

November 14, 2012, by Unknown - No comments yet

Poesia - Tony Saunier - Claustrofobia Do Silêncio

*Pintura: Lorella Paleni - Up Here, Losing It

Não posso ficar assim
Não devo ficar assim
Há um intervalo lá fora
Suprimido em mim
Há um domingo de pedras faiscantes
Um sol de limo em meu coração
E uma vontade infantil
Que desassossega e trai

Quando digo que não vou
Quando digo que não quero
Quando afugento o que voltou
Mas que de ti, eu sempre espero

Invento sutilezas que nos acalentem
Confissões? Já foram muitas, em cubículo escuro
Mas eu tenho saudade da primavera
Dessa grande primavera que nos visita de vez em quando:
Centelha de girassóis

Desculpa, amor, (des)culpa

Mas eu tenho uma navalha
Rosas vermelhas, cortinas esvoaçantes
E meu travesseiro é um bordô orvalhado

Sorvo o gosto agridoce da carne

E o vinho mais frugal, sedento e só
E te confesso abertamente
Sob a imaginação que te procura
Na espera que me sigas
Que sofro desse mal metrificante:
Claustrofobia do silêncio



Poesia - C. Talesman - Há Segunda Estrofe?

November 14, 2012, by Unknown - No comments yet

Poesia - C. Talesman - Há Segunda Estrofe?

 *Pintura: Martinho Costa - Fire

Houveram temas de sinfonias
Perfeitas como a
Harmonia, alegria, comunhão
Luz dourada, ingenuidade, amor
Círculos, amizade e paz
Desejadas por todos
Elas foram

Faz tempo que trocamos
De alma antiga para outra
Ordem, luta, separação
Panning, ousadia, paixão
Octágonos, união e guerra civil
Foi nessa troca que mudamos o
País dos pais da corrupção
Trocando políticos com a Morte

Até o pacífico cansa na confraria

Dos homens e mulheres cansados
Na humilhação de poucos



Poesia - C. Talesman - Urinocinese

November 8, 2012, by Unknown - No comments yet

Poesia - C. Talesman - Urinocinese

*Pintura: Alexander Illichev - Stockhausen

Privatizaram o banheiro público
Cobrando-me R$ 1,00
Eu que já pago
Meus impostos e não preciso
Pagar manutenção
Nem compra de material
Nem funcionário

Tudo isso a mim

O governo não quer oferecer
De imposto sobre imposto
O neoliberalista prejudica
A população
Move-se nos meus fluídos
Depois de ser humilhada, sorri e paga
Ou vai à praia ou ao rio usar
O banheiro dos cachorros
Na bela visão de cadáveres
24 horas aberta, a praia
7 dias da semana
R$ 200,00 é a diária
Fim do mês são R$ 6.000,00
O custo dessa humilhação
Essa urinocinese ou
Indústria da excreção


*|Tarja Turunen: Until My Last Breath



Poesia - C. Talesman - Odaxelagnia Da Paz

November 6, 2012, by Unknown - No comments yet

Poesia - C. Talesman - Odaxelagnia Da Paz


*Pintura: Patrícia Simone - Abstração Sem Título

Em todas as revoluções que li
Existiam políticos que desviavam
Dinheiro do povo, compravam
Jornais e decisões judiciais
Tinham controle da polícia
Da alfândega, do tráfico de drogas
Fraudavam documentos públicos
Até que o povo resolveu unir-se
Para assassiná-los

Sim
Este nunca me pareceu um ato
De crueldade
Sempre foi deixar que esses políticos
Donos absolutos da verdade
Da riqueza e da justiça permanecessem
Vivos destruindo a vida da coletividade

A pergunta é quanto
Tempo demora para que ocorra
Esse assassinato?

A vida de todos os moradores
De uma cidade é mais importante
Do que a vida
De um pequeno grupo de homens vis

Quem mantiver a paz no tempo
De corrupção nunca obterá
Uma cidade justa



*Aerosmith: Ain´t A Bitch



Poesia - C. Talesman - Dominação Sem Dinheiro

November 2, 2012, by Unknown - No comments yet

Poesia - C. Talesman - Dominação Sem Dinheiro

*Fotografia: Nico Stinghe - Garden

[Fúria se formando no ar]
Grupo enraivecido

Com o encanto coletivo
Do compartilhamento
Tentou apropriar-se

[Fúria condensado no ar]
A coletividade vê a ética

Esganou-os precipitadamente
Com todos os pensamentos guardados
Nos armários de livros e livros de armário

[Fúria liberada no ar]

Temporariamente eles se dissiparam
Numa neblina orgânica
Vazaram do encanamento público
Para o neonazismo e vingança
Combatidos, eles perdem
Seu valor, os seus asseclas choram
De dor por verem seus líderes desfigurados

[Revolução se formando no ar]
Por aqueles que dominam o mundo

Sem possuir um centavo
A Filosofia é a dominadora

Arma da justiça contra quaisquer
Gullag física e virtual

[Revolução indissipável]

Engana-se quem pensa
Que manda em cérebros
Inteligentes e libertários
Enquanto distribuímos

Nãos velados e nãos



Poesia - Hugo Lima - Depressão Pós-parto

November 2, 2012, by Unknown - No comments yet

Poesia - Hugo Lima - Depressão Pós-parto


*Mídia Mista: Jill Price - Rurbia: Eyrie, 2012

O meu amor partiu
Em cesariana
E o que restou
Foi a dor
De uma saudade
Prematura



Poesia - Hugo Lima - Partida

November 2, 2012, by Unknown - No comments yet

Poesia - Hugo Lima - Partida

*Fotografia Tipo C: Jon Jacobsen - Kabuki (Edition Of 20)

De fusquinha ou de avião
                                         Hei de fugir
                                         Dessa ilusão



Poesia - C. Talesman - Hipnoterapia Para O Amor Passado

November 1, 2012, by Unknown - No comments yet

Poesia - C. Talesman - Hipnoterapia Para O Amor Passado

*Pintura: Michal Mrãz - We Know What You Want

Se eu partisse nessa incepção
O que sobrariam de minhas verdades?
Respiração, sono, sonho, passagem
O que é vida depois que partimos?
O que é o instante sem poesia?
O que é a constante de incertidão?

O que é acordar na ilusão?

Um dia quem pertenceu a outro corpo?
Um dia quem usou o amor dentro de si?
Uma noite eu voltarei ao passado
Para demonstrar-me em uma viagem astral

Pelo teu sorriso, pelo teu olhar
Pelo toque das tuas mãos
Pela tua emoção
Para buscar tua vida
Pelas tuas lágrimas de felicidade

Deixa-me aqui, doutor
Esquece o meu fio dourado

Deixa-me estar deste lado
Deixa-me no colo desta madrugada
Nesse divã até que eu parta
De volta ao coração dela



Poesia - Ana Clara Matos - Conflito

October 28, 2012, by Unknown - No comments yet

Poesia - Ana Clara Matos - Conflito


*Desenho: Melinda Matyas - The Follower II

Não se pode falar nem esperar que entendam
Elas não podem sentir ou sequer lhe tocar
Não podem lhe salvar ou lhe alegrar
Fazer ouvir ou acreditar

Você já sabe, mas continua
Insiste com o querer
Você já sabe, mas continua
Insistindo com o enganar

Você já sabe, mas continua
A querer o que já sabe que não é

Atos e consequências se tornam marcas
Manchas que cobrem o que existe
Palavras e afirmações acabam em pó
Cada migalha uma pedra, uma flor
Cada migalha um desejo, um temor

E a dor
Arrancada pela razão
Se resume em lamentos
Lamentos vindos da insanidade
Que acendem o arrependimento
Ansiando o querer, o poder, o amor


E por fim, o enganar

Ponderar o que existiu agora é ignorância
Enxergar o que não se via é um passo a frente de você mesmo
Palavras que um dia fizeram sentido
Palavras que um dia mudaram o mundo
Hoje não passam de apenas sons escutados
Esquecidos e ignorados

Fundir o metal com o ouro
Em uma tentativa suja de agradar
Muito fácil de apagar
O que seria o silêncio sem o pensar?
Um vão escuro que cobre a mente nunca se tornará luz
Dependendo do que a luz for para cada um de nós
Sentar e esperar a inocência aparecer

Costumar caminhar ao infinito tornou-me um turista
Perdido em um mundo vazio e sem nenhum sentido
Caído em um lago qualquer
Fundo o bastante para se afogar de alegria
Se refugiar do hábito fétido comum a todos
Que congela a mente com uma simples propagação
De enganações e ofensas à mente humana

Quão atraentes são os caminhos
Quão atraentes são as entrelinhas do parecer ser livre
O existir apagado pela ignorância
Estado vegetativo
Ignorância programada
Ignorância com sucesso
Ovação pra quem merece?
Não é preciso, quando os atos falam por si

Mundo cego
Acreditando no que pensa ser errado
Sem conhecimento do real
Senso comum e sangue se misturam
Combustível para atos que incitam gargalhadas
Orgulho e superioridade
São apenas o real
E o irreal continua preso
Na mente de quem almeja a liberdade
Sem ao menos perceber



Poesia - C. Talesman - As Guerras Anônimas

October 27, 2012, by Unknown - No comments yet

Poesia - C. Talesman - As Guerras Anônimas

*Pintura: Marta Lech - Untitled

Existe guerra mais bela
Do que aquela que o inimigo
Não consiga ver?

Existe guerra mais bela
Do que as células aglutinadas
Consigam prever?

Existe guerra mais bela
Do que o segredo e o medo
Que a justiça possa fazer?

Existe guerra mais bela
Do que a interna
Libertada pela janela
Para que o mundo possa saber?

Existe guerra mais bela
Do que ver a queda
De um não assumido ditador?

Existe guerra mais bela
Do que a ruína dos dados
Após o infortúnio de ter comprado
Um advogado
Para os seus crimes esconder?

Existe guerra mais bela
Do que a prisão no coração
Da liberdade de um corrupto?

Exite guerra mais bela
Do que o sadismo de um jogo
Do político criminoso
Em uma panóptica virtual?

Existe guerra mais bela
Do que manter os Recursos
Públicos capturados
Em maioria na Educação?

Existem guerras mais belas
Infinitamente guardadas
Em nosso ideal
Esperando uma liberta
Ação
Depende de cérebros e mãos
Secreta

Ação
De monumentos e caravelas



Poesia - C. Talesman - O Demagogo Guloso De Voto

October 26, 2012, by Unknown - No comments yet

Poesia - C. Talesman -  O Demagogo Guloso De Voto

*Pintura: Vittorio Selleri - Geometrie In The Sky

Meio ator, arteiro e rei inglês da fantasia
Quem não percebeu as paradas
A cada três sílabas lotadas

De uma mentira falsificacionista
Hipnotizante de amigos zumbis
Meio mortos, meio vivos

Foi um abandono apocalíptico
De si quando apontou uma máfia ilusória
Em elfos para disfarçar seu crime
Organizado de neonazismo

Não havia amor naquilo
Na cidade assediaria
Com neoliberalismo em todos
Os cantos não seriam públicos

Arrependidos com um Narciso
Autoproclamado o mais preparado
Quando de fato é o mais contraditório

Vindo do partido mais corrupto
Assumido Júlio César contemporâneo
Sem nem ainda ter ganho prestígio de algo

Inseguro que fala de mudança
Mais que idiota público contrata
Assessores e pessoas não preparadas

Para resolver problemas básicos?
Enquanto não sabe usar sua rede social
Online como meme Genius no espelho

Dentro de sua pick-up de 100 mil reais
Decidirá o destino de seu ônibus

Mais em quem você vai votar mesmo
Senhor nulo?
Não vai comprar filósofo de banheiro

Pensando que com(o) Maquiavel dormirá


*Dream Theater - The Root Of All Evil



Poesia - C. Talesman - O Algoritmo Complexo

October 18, 2012, by Unknown - No comments yet

Poesia - C. Talesman - O Algoritmo Complexo

*Desenho: Jelena Grujicic - Quarantine

Mesmo assim não desistiria de acreditar?
Quando os corpos se desfizerem no nada
Em alguma solidez, a sua aversão restará?

Há beleza - não para substituir o antigo -
Para completar um ciclo físico e natural
Como a origem química da água
Ou dos componentes do mais ávido veneno:
Como a liberdade filosófica coletiva e individual

Houve um dia onde os homens se enganaram
No passado, tornaram a Ciência uma amante
Enquanto casavam com a Religião
Ignorando as mortes do Renascimento
Por uma mitologia da inocência e estupidez coletivista

Esse teatro da mente, erro explorável
Por igrejas de políticos-pastores
No erro inconstitucional mais bem crível
Fez o mundo convulsionar mais de uma vez
Por facistas que lutam em nomes de deuses e profetas
Que em nada contribuíram com a inteligência global

Criando o comportamento grupal:
Pelo medo de serem punidos, uns negaram a Ciência
Para abdicarem da liberdade plena do indivíduo
Realizando uma "justiça", que tornou a sociedade dependente


Foram mais de um hitler, quando baixamos a cabeça
Para a ditadura religiosa implantar sua doutrina
Disfarçada de amor e paixão, para que não notássemos
Que eram ações do crime organizado
Esforçadas em retirar toda nossa vontade
De viver independentes de instituições


Então
Decidimos optar por alterações em leis
Que tornassem estes corruptos prisioneiros
De seguranças máximas ao invés de perdoá-los
Por não exporem suas arrecadações em transparência
Abrimos suas vidas em tribunais para que não sobrassem
Centavos para fins pessoais

Humanos, somos todos
Uns tolos se após a previsão desse algoritmo complexo e previsto
Continuarmos despejando bens livres de imposto
Junto da virgindade de nossas crianças
Nas mãos de sacerdotes tão vis e milionários

Todo este crime sim terminou
Aqui na quarentena de nosso pensamento
Que começou neste poema
E terminará em uma grande revolução

*Luneta Mágica: Aqui Nunca Nasceram Heróis



Poesia - C. Talesman - Limite, Um Borrão Para Os Astigmatas

October 18, 2012, by Unknown - No comments yet

Poesia - C. Talesman - Limite, Um Borrão Para Os Astigmatas


*Desenho: Matthew Deakin - End Of An Era

Sentimentos amputados

Alma empenada (isso não existe)
Desesperado e inconsequente
Com índole de herói contra o crime
Onde todo mundo é o medo
Aquela parte de mim não tem


De um ex-sogro que ensinava:
Viver assim é o afastamento dos "amigos"
Pois que vivam longe

Dizer não, eu aprendi cedo a não chorar

Se existe um desejo pelo qual irão se lembrar

Será o desejo de marcar o tempo
Com o ímpeto de quem desconhece
A palavra limite é um borrão

Talvez eu deva ouvir Richele
Empenhar-me mais na poesia



Poesia - Hugo Lima - Explosões/Iscas/Sextas-feiras 13/Alusões Repentistas/E O Cacete.. (Ou Autodefinição Por Um padrão Repentista)

October 18, 2012, by Unknown - No comments yet

Poesia - Hugo Lima - Explosões/Iscas/Sextas-feiras 13/Alusões Repentistas/E O Cacete..
(Ou Autodefinição Por Um padrão Repentista)


*Pintura: Marcelo Albuquerque - Montanhas Cortadas

Esmiuçando
Esfiapando
E despedaçando
Desmorono-me e revelo-me em nuances
No prisma de meus eus e ais
Assim sem mais
Me traduzo ao pé da letra
Ou tento:
Fragmento sem encaixe
De poema sem saída
Cafarnaum de partes e pestes
E portos e places
Sem cais e cordas
Com caos
Editor de rasuras, em explosões repentistas
Foguetório/Crematório das neuroses
Psicoses e metempsicoses
Escarcéu de cores, cóleras, taras, crimes
Desvãos prateados
Engalanados de noturnas insônias, infâmias, insânias
E blasfêmias
Limo cor de musgo
Céu cor de gelo

Vou abrindo e fechando
Fechando e abrindo
Minha caixa de Pandora
Sou sócio, carteira assinada e livro de ponto
Do clube onde poesia e fogo se entremeiam
Componho partituras em sílabas
Fundindo escrito e oral
Na marra, no pau
À beira de um troço

Mas eis que fico tonto
Escuto vozes
Misturo-me às alucinações
Feito simbiose

Sigo
E não traduzo
As algaravias ruminadas
Das vias esburacadas
De minha carcaça estofada
De tudo o que abrange
A palavra enigma:
Apraxia
Sou senhor de mim mesmo
Até onde olhos vêem
Descendo das elegias, das odes, das palinódias
Das paródias, das glosas, dos sonetos
Dos tercetos e sextetos, cianuretos
Da poesia incrustada feito fruta cristalizada
No pão doce
Da expressão chama+abc
Do canhão lançador de sincretismos ilusionismos e paradigmas
À fortaleza inimiga
Da porralouquice
Em freadas bruscas
Da iconoclastia, da iconolatria
Da magia negra
Das macumbas, das quizumbas, catacumbas
Do moderno, do inverso, do inverno
Da “boca do inferno”
Eis Gregório incorporado
Do Santo do Pau Oco
Do espírito de porco
Da relva, do lodo
Da selva, da maluquice dos manicômios dos malucos
Da venda dos olhos
Da fenda das falhas
Das fagulhas
Das imperfuráveis madeiras brutas
Parceiras e sócias majoritárias
Do clube de minhas sextas-feiras
Treze
Da matéria, da antimatéria
Da arte que pulsa na artéria
Dos desabafos fantásticos do Sairlomoon:
O ourives
Do simples ato de escrever
Para anuviar os excessos
Para despistar os ardis
Para decifrar os enigmas
E apagar o incêndio
Que de tão abastado
Reduz a escrita
a um mero pano molhado



Poesia - Hugo Lima - Preâmbulo

October 18, 2012, by Unknown - No comments yet

Poesia - Hugo Lima - Preâmbulo


*Pintura: Kyösti Pärkinen - Insider

Ser pele
Ser amor
Ser leve
Amar, apenas

Deixar-se por si só
E ser



Poesia - Hugo Lima - Descanso

October 18, 2012, by Unknown - No comments yet

Poesia - Hugo Lima - Descanso


*Desenho: Yang Gallery - Once Upon A Time

Para os meus pés
O conforto de umas nuvens

Flores e poemas para a maciez dos dedos

Paisagem:
Assim descansa meu olhar



Poesia - Hugo Lima - O Ser E O Tempo

October 18, 2012, by Unknown - No comments yet

Poesia - Hugo Lima - O Ser E O Tempo


*Fotomanipulação: Yang Gallery - Deep Red Lips Nº2

A um passo da eternidade
Morro de tédio



Poesia - Hugo Lima - Sobre A Onda

October 18, 2012, by Unknown - No comments yet

Poesia - Hugo Lima - Sobre A Onda

*Desenho: Yang Gallery - Sing Nº2

Uma onda
É uma onda
É uma onda é
Uma onda

Que se quebra
No horizonte curvo
Das pedras



Poesia - Weverthon Manfredini - Lobo Mal

October 15, 2012, by Unknown - No comments yet

Poesia - Weverthon Manfredini - Lobo Mal


*Fotomanipulação: Ysabel LeMay - Passing By

E eu torço pra que quando você for
Não volte nunca mais
Esqueça o que passou
Ou o que ficou
Já é tarde demais

Não pense que eu vou voltar atrás
Por seus olhos azuis
Meu coração numa bandeja
Pra você eu pus

Olhe pro fim do túnel
Lembre-se de mim
E perceba que não existe
Luz no fim

Agora é game over
Fim da linha
Bandeira final

Não tem empate
E nessa história
Quem vence é o lobo mal



Poesia - Weverthon Manfredini - Azulejo

October 15, 2012, by Unknown - No comments yet

Poesia - Weverthon Manfredini - Azulejo


*Fotomanipulação: Ysabel LeMay - Natura

Eu era pra ela o companheiro ideal
Dava carinho, amor, compreensão
Achava lindo o seu sorriso matinal
Ela era o norte, ela era a minha direção

Eu tinha mesmo um orgulho sem igual
Ao vê-la pronta pra dormir, que tentação

Mas também sentia um medo quase irracional
Só de pensar em uma possível traição

E um dia, ao chegar cedo do escritório
Encontro ela com outro em nossa cama
Dando a outro o que era meu e nesse ensejo

Digo que os dois não terão digno velório
Pois não traí quem realmente me ama
Só me resta o sangue dela no azulejo



Poesia - Weverthon Manfredini - Guilhotina

October 14, 2012, by Unknown - No comments yet

Poesia - Weverthon Manfredini - Guilhotina


*Pintura: Carmelo Canales - Retroprogressive Portrait

A inquisição já faz um tempo está extinta
E mesmo assim tu insistes em tortura
Dizes que queres que eu entenda e que sinta
O quanto a vida pode ser árida e dura

A ingratidão é uma fera vil, faminta
E que vem sorrateiramente em noite escura

E antes que a sua fria presença, eu sinta
Ela me aplica uma pancada certa e dura

O que eu fiz pra merecer esse castigo?
Eu simplesmente dormia com o inimigo
E a luz aos poucos vai deixando minha retina

Eu a amava tanto e a tinha como amiga
Infelizmente ela era mais uma inimiga
E o sangue dela agora suja a guilhotina



Poesia - C. Talesman - U.F.C (Um Falsificacionismo Comunitário)

October 14, 2012, by Unknown - No comments yet

Poesia - C. Talesman - U.F.C (Um Falsificacionismo Comunitário)

*Pintura: Ana Schmidt - Urban Landscape

"Vitória, se foi para sempre"
Quando um povo partiu do esporte
Para o futuro, alcançando um ataque
No miocardio antes do convencimento
Onde esportes são maiores que mensalões


Sabem perfeitamente cada detalhe

Dos diretos aos mata-leões
Contudo não sabem prender um político
Não sabem surrá-lo em um tribunal

É um falsificacionismo para provar
Que o comunitário é tão imbecil
Quanto um homem ignóbil e iletrado
Esse é problema do seu país
Torcem demais pelo motivo errado

Então "eu fechei a porta e viajei para outra casa"
Uma onde homens separados eram unidos

Pela reação da inteligência contra a inércia

No seu mundo "Vitória se foi para sempre
Somente lembranças permanecem
Ela faleceu
Ela era tão jovem"

Porque se tu não se mantivesse ocupado
Nessa droga de canal populista
Enquanto seus impostos eram furtados
Por aquele desviador de dinheiro de hospitais
Vitória estaria viva em muitos corações

*Obs: paráfrases da música Fatal Tragedy, da banda Dream Theater



Poesia - C. Talesman - O Apocalipse Do Político Centrado

October 14, 2012, by Unknown - No comments yet

Poesia - C. Talesman - O Apocalipse Do Político Centrado

*Pintura: Georgina Vinsun - Joanna

Era homem de grande inteligência
Era humano de imensa bondade
Era ser enganado
Pela ideologia do partido orgulhava-se
De perseguir e oprimir o direito de liberdade

Era homem puxa-saco

Era humano de egoísmo elevado
Era ser centrado
Na riqueza do magnata
Na pobreza do miserável

Um dia, o povo esperou armado

Após o trabalho na Câmara
Ele saiu e foi linchado
Não foi bonito. Porém morreu o motivo
Da falta de oportunidade

Porque quem está cansado cansa
De se ver diariamente lesado
E procura na vingança um culpado
Da morte da comunidade
Que sem casa, de fome pereceu



Poesia - C. Talesman - A Faísca Do Ódio E Da Vingança

October 14, 2012, by Unknown - No comments yet

Poesia - C. Talesman - A Faísca Do Ódio E Da Vingança

*Pintura: Ana Schmidt - Urban Landscape 2

Quando precisar dos conselhos
Dê palavras aos amigos em personas

Quando precisar dos favores
Aperte as mãos de suas alianças
Quando precisar da Arte
Emoldure-os num quadro
Quando precisar dos amigos
Exclua os corpos aos demônios inventados

Em uma face menos pessimista e fúnebre
Um réquiem de consideração é a preciosidade

Aos premiados. Não aos ingratos
Permaneçam em suas lágrimas e solidão
Amizade não é um abraço da sorte e do acaso
Espero que consigam fugir da fagulha
Anterior ao cogumelo da potência do sol




Poesia - C. Talesman - A Queda Do Castelo Branco

October 13, 2012, by Unknown - No comments yet

Poesia - C. Talesman - A Queda Do Castelo Branco

*Pintura: Dylan Leopold - River Of Dreams

Na tempestade o vento sopra
O castelo de coca
Voa para as mãos da PF

É mais um membro do crime
Organizado que agora é preso
No negócio familiar, o medo
Da união de parentes ruir


Já quebraram-se os
 corações de muitos
Famílias se foram p
or narizes ávidos
Por violência:
Quantos foram os furtos e assaltos?
Os espancados e as retiradas de vida?

A contagem bancária do líder?
Qual a finalidade da distribuição do final?

Quando a investigação termina
Era uma vez um nobre do castelo

Coberto de choro, podridão e 



Poesia - Lincoln Moreira - I.M.

October 11, 2012, by Unknown - No comments yet

Poesia - Lincoln Moreira - I.M.


*Pintura: George Antoni - Scratch Horizon 013

Antes de qualquer coisa, meus olhos perdiam-se errantes
Anoitecia meus pensamentos como vorazes desfechos
De solidão nos desertos íntimos d’alma extinta

Sobre meus pulsantes enleios de anátemas infantis
Sobressaia-se meus resmungos em suaves reflexos

E seus olhos intimaram meus olhos em fotos infinitas
E tua voz foi o sussurro da lua enamorada

Surgiste como o amanhecer das flores
Antes de qualquer coisa, meus olhos perdiam-se errantes
Pois hoje são teus olhos meus maiores almejos



Poesia - Lincoln Moreira - Estreito

October 11, 2012, by Unknown - No comments yet

Poesia - Lincoln Moreira - Estreito


*Pintura: Eun Sook Choi - Test-converting Exterior Space To Interior Space

Sinto como algo que ninguém
Alguma vez sentiu no peito
A solidão dos que amam alguém
E chora os pesares em seu leito
Da frustração ínfima que tem
Como em estrelas sem brilho e com defeito
A demônio da revolta à mim, vem
Todo ardor de amor agora desfeito
- morte d’um louco - quem sabe convém -
Mesmo assim estaria insatisfeito
Toda dor que emana em mim provém
Da falta de ti que em mim fazia efeito
E o coração, que os vermes comem
Já não respira de desgosto. Amém
E eu, escolhido pra sofrer, o eleito
Cá estou, sem rumo, sem som, sem jeito



Poesia - Lincoln Moreira - Traição

October 11, 2012, by Unknown - No comments yet

Poesia - Lincoln Moreira - Traição


*Pintura: Rizwana A Mundewadi - Spiritual Elegance

Estou ferido. Um universo condensado
Em lágrimas mortas de desespero
Sangra e pulsa o bastardo dos leves
Tremores de tenores numa sinfonia sem espelhos
Arrasta ao intimo do ateu, apertos breves
- De perto a constelação não é tão bela, nem almejada -
Fitando-o bem parece até condenado
Inferno em mares de traição consternado

Nunca poderei esquecer aquele olhar
Não que esta seja a minha vontade
Mas quando se morre uma vez
A morte sempre volta p’ra visitar
Palavras? Já não sei se errei de novo
Sangro e tudo que vejo é vastidão
A vastidão dos meus olhos, dos teus atos, do coração
Nesse coração vasto vejo rica tristeza disfarçada de mendigo
Se a trilha incerta de espinhos camuflados no domingo
Tivesse permissão de personificar a tristeza num cidadão
Este seria eu. Andarilho que caminha num silente turbilhão

Nunca poderei arrancar meus olhos
Oh! cadavérica alma dançante
Se mesmo assim faria ela parte mim
Todo gosto azedo
Que cobre
O chão e o céu
Inundando-me em ramos de ira sem fim

Não domino as horas nem os dias
Porém, congelei o tempo sem minha permissão
Tudo morre, se perde diante daquela visão
Sangro e parece que vai demorar cicatrizar
(Colhi ramos de ilusão pensando que eram flores)
Este colapso de sensações te dá se caso um dia amar
Adverto-lhes: cedo ou tarde sofre-se
E morre-se de amores
Queria que tudo isso parasse
Porém, não domino as horas nem os dias

Queria entender que sentimento era aquele em seus olhos
Estou com frio, sou frio e triste
Antes disso, loucura e desejo unem-se a ingenuidade
Assim se faz o prelúdio do arrependimento

Destila o conhaque entranha abaixo
Desilusão desgraçada de veias latejantes
Se as coisas continuarão como antes
Porque a dor permanece e aumenta o inchaço?
Na seção um não fumante entre os fumantes
Morrem palhaços, poetas e os capachos

Por todo o coração tem marcas de feridas latejantes
Corolário do amor: dor. - escrito sem dó no coração, na parte debaixo
Minha cabeça gira e me escurece a vista.
Dor pior é saber se você gostou e se conscientizou.
O fato é que meu amigo Goethe já dizia:
“palavras mudam muito ao contrario dos atos;
Só quero ver os fatos.”

No mundo hei de ser o taciturno
Melancólico ateu de preces sem deus
Se me amas tanto deveria entender
Que amar está contido eternamente
Sem nunca dar adeus
Pesares inquietantes de oceanos noturnos
Às vezes um farol pode ser um infortúnio
Melancólico ateu sem preces, sem deus

De repente, florestas tornam-se desertos
Grito. Entra sem cerimônia levemente
A tristeza típica de quem ama sem porquê
Ama. Chora. Porque ela não vê?
Todo momento dessa eternidade desgraçada
E já fatigada, teve espaço pra mais um pesar
Treme todas as tulipas turbilhantes
De terríveis toadas trevosas numa máquina de tear sonhos
Sonhos. Que sonhos? Sei apenas que sonhos
Nascem e morrem tentando ser reais

Oh! Conhaque amigo chora comigo o coração do quadro
Malditamente abençoado de insetos carnívoros
Meu poema é um grilhão deformado
Que sinaliza para a morte. Um recomeço surdo
Toda e qualquer forma de chorar já o fiz
Então. Não quero seduzir teu coração turista
Não quero te vender o meu ponto de vista

Se acaso eu novamente morrer
Quem vai lavar meu manto sujo de sangue?
Inglórios demônios de vestes negras
Ficam ao meu lado destilando vodca e ódio
Nem amigo nem estaticidade me consolam
Até o poema perdeu a rima
Até meus olhos me traíram
E este papel maldito, mas folha tão simples
É meu melhor amigo e inimigo
Assim como a morte, que estupra
A mim e a esses versos brancos

Quando as palavras se confundem na mente
E todo o livre pensar está preso em faróis vermelhos
Eu fico atordoado parecendo um demente
A sutileza irrompida no rachar d’alma em espelhos
Coração se esvaindo: desamor...que bom revê-lo



Poesia - C. Talesman - Luz Dura

October 3, 2012, by Unknown - No comments yet

Poesia - C. Talesman - Luz Dura

*Colagem/Assemblagem: Jakub Skokan - Lucas

A beleza são pontos
Na vista: a marca, a sombra, a mancha roxa
Assegurada no papel liso entrava
Na família, mais outra
Ruga exposta e fratura
A marca do besta e da Maria
Da Penha, de manhã pelo entregador
A notícia de ida da outra

A indiganação é satisfação
De muitos. É pra chocar



Poesia - Eylan Lins - Musa Graciosa

October 3, 2012, by Unknown - No comments yet

Poesia - Eylan Lins - Musa Graciosa


*Pintura: V O - Weightless

Não vejo em você a efígie de uma mulher
vestida de trinta e outras mais primaveras!
Vislumbra-me as retinas, o reflexo, veras
tatuado, de uma singular joia azul a colher.

Como diamante raro, de luz translúcida,
lapidado pelo hábil e velho mestre tempo,
desponta – oh musa graciosa – do talento
das bailarinas primorosas d’arte da vida!

Mas não é só a formosura estética, fogosa
desse teu corpo delineado de rosa menina
a única venustidade desta obra talentosa.

Existe outra que devera me fascina, viçosa,
escondida por detrás de uma tênue neblina:
a beleza metrificada dos lírios de tua alma.



Poesia - C. Talesman - A Fuga Do Passado Esquizofrênico

September 27, 2012, by Unknown - No comments yet

Poesia - C. Talesman - A Fuga Do Passado Esquizofrênico


*Fotografia: Isabel Sierra Y Gomes De León - Leviathan - Of Man

Direção espiritual? Precisavam
De porquê. Não entendiam
O mundo onde viviam
Porque não estudavam filosofia e
Não filosofavam por si mesmos
Eram umas vidas esquizofrênicas
Até agora. E apenas até aqui mesmo
Onde a inconsciência do fato de origem
Desfez-se da moralidade do escravo no vento



Poesia - C. Talesman - A Moda É Um Leviatã

September 27, 2012, by Unknown - No comments yet

Poesia - C. Talesman - A Moda É Um Leviatã



*Colagem/Assemblagem: Steve Brudniak - The Vagus Leviathan

Rapidamente, passam os ciclos

Para mudarmos de belos superficialmente
Um artista é o rei coroado
Que assume a tendência de ordem da vida
É uma lei moral para não nos mantermos nus

Para aquele que vê um futuro de pobreza

Em um mundo que te faz distribuir teu lucro para um
Numa constante diária, existe a possibilidade de seguir
Seu próprio absolutismo como rumo
É uma fuga moral para nos mantermos nus



Poesia - C.Talesman - O Domador Das Artes

September 25, 2012, by Unknown - No comments yet

Poesia - C.Talesman - O Domador Das Artes

*Desenho: Ibon Mainar - "Bad Company"

Das missões que a arte determina:
O arquiteto é o domador da natureza
O poeta é o domador do verso
O fotógrafo é o domador da luz
O escultor é domador do objeto
O filósofo é domador do conhecimento
O pintor é o domador das tintas
O cineasta é o domador do filme
A inteligência é domadora dos vértices
Em um gênio, admiração é dominadora
Do polimatismo



Poesia - C. Talesman - Otorten

September 21, 2012, by Unknown - No comments yet

Poesia - C. Talesman - Otorten

*Pintura: Carl Yoshihara - Christmas Memory, 1991

Alaranjados corpos envelhecidos
Órgãos em sofrimento radioativo
Visita do assassinato serial e desordem
Rompimento da Exopolítica na área do Portal
O fogo-fátuo OVNI multi-dimensional
Na neve branca, expulsou os 9
A evidência dos dentes caídos propositalmente
Restos e 10 km entre o ponto amaldiçoado final
Pularam no espaço/tempo



Poesia - C. Talesman - Australiana

September 21, 2012, by Unknown - No comments yet

Poesia - C. Talesman - Australiana

*Mídia Mista: Joseph Vassie - Face Chromatography

Lagartos e monstros malignos
Demônios e espíritos sombrios
Gritos agudos e turbulência cinzentos
Força eletromagnética e interferência da Serpente

Do Arco-íris sinta-me o cheiro e conhece-me
Como povo da tribo: uma máquina voadora
A espaçonave dA Montanha Negra



Poesia - C. Talesman - Yakutia

September 21, 2012, by Unknown - No comments yet

Poesia - C. Talesman - Yakutia

*Pintura: Filip Pregowski - It´s Beginning

O Vale da Morte dos caldeirões
Grandes de 7 metros em número 7
Da vegetação atípica e desolada
Do pântano e suas névoas siberianas

Feridas na pele que não sara
Afundada na terra, os cérebros
Perdem a visão, a pupila dilata
Força eletromagnética e radiação

Para os que se aproximam do espaço
Indesejosos, lança-se um blazar
Dos antigos demônios da floresta
Um dia, Tunguska tombou assim
Como homens na loucura e na doença



Poesia - Eylan Lins - Manto De Bruma

September 12, 2012, by Unknown - No comments yet

Poesia - Eylan Lins - Manto De Bruma


*Mídia Mista: Mohsen Haj Manouchehri - Hejab (The Coner)

O poeta, vestido de flores
Em seu derradeiro suspiro,
Ascendeu-se a luz intensa
Para tornar-se estrela guia!

Se junta a velha constelação
Dos bardos reis, navegantes
Timoneiros da grandiosa arte
Das rimas, notas e cantos...

Chega vestido em seu manto
de brumas, florido e cintilante
Para tomar posse, o fiel imortal
De seu novo reino de encantos.

Entre seus rondeis, sol de feira,
Frautas e outros belos (re)versos
Descansa a velha pena de tinta
sobre o florilégio de seus versos!



Poesia - Tony Saunier - Campo Antigo

September 12, 2012, by Unknown - No comments yet

Poesia - Tony Saunier - Campo Antigo

*Pintura: Britt Kee - Nebula Saturn

Repouso no sonho de um campo antigo
E vejo tudo: o barranco, a soleira, o abrigo
Ah, lá vem a canoa, sorriu a saudade
Quando em menino de tenra idade
Brincava de singrar o lago
E chegava tardio ao seu afago

De repente, acordo no silêncio noturno

Rente à rua, me detenho, taciturno
E olho as estrelas que a noite não apagou
Mas, na antemanhã, a saudade acordou

Ouviste, pai, o imitar do japiim?

Eu, daqui, da minha estranha casa
Só ouço um canto doce e triste
Dizendo: "vou voltar, enfim"
Escuro é o pássaro de ligeira asa
Que canta a certeza que não existe



Fora Do Eixo Comunica #47

September 11, 2012, by Unknown - No comments yet

Caso não esteja visualizando, clique aqui.

eventos

Feira da Música: potência nas conexões e vitrine para a boa música

Shows, encontros, debates, oficinas marcaram 5 dias de atividades e iniciaram o ano letivo da UniFdE

A Feira da Música, realizada entre 22 e 25 de agosto, trouxe um novo olhar sobre a cultura. Além das apresentações musicais, com bandas de vários cantos do país em 4 palcos diferentes, o evento integrou o Lançamento do Ano Letivo da Universidade Livre Fora do Eixo com debates, oficinas e encontros. Cerca de 67 convidados nacionais e internacionais foram à Fortaleza (CE) para participar do Encontro da Universidade Livre da Cultura, avançando nas propostas da cultura em rede. Envolvendo e sustentando a movimentação das mais de 10 mil pessoas do evento, aproximadamente 35 mil Patativas circularam na Feira, moeda completamentar ao real usada nas atividades.
Outro foco importante da feira foi o avanço nas ações relacionadas ao meio ambiente, que reuniu grupos ambientais, ongs, associações, coletivos e convidados da área junto a comunidade, tornando o evento mais sustentável.
[Conheça alguns números]
  • 67 convidados da Universidade vindos de toda a América Latina e África
  • 44 bandas
  • 35.000 patativas (moeda social) movimentadas ao longo dos 5 dias
  • 3000 pessoas durante as prévias seletivas
  • Cerca de 10 000 pessoas circulando por dia nos 4 palcos e no Estoril
  • 909 participantes do XI Encontro Internacional da Música
***

Calendário: Setembro garante mês intenso de formação

Em parceria com a UniCult - Universidade das Culturas - e Rede Brasil de Festivais, a Universidade Livre Fora do Eixo lança seu calendário de ações para o mês de setembro. Serão debates, oficinas, editais de vivência, conversas infinitas, observatórios, percursos, entre outras atividades que ocorrem durante todo o mês, em todo o Brasil. Os Congressos Fora do Eixo Nordeste e São Paulo também fazem parte do calendário que tem ações em todas as regionais Fora do Eixo (São Paulo, Minas, Centro-oeste, Nordeste, Norte e Sul). Confira a agenda e participe!
***

UniFdE lança ano letivo com convidados da Espanha, África e América Latina

Para iniciar uma intensa agenda de atividades,a UniFdE lançou seu ano letivo durante a Feira da Música que ocorreu em Fortaleza, de 22 a 25 de agosto. O encontro se configurou como um ponto de convergência entre fomentadores da livre circulação de conhecimento, arte, formação e política. Entre os principais momentos da Feira, as interlocuções feitas entre os mais de 60 convidados da UniFdE e UniCult - Universidade das Culturas - integraram debates, percursos culturais e programação geral, trazendo reflexões e estímulos acerca do calendário de encontros para o próximo semestre.
***

Opinião: Ativista do movimento 15M compartilha experiências

O espanhol Ruben Caravaca, um dos convidados da Universidade Livre Fora do Eixo, traduziu em texto a experiência de participar do evento e de vivenciar a construção de novas estruturas e paradigmas de sociedade a partir do trabalho colaborativo e em rede.
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intercâmbio musical latino

Karina Buhr se apresenta pela primeira vez na Argentina

Noite Fora do Eixo marcará apresentação do álbum "Longe de Onde" em terras argentinas

Fortalecendo ainda mais as conexões latinas, o Fora do Eixo leva, no dia 21/09, a artista Karina Buhr para Buenos Aires pela primeira vez na Noite Fora do Eixo em terras argentinas, onde apresentará seu novo álbum "Longe de Onde" .
O evento acontece no tradicional Niceto Club e é realizado em parceria com a Sonoamerica, contando com o apoio da Embaixada do Brasil, e mostra o fortalecimento cada vez mais consistente da Novíssima Música Brasileira.
Karina Buhr está indicada a 3 prêmios no VMB 2012:
  • Melhor Artista
  • Melhor CD
  • Melhor Artista Feminina
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Eleições 2012

Pós TV realiza programa especial de cobertura dos debates em São Paulo

Lino Bocchini, Bruno Torturra, Renato Rovai e BiosBug foram os comentaristas do programa

Com vistas a ampliar as discussões acerca das eleições 2012, a PósTv está acompanhando os debates que integram o projeto “Cidade que Queremos”. A ideia é ampliar as possibilidades para além das transmissões televisivas, abrindo um campo de interação para com os candidatos por meio das redes sociais. É a cobertura midialivrista das eleições trazendo panoramas claros e sem limitações editoriais sobre as condições que queremos para nossas cidades.
[Veja o programa na íntegra]
***

Compacto.REC

Macaco Bong lança segundo CD

'This is Rolê' é o nome do novo álbum, disponível para download no site da banda

Projeto que desde 2007 busca difundir e compartilhar o trabalho de artistas independentes através de download gratuito, o Compacto.REC chega em 2012 reformulado! O selo virtual, que já lançou nomes como Nevilton (PR), Porcas Borboletas (MG) e Falsos Conejos (ARG), inaugura sua nova plataforma virtual no dia 05 de setembro, disponibilizando, dessa vez, ‘This Is Rolê’, o mais recente trabalho do trio Macaco Bong.
Através de um edital bimensal, artistas dos mais variados estilos e lugares poderão se inscrever para terem seu material disponibilizado através da plataforma, que celebra a novíssima música brasileira e latino-americana.
O Compacto.REC é uma iniciativa da Distro Fora do Eixo, frente da rede Fora do Eixo que trabalha com a distribuição de materiais independentes em sua forma física ou virtual.

Trio instrumental mostra maturidade em segundo álbum

O disco "This is Rolê", disponibilizado hoje no site oficial do Macaco Bong, tem seu lançamento marcado por um show na quinta, dia 6, no Sesc Palladium - BH
---> Acompanhe e confira o site do Compacto.Rec a partir de seu lançamento amanhã!

vivências

Campi abrem editais na regional Sul

Vivencie a Casa Fora do Eixo Porto Alegre e o Festival Morrostock

O Festival MorroStock e a Casa Fora do Eixo Porto Alegre, são dois dos campi da Universidade Livre Fora que estão com editais de vivência abertos. Na Casa FdE POA, trata-se do Edital Permanente de Vivência nas areas de sustentabilidade, comunicação, política, música, teatro e formação livre.
O Morrostock possui vagas para vivências nas áreas de "Assistente de Produção" e “Assessoria em Comunicação e Cobertura Colaborativa”. O Festival acontece no Sitio Picada Verão, em Sapiranga/RS, com atividades previstas de camping, cozinha comunitária, tendas de bambus, oficinas, palestras, terapias alternativas, meditação e yoga. O prazo para as inscrições vão até dia 05 de setembro de 2012.
----->As inscrições para Casa PoA podem ser feitas aqui.
----->Leia o edital Morrostock completo.

Percursos

Rede Brasil de Festivais lança editais de formação livre

Iniciativa é realizada em parceria com a Universidade Livre Fora do Eixo

Esta semana, a UniFdE e a Rede Brasil de Festivais lançaram o Edital de Percursos, em que os viventes selecionados poderão criar rotas de circulação nos mais de 30 festivais atuantes como campi temporários. As vivências serão nos eventos do Circuito Mineiro de Festivais Independentes (CMFI) e Circuito Paulista de Festivais Independentes (CPFI), que ocorrem de setembro a dezembro de 2012. Ao todo, o edital engloba 13 percursos, cada um variando entre 15 e 30 dias de duração. É possível optar por mais de um Percurso e dentro da programação estão previstas atividades como Cobertura Colaborativa, Conversas Infinitas, Políticas de Rede, Design, Economia das Redes, Fotografia, Rádio, Audiovisual, Atendimento, Logística e vivências nas cidades-sede de cada campus. Inscreva-se e participe!

módulo

Lala Dehenzelin participa do Conversas Infinitas na Casa Fora do Eixo

Integrante do corpo docente da UniFdE traz reflexões sobre a cultura de rede em São Paulo

Em mais uma ação de ampliação de repertório da Universidade Livre Fora do Eixo em parceria com a UniCult, ocorreu na Casa Fora do Eixo SP no último sábado um interessante e aprofundado bate-papo a respeito de moedas complementares, cultura de rede e economia criativa - a também chamada economia da vida - tudo isso complementado, por convidados, com menções à medicina oriental, às ciências naturais e uma série de reflexões, em Conversas Infinitas com Lala Dehenzelin, que viaja a diversos pontos estudando e falando sobre tais conceitos.
O papo rendeu 4 horas de transmissão ao vivo, que podem ser conferidas na íntegra!
[Confira]

gurizada Fora do Eixo

Recital do Curso Livre de Música faz apresentação no interior de São Paulo

Crianças do projeto de formação mostram suas habilidades na música

O Centro De Cultura E Ativismo Caipira (CECAC) é um dos campis da Universidade Livre Fora do Eixo que desenvolve atividades culturais direcionados às crianças e jovens em Serrana (SP) e apresentou o Recital do Curso Livre de Música Evandro Silva, com as crianças que participam dos projetos de formação livre e Música, a Gurizada FdE. Esse é um momento em que o protagonismo da gurizada fica em evidência, legitimando e viabilizando cada vez mais projetos de formação e fazendo dos diversos elementos da Cultura, ferramentas potentes para o desenvolvimento humano e social.

moeda social

Patativas circulam durante a Feira da Música

Evento proporciona experiência com as moedas complementares

Neste segundo semestre a Rede Brasil de Festivais esta movimentando a economia local em todas as regiões. Com a realização de shows, percursos culturais, atividades de formação entre outras, cada cidade que recebe um festival tem a oportunidade de tomar contato com uma economia mais justa e solidária com a circulação de moedas complementares. A Feira Música de Fortaleza, que aconteceu recentemente no Ceará, foi um exemplo disso. A Patativa, uma das moedas integradas ao Banco Fora do Eixo, circulou entre os empreendimentos solidários e os coletivos culturais de todo o país que estiveram por lá, que puderam vivenciar uma economia criativa, solidária, do conhecimento, e coletiva, fazendo da Feira da Música, um momento bastante singular na economia do País.

aceita-se Card

Novos pontos do FdE Card: Alimente-se e abasteça em São Paulo

Posto de Gasolina e mercado no bairro Cambuci aceitam card como forma de pagamento

Na capital paulita e em todo o país são inúmeros os estabelecimentos comerciais que já trabalham a partir de nova economia alternativa. É o caso do Mercado Tien e Auto Posto Lavapés no Bairro Cambuci que, a partir dessa semana, recebem como forma de pagamento o Fora do Eixo Card. Além do posto, o Mercado Tien começa a estabelecer trocas com a casa por meio da moeda. Além de fortalecer a economia local, e por conseguinte a geração de emprego e renda, é uma forma de integrar ainda mais agentes no processo de transformação social por meio da economia.
----> Acompanhe o facebook do Fora do Eixo Card e saiba mais!
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ensaio poéticas visuais

Sessão de fotos: Rede Brasil de Festivais

Festival de Curtas promove debates ao vivo e conecta realizadores do mundo todo

A 23ª edição exibiu mais de 360 filmes de diversos países. Fora do Eixo teve mostra especial na programação

Ocorreu durante os dias 23 a 31 de Agosto em São Paulo a 23ª edição do Festival Internacional de Curtas Metragens de São Paulo. O evento contou com a participação de realizadores de todo o mundo e uma exibição de mais de 360 filmes em cinemas localizados pela cidade. O Fora do Eixo esteve presente - realizou a Mostra Midiativista, com 10 vídeos produzidos pela equipe midialivrista da rede, além de outros 5 selecionados a partir de chamada pública, além de participar da Cobertura Colaborativa do Festival através da página do Percurso da Cultura no Facebook.
O Festival contou também com eventos como o Curta e Mercado, debate sobre a Lei Rouanet, performances, festas, além do Debate com Realizadores em parceria com a Pós TV, que transmistiu ao longo de 7 dias conversas com 84 realizadores de filmes exibidos nas mostras do festival.



Poesia - C.Talesman - A Moralidade Do Escravo Está Morta

September 9, 2012, by Unknown - No comments yet

Poesia - C.Talesman - A Moralidade Do Escravo Está Morta

*Pintura: Stephen Mee - Prison Life

Palavras que precisam
Ser reajustadas para que pareçam
Loucura menor
Palavras que incitam
Ser desajustadas para que pereçam
(Na) Loucura menor
Palavras que pacificam
Quando houver razão
Na loucura mundial

Nesse confronto com palavras
Mostraremos-lhes a Constituição
E se desafiarem com folhas mortas
Invocaremos a ciência do pensamento

Passou-se o tempo do punhal e da inverdade
Onde há animosidade de uma ferida
Foi mais importante que uma ideia perigosa
Porque tudo que era livre causava mal
Na prisão metafísica da humanidade

Sem a moralidade do escravo
A vida é verdade
A mentira é a obrigação

Que o comum para sempre
Pare para admirar
A imparabilidade dos gênios



Poesia - Márcio Ide - 2012

September 9, 2012, by Unknown - No comments yet

Poesia - Márcio Ide - 2012 

*Pintura: Pier Wright - Betrayed By Elegant Thinking

Penso que a Resistência
Macropolítica, já não é
Mais possível e provavelmente
Nem a Resistência Micropolítica

A Nova Resistência terá que ser
Se for existir, Resistência Existencial
Resistência Símbolo-existência

A contemporaneidade: Deleuze, Foucault
E nos seu séquito, Bauman etc
Já está bastante obsoleta ao ficar
Repetindo nietzscheanismos
Idealismos e romantismos alemães

Por favor, me refute



Poesia - Márcio Ide - Analítica De Um Novo Sublime: Os Novos Compositores do Tempo

September 9, 2012, by Unknown - No comments yet

Poesia - Márcio Ide - Analítica De Um Novo Sublime: Os Novos Compositores do Tempo

*Pintura: Pier Wright - Boom The Boat

Os novos compositores de Tempo
Os novos navegantes são
Navegantes sígnico-anímicos
Navegam nos signos do mar virtual

Meditam entre Dionisios e indutores
Químicos obsoletos
Entre Novas Alquímicas-anímicas
E Alquímicas-sígnicas

Antes de dormir, ouvem música
Conversam com amigos na rede
De computadores
Bebem suas dionísiacas
De refresco de olhar e pele
Se abrem a infinitos de significação

Lindamente, distraidamente ou não
Na guerra da cores
Inspirando frescores, sim, o tempo fere
Abrem Infinitos na Liturgia Fascinação

Vêm cá, Flor, vamos lá



Poesia - Márcio Ide - Pureza Coração

September 9, 2012, by Unknown - No comments yet

Poesia - Márcio Ide - Pureza Coração


*Pintura: Pier Wright - Peterson Park

Rosa, ó Pura Contradição
Delícia de ser o Sono de Ninguém
Debaixo de tantas coberturas
Epitáfio de Rilke

E no meio da insana guerra dos impérios da vida
Eu encontrei meu coração
De mar, abismo e céu ele é
E é assim como a Vida flui imensa

Não, não é a intensidade
Só confetes em cíntilos na festa dos instantes em olhos
É sobretudo a Pureza do Tempo
Inominável
Mais que isso, não há
Nem se pode dizer
A Felicidade é a grande Ilusão
É preciso abrir o eu em totalidade e serenidade
Depois é que se canta o Infinito

Sou dono do meu coração
E ele, o Coração da vida, é meu amado



Poesia - Márcio Ide - Felicidade

September 9, 2012, by Unknown - No comments yet

Poesia - Márcio Ide - Felicidade


*Pintura: Cecilia Lueza - Passage

A melhor maneira de ser
Feliz é fazer ao máximo
Os outros felizes
Eles te amarão e te farão feliz
Se seu amor for egoísta
Só você se fará feliz
Não terá seu exército de amores
Lutando por vocês



Poesia - Márcio Ide - Sapore

September 9, 2012, by Unknown - No comments yet

Poesia - Márcio Ide - Sapore

*Desenho: Cecilia Lueza - Playground

A metafísica caiu
A Ética caiu
(Pululam estéticas pseudo eticizantes
E ainda éticas metafisicantes)

Resta a Estética
(Sartre e Deleuze
Neste sentido talvez
Tenham feito afinal estéticas
Com ou sem aparato
Metafisico, à gosto)

Talvez a Estética salve
A parada. Isto é
Nossa civilização
(Novos filósofos nascerão)



Poesia - Márcio Ide - A Escolha

September 9, 2012, by Unknown - No comments yet

Poesia - Márcio Ide - A Escolha

*Instalação: Cecilia Lueza - The Journey

Em torno da década de 70
O Poder disse aos melhores artistas
Da nova Juventude:
- Ou você se cala ou vai morrer

Houve os que morreram
E houve os que se calaram



Poesia - Márcio Ide - Hoje

September 9, 2012, by Unknown - No comments yet

Poesia - Márcio Ide - Hoje


*Pintura: Cecilia Lueza - Somewhere In Time

Hoje é o dia mais feliz
Do resto de sua vida
Ninguém te avisou?
Pois eu te lembro
Hoje é sempre o dia mais feliz da sua vida



Poesia - Márcio Ide - A Liturgia do Fascínio: Escravos da Beleza

September 9, 2012, by Unknown - No comments yet

Poesia - Márcio Ide - A Liturgia do Fascínio: Escravos da Beleza


*Pintura: Cecilia Lueza - Revelations III

Os escravos
Que mais amam o Tempo
Nosso destino de milagre de flor
É viver tudo

Toda alegria e toda dor
Flor e céu se respiram
Sóis e buracos-negros
Se sorvem
Se devoram
Se beijam

É o Duelo de Flor
Nada mais
Nosso coração é devastado.
Na imensidão do coração renascemos

A sublime arte
É fenecer infinitos crianças
Para que o Eterno prossiga no Efêmero

Os cantos compõem as pétalas
Guardo minha pureza com a tua
Nas profundezas do Mistério de Amor
Provar a beleza é inacreditável
E é a prova mais terrível de Delicadeza e Força
É a vontade de Amar
Vi teu olhar, tão nu, tão em mim
Tive a certeza
De que jamais ninguém poderia ser mais feliz
Do que nós estavamos sendo

Nas confusões sutis e delicadas dos instantes
Vamos brincando de existir
Moldando o coração nascendo
Ourives da fonte do Fascínio

Infinito... eu me abro em ti
Infinito, eu te abro
Navegamos o Amor, a Memória e o Tempo que nos navegam
Esquecemos, lembramos, vertemos o Eterno
No coração do Efêmero
Tudo é um grande Amor



Poesia - C.Talesman - O 2º Mundo Sem Bibliotecas

August 30, 2012, by Unknown - No comments yet

Poesia - C.Talesman - O 2º Mundo Sem Bibliotecas

*Pintura: Britta Winkels - Water Lilies

1. Povo

Recebe tua miséria
Mês a mês é uma fome
Dia a dia é uma tristeza
Que consome o cérebro
É um falta de ar no hospitl
É um guerra civil sazonal
É um sentimento de andar de lado
É um sorriso no mês do espetáculo

2. Governo

Aprecia o teu reinado democrático
Onde o analfabeto é prioritário
Em mudar o mundo com o voto comprado
É um desvio de fluxo singular
É uma mantenimento da campanha deseducacional
É um patrocínio à arte imbecil
É uma pesquisa mentirosa no jornal
É o uso do tráfico de armas, drogas e informação

3. Manifestação

Festeja a tua ação
Sem o príncipe de Maquiavel
Achará graça e impedimento
É um tédio em pouco conhecimento
É um desconhecimento dos órgãos de cobrança
É um anarquismo de envergonhar Bakunin
É o não contato com o alien do Ministério Público
São uns idiotas brincado de falar verdades
Sem pedra angular, que nem bêbados

4. Gênios

Eles não existem mais
Por aqui, quando a biblioteca morreu
Deixaram de nascer
Nunca mais veremos um Chopin, Russerl
Nem uma cabeça de Platão
Porque as Ordens resolveram-se
Pela harmonia com a corrupção
Esquecer junto com o Mundo



Bolsa Interações Estéticas – Residências Artísticas em Pontos de Cultura 2012

August 27, 2012, by Unknown - No comments yet

Bolsa Interações Estéticas – Residências Artísticas em Pontos de Cultura 2012


*Pintura: Pa Ul - Group

INSCRIÇÕES ABERTAS ATÉ 3 DE OUTUBRO DE 2012
A Fundação Nacional de Artes – Funarte publicou, nesta sexta-feira, 17 de agosto, no Diário Oficial da União, a portaria que regulamenta o Edital da Bolsa Interações Estéticas – Residências Artísticas em Pontos de Cultura 2012. O Prêmio, realizado em parceria com a Secretaria de Cidadania e Diversidade Cultural do Ministério da Cultura, vai contemplar 50 projetos de residências artísticas em todo o território nacional. O aporte financeiro é de R$ 2.795.664 milhões, dos quais R$ 2,5 milhões serão concedidos em bolsas.
A Bolsa Interações Estéticas tem como objetivo apoiar projetos por meio do intercâmbio cultural e estético em rede, através de iniciativas de residências, que promovam a mobilidade, a experimentação artística e a reflexão crítica, fortalecendo e realimentando com ações inovadoras a rede de artistas e pontos de cultura e comunidades que, direta ou indiretamente, se relaciona com o projeto desenvolvido.
Pessoas físicas maiores de 18 anos, brasileiros natos ou naturalizados e estrangeiros residentes no país há mais de três anos, podem concorrer em duas categorias: Criação e Experimentação e Continuidade. Na modalidade Criação e Experimentação, o artista escolhe um Ponto de Cultura para realizar um projeto de residência artística que tenha como foco interações entre culturas e comunidades de diferentes partes do país. O principal vetor é o intercâmbio intercultural. Obrigatoriamente, o artista deve escolher um Ponto de Cultura fora da região geográfica onde reside.
A categoria Continuidade é exclusiva para aqueles que já ganharam pelo menos uma das edições anteriores do Edital Interações Estéticas – Residências Artísticas em Pontos de Cultura (2008, 2009 ou 2010) e permite que o artista possa dar continuidade ao  projeto, apresentando uma perspectiva de inovação e sustentabilidade. Também será permitido ao artista escolher qualquer Ponto de Cultura para realizar a residência, dentro ou fora da região onde reside.
O material referente às inscrições deverá ser enviado pelo correio (SEDEX ou carta registrada) para o endereço abaixo, de acordo com o contido no edital:
Fundação Nacional de Artes – Funarte
BOLSA INTERAÇÕES ESTÉTICAS – RESIDÊNCIAS ARTÍSTICAS EM PONTOS DE CULTURA 2012
Rua da Imprensa, 16 – 6º andar / Setor de Protocolo – Castelo
Rio de Janeiro – RJ
CEP 20030-120
A avaliação das propostas será realizada por uma comissão de seleção composta por 11 membros de reconhecida idoneidade, notório saber e capacidade de julgamento nos campos de abrangência da Bolsa, sendo um deles representante da Funarte e um representante da Secretaria de Cidadania e Diversidade Cultural, nomeados em portaria pelo presidente da Funarte.
Entre os critérios que norteiam a seleção estão a criatividade e inovação (originalidade das ações e busca de novas práticas e relações no campo cultural); metodologia (organização, planejamento e método de execução); impacto social da proposta (aspecto quantitativo e qualitativo); contribuição cultural e estética (valor simbólico da experiência proporcionada pelo projeto para o artista e para a comunidade); sustentabilidade (capacidade da proposta de se articular com outras redes, criando práticas e oportunidades sustentáveis no campo da arte e da cultura).

arquivos relacionados



Mais informações
cepin@funarte.gov.br
(21) 2279-8082



Programa Rede Nacional Funarte Artes Visuais – 9ª Edição - 2012

August 27, 2012, by Unknown - No comments yet

Programa Rede Nacional Funarte Artes Visuais – 9ª Edição - 2012


*Fotografia: Mariana Armata - Bokeh Fence

INSCRIÇÕES ABERTAS ATÉ 1º DE OUTUBRO DE 2012
O edital visa selecionar 30 projetos que promovam o intercâmbio inter-regional por meio de  atividades e experimentações ligadas às artes visuais, tais como: oficinas artísticas, oficinas de qualificação, workshops, palestras, performances, instalações, novas mídias, seminários, intervenções, exposições, atividades pedagógicas e pesquisa de linguagem. O valor da premiação para cada contemplado é de R$ 100 mil.
O programa visa fomentar a reflexão e o debate sobre as artes visuais, desenvolver instrumentos de capacitação para artistas e técnicos do setor e promover a circulação dos profissionais da área por todo o país, além de estimular a formação de público.  As propostas encaminhadas deverão contemplar o intercâmbio inter- regional entre artistas e/ou demais agentes culturais.

arquivos relacionados

 



Bolsa de Aperfeiçoamento Técnico e Artístico em Música 2012

August 27, 2012, by Unknown - No comments yet

Bolsa de Aperfeiçoamento Técnico e Artístico em Música 2012

*Colagem/Assemblagem: Mariana Armata - Guitar Music 

INSCRIÇÕES ABERTAS ATÉ 1º DE OUTUBRO DE 2012

A Funarte publicou, no Diário Oficial da União do dia 16 de agosto de 2012, quinta-feira, o edital da Bolsa de Aperfeiçoamento Técnico e Artístico em Música.

O programa apoiará a participação de artistas e/ou técnicos da área de música em atividades de aperfeiçoamento no Brasil ou no exterior, por meio de concessão de bolsa para realização de estágios e cursos de média e longa duração. Serão concedidas 36 bolsas. Podem concorrer no edital jovens músicos, compositores e arranjadores, bem como técnicos – nas áreas de sonorização, iluminação, produção fonográfica e luteria.
Estão aptos a se inscrever neste edital músicos e técnicos que preencham as seguintes condições: tenham formação e experiência artística ou técnica compatível com o nível e a finalidade do estágio ou curso; sejam brasileiros natos ou naturalizados; e tenham entre 18 e 35 anos completos.
As bolsas são divididas em quatro módulos, com as seguintes características:
Módulo A: oito bolsas para cursos/estágios no Brasil com duração de três a seis meses, no valor de R$16 mil;
Módulo B: 10 bolsas para cursos/estágios no Brasil com duração de seis a doze meses, no valor de R$ 31 mil;
Módulo C: oito bolsas para cursos/estágios no exterior com duração de três a seis meses, no valor de R$ 35 mil;
Módulo D: 10 bolsas para cursos/estágios no exterior com duração de seis a 12 meses, no valor de R$ 65 mil;
A ação tem o objetivo de promover o aperfeiçoamento dos interessados em cursos ou estágios de reconhecida qualidade, visando à excelência artística e técnica. O Centro de Música da Funarte, responsável pelo edital, espera que os contemplados com o apoio sejam multiplicadores dos resultados da ação, contribuindo para a qualificação do corpo de profissionais brasileiros da área da música.
As inscrições estarão abertas no período de 45 dias corridos, contados a partir do primeiro dia útil após a da data de publicação deste edital no Diário Oficial da União. O material de inscrição deverá ser enviado pelo correio, por SEDEX, em um único envelope, para o seguinte endereço:
BOLSA DE APERFEIÇOAMENTO TÉCNICO E ARTÍSTICO EM MÚSICA
Rua da Imprensa nº 16 sala 1308
CEP: 20030-120 − Rio de Janeiro – RJ
Verifique os documentos que devem ser enviados para a inscrição, no item 6.3 do edital.
Os recursos destinados ao programa terão origem no Fundo Nacional de Cultura (FNC), no valor de de R$ 1.428.350,00, dos quais serão destinados R$ 60,35 mil para as despesas administrativas e o restante para as premiações.

arquivos relacionados


Mais informaçõesFunarte – Centro da Música (Cemus)
Telefones: (21) 2215-5278 / 2279-8109 / 2240-5151 / 2279-8601